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Estamos vendo a construção de um Estado de Direito ‘fast food’

“…Lula está sendo cercado – não Fernando Henrique nem Aécio – porque teve a capacidade de movimentar esta máquina, dentro da ordem, para diminuir a distância entre ricos e pobres no país, o que permitiu a evolução democracia social, ainda que sob controle das grandes fortunas, não da cidadania comum.” Extrato do artigo de Tarso Genro na Carta Maior, que reproduzo abaixo

O que estamos vendo é a construção de um Estado de direito ‘fast food’, para adaptar a ordem política às necessidades do capital financeiro

Por Tarso Genro na Carta Maior

Ramiro Furquim - Sul 21

“No Rincão Velho um dia anunciei ao meu querido amigo Oscar Pardo: prepara-te. Vamos nos casar. Correu ao seu quarto e voltou com uma escopeta na mão. Entendeu que íamos caçar”. (Adolfo Bioy Casares, “Memórias”, anunciando a um amigo o seu casamento com a escritora Silvina Ocampo)

Neste emaranhado de informações vazadas, notícias verdadeiras e manipuladas, avaliações do comportamento dos agentes públicos envolvidos na operação “lava-jato”, creio que faz falta um debate de princípios. Um debate  – tanto do ponto de vista jurídico como político – para situar a guerra política que estamos vivendo, no interior do Estado de Direito, na sua fase histórica de Estado Democrático e Social. Estado, este, que adquiriu sua elaboração doutrinária mais complexa, após as derrotas das diversas formas de fascismo depois da Segunda Grande Guerra.

Como diz Lenio Streck, no seu brilhante “Jurisdição Constitucional e Hermenêutica”, “nem tudo está perdido, a Constituição ainda constitui”, e prossegue: “o Direito, enquanto legado da modernidade – até porque temos uma Constituição democrática – deve ser visto hoje como um campo necessário de luta para a implantação das promessas modernas”. Este pequeno ensaio quer saudar esta visão e, ao mesmo tempo, contribuir para que as lutas que se travam hoje no Brasil, contra a corrupção, não redundem, como na Itália, na transferência do poder político de Estado para esquemas de corrupção que tenham na sua vanguarda  um esquema ainda mais complexo e poderoso, como aquele que levou Berlusconi ao poder, por quase uma década: a irmandade siamesa da grande mídia, as agências de risco e o capital financeiro especulativo.
 
Os processos político-judiciais em andamento no Brasil desenham um duplo cenário e ensejam várias possibilidades de desenlace: são  – ao mesmo tempo –  um momento revelador positivo da nossa trajetória republicana, porque é um fato real a existência de organizações criminosas dilapidando o Estado; e também são um momento de constrangimento do Estado, para que ele não prossiga na promoção da efetividade da agenda constitucional dos direitos sociais, que os credores da dívida pública veem como uma ameaça ao seu direito de recebê-la.

A “midiatização” do Processo Penal, que vincula politicamente o Judiciário como instituição, a grande mídia e a direita política (ramificada em todos os partidos com forte representatividade eleitoral), compõem o cenário onde as coisas, até agora, estão se resolvendo, pois o Estado Democrático e Social de Direito – tal qual foi aqui foi constituído – é um bloqueio à agenda do capitalismo financeiro global. A via mais eficaz para derrotá-lo, desconstituindo-o em termos programáticos e impugnando as suas promessas, é através da luta contra corrupção: uma luta meritória para um objetivo espúrio. Salvá-lo, iria requerer o seu aprofundamento no respeito aos direitos fundamentais e na resposta concreta aos direitos sociais, via que não foi escolhida, até agora, pelos governos sob ataque.

Para que essa análise não seja distorcida, quero sustentar que tanto as investigações do Ministério Público, bem como a direção processual dos casos – ainda em exame, pelo Poder Judiciário – não podem ser vistos como uma “conspiração da direita”, contra os governos de esquerda (na sua acepção tradicional), instalados no país depois de 2002. Nem eram tanto “governos de esquerda”, nem os processos arremeteram somente contra pessoas mais à esquerda, no espectro político tradicional desta. Mais corretamente, pode-se dizer que são ações que surgiram combinando um avanço republicano das instituições – a partir da luta contra a corrupção centenária (fundamentada na defesa da legalidade) –  com a conveniência de ajudar a derrotar o desenvolvimento da  democracia social no Brasil, promovido pela Constituição de 88.

A mesma Constituição que  edificou os direitos sociais programáticos e  limitou-os, por proibições constitucionais, que só permitem  a implementação dos direitos fundamentais e sociais pelas tortuosas formas tradicionais do velho Estado de Direito, verticalizado, não participativo e propício para ser controlado pelas velhas oligarquias e corporações. Lula está sendo cercado – não Fernando Henrique nem Aécio – porque teve a capacidade de movimentar esta máquina, dentro da ordem, para diminuir a distância entre ricos e pobres no país, o que permitiu a evolução democracia social, ainda que sob controle das grandes fortunas, não da cidadania comum.

Duas grandes falácias, porém, estão na base desse movimento político e jurídico. Elas marcarão – independentemente dos seus resultados –  a nossa história para sempre. A primeira falácia, é que os processos judiciais em curso obedecem ao princípio da “neutralidade formal do Estado”, portanto estão sendo encaminhados dentro do “Direito vigente”. Ora, nenhum Estado, democrático ou não, é “neutro”, pois verdadeiro conteúdo da vida constitucional de um Estado não está naquilo que a norma constitucional ordena ou outorga, como direito ou pretensão de direito, mas está naquilo que a sua Constituição proíbe, lugar normativo onde o Estado declara, portanto, a sua “não neutralidade”.

O sentido concreto desta afirmação é que, embora possa se desejar que toda a norma constitucional seja norma jurídica, nem toda o é: algumas são programáticas, outras são princípios formais, outras são inaplicáveis. E são assim -programáticas ou inaplicáveis-  porque a sua força normativa e influência direta na vida do cidadão concreto é barrada. formal e materialmente, pelas proibições contidas na mesma Constituição. Se o Estado fosse “neutro”, o direito de propriedade seria tão viabilizado como a proteção dos direitos fundamentais e, mais ainda, o aparato estatal permaneceria inerte -o que seria ruim- perante os supostos ou reais crimes atuais, como o fez  perante pessoas dotadas dos mesmos direitos, prerrogativas e deveres, em outros momentos.


O que determina, portanto, o ativismo judicial em curso -com seus problemas e méritos- é o ambiente democrático, a política (que não é neutra), que  penetra em todos os poros da Polícia, do MP e do Poder Judiciário. E estes, no momento que passam a identificar uma “classe política” a ser vigiada e punida (não propriamente os criminosos que estão na política), tornam-se – eles mesmos – uma classe política especial. “Classe” dotada de poderes políticos excepcionais, que formula o axioma que estão “acima da política”, tornando-se, por este desvio de funções, corregedores da democracia, a partir de um suposto “clamor público”, que lhes estimula a novas interpretações da Constituição e das leis penais: assim, abalam o garantismo e, às vezes, até invertem o ônus da prova nos processos criminais.

O Estado Social e Democrático de Direito é a formulação mais avançada do Estado de Direito, que pretende equilibrar a “democracia política” e os direitos “sociais e fundamentais”, com a trama normativa e prescritiva do Direito Constitucional, que é, ao mesmo tempo, programa e norma, prescrição e proibição, já uma nova utopia moderna, portanto, sob o assédio universal da destruição das suas funções públicas.

Os processos em curso promovem -como estão sendo geridos até agora- um “empate estratégico”, entre o avanço de uma ordem mais republicana e um retrocesso autoritário, desta mesma ordem, em função dos instrumentos que estão sendo usados na sua implementação. Este “empate” ainda não está resolvido, pois ele se decide, não nos Tribunais, mas no terreno político, pois o próprio MP e os Juízes, ainda não estão cooptados, majoritariamente, para o novo sentido que está sendo dado às suas funções de revisores da ordem jurídica democrática, sem serem mandatados pelo detentor da soberania: o povo constituinte.

A segunda falácia é a comparação da “lava-jato” com a “Mãos-Limpas” (ou a “Tangentópoli”) italiana. As grandes operações policiais contra a elite que tinha dirigido o Estado italiano no pós-guerra (até os anos 90) foram promovidas contra todos os partidos e líderes, que passaram pelos sucessivos governos italianos no pós-guerra, ao contrário do que ocorre em nosso país, cuja seletividade só não é mais forte em função da socialização da informação feita pelas redes.

Os processos dos anos 90 sucederam ações duríssimas contra a Máfia, então dirigidas pelos juízes Borselino e Falcone, na década anterior (e pelo Chefe dos fiscais, Rocco Chinnici), todos posteriormente assassinados pelos grupos criminosos que combateram. Eis a diferença substancial: a pauta do combate à criminalização do Estado, promovida por estes heróis assassinados, ficou como exemplo para as novas gerações de juízes e fiscais, que não foram orientados pela grande mídia, nem homenageados por ela, para começar o seu trabalho de apuração “direcionado” contra os crimes contra o Estado, mas foram motivados pelo exemplo dos seus antecessores.

Segundo as investigações de Borselino e Falcone, a Máfia – com as suas devidas variações regionais – mantinha uma estreita relação com as mais importantes lideranças da democracia cristã da Itália, que se projetaram para os demais partidos de Governo, até a chegada de Berlusconi ao poder, glorioso “renovador” da política italiana, neoliberal, autoritário e corrupto, que veio de fora da “classe política”, para ocupar funções de Governo.

Pier Luigi Zanchetta, num estudo das perspectivas judiciais e políticas abertas com aqueles processos na Itália, mostra (1995) que a “Tangetopoli” começa quando amadurecem as condições políticas e econômicas que abalam o pacto de “não beligerância” entre a Magistratura e o Poder Político. Pacto este, já também debilitado pela presença ativa no Sistema de Justiça italiano de Juízes e Fiscais simpatizantes do Partido Comunista Italiano ou, pelo menos, independentes das oligarquias da democracia cristã. São novos quadros, originários de correntes ideológicas e políticas, que não tiveram responsabilidades significativas no governo nacional, depois da estabilização posterior ao fascismo.

A utilização, que estes fizeram da imprensa, “manipulando-a” – como diz o Juiz Moro elogiosamente no seu “Considerações sobre a Operação Mani Pulite”,  também nada tem a ver com o que ocorre no nosso país, pois aqui há uma mão inversa,  não observada inocentemente por Moro: aqui a mídia direitista é que  estimula ou “limita”, a ação da Polícia e do Sistema de Justiça, usando prebendas publicitárias que outorga a quem atende a suas “denúncias”, transformando estas autoridades em uma “longa manus”, não só da sua ação destrutiva da esfera da política (na qual a mídia oligopolizada institui a pauta que lhe interessa), mas também edifica ou destrói lideranças públicas, segundo a sua visão de Estado e projeto político.

A mudança dos critérios interpretativos das normas jurídicas do Processo Penal e do Direito Penal, a relativização do garantismo e a anulação concreta da presunção da inocência, não só pelos vazamentos seletivos, mas também pela voz pública dos Juízes, Procuradores e Delegados de Polícia -antecipando convicções sobre os processos judiciais e investigações em curso- configuram o erguimento de uma nova ordem, dentro da mesma ordem.

É uma mudança, porém, que atinge os “fundamentos”  de qualquer Constituição democrática, a saber: o princípio da igualdade formal e o princípio da inviolabilidade dos direitos. Os atuais réus, dentro da mesma ordem jurídica, não estão tendo o mesmo direito à ampla defesa, que tiveram os outros réus, que lhes precederam, processados sobre os mesmos temas, na mesma ordem jurídica, porque os  processos atuais viraram espetáculos políticos da mídia partidarizada e instrumentos de liquidação de uma facção política, quando se sabe que a delinquência contra o Estado, está dentro de todas as facções. Nem estão tendo, estes réus, o direito de aguardar, para cumprir suas penas, que as suas sentenças transitem em julgado.

O que estamos vendo é a construção de um Estado de direito “fast food”, para adaptar a ordem política às necessidades do capital financeiro das agências de risco, que só não aceitam a corrupção dos outros. Na verdade, o objetivo estratégico de todo este movimento, que traz no seu início a marca generosa e republicana do combate à corrupção – independentemente da consciência dos seus protagonistas –  passou a ser chegar a um governo capaz de decapitar o Estado Democrático e Social de Direito, dada a sua incapacidade (verdadeira) de, ao mesmo tempo, pagar a dívida financeira legítima e ilegítima, e também pagar a dívida social, reconhecida na Constituição social e democrática que escolhemos em 88. Para cumprir com estas promessas, os contratos da dívida deveriam, em algum dia, serem revistos, nas suas partes ilegítimas e ilegais.

Norberto Bobbio diz que a “ética da convicção” não coincide com a “ética da responsabilidade”, pois aquela é uma ética dos princípios e esta é uma ética “dos resultados”. Esta distinção, que atravessa a história da filosofia moral, desafia tanto os dirigentes políticos como os “operadores do direito”, em cada momento das suas vidas.

A primeira pode levar a um fanatismo repugnante, que descarta o homem concreto e celebra o homem abstrato, aplicando, mecanicamente, os princípios, independentemente das particularidades e até mesmo singularidades de cada situação vivida.

A segunda pode levar ao pragmatismo extremo, na busca de um resultado que viola princípios e desliga-se hoje, portanto, do conjunto de valores construídos na modernidade democrática e no humanismo revolucionário das Luzes. Tudo indica que predomina, no atual jacobinismo dos Juízes e do Ministério Público, esta segunda hipótese. Até onde chegarão, depende mais da ação política na sociedade do que dos resultados, já antevistos, da maioria dos processos penais em curso. É bom ser pessimista, mas também não perder a esperança.

Sobre o passado erguemos o presente e o futuro da nação (Vídeo)

Sem meias nem inteiras palavras um vídeo de 30 segundos que mostra a construção da nação brasileira nos últimos anos. Não podemos permitir que a mídia e os interesses do grande capital nos levem ao retrocesso. A Democracia é o caminho para que o Brasil avance e TODOS os brasileiros possam participar destes avanços. Chega de golpismo!!!

ditadura

 

1964-1985:Uma parte da história do Brasil (Vídeo)

Vermelho é a cor mais quente (Vídeo)

Do Facebook do Carlos de Campos. Mostra a emoção, a pluralidade e a vontade de continuar construindo a história.  O Brasil avançou nos últimos anos e se tornou uma das referências geo políticas no mundo. E não foi na marra. Isto foi construído com a permanente participação de todas as gentes. Há quem queira derrotar estas conquistas, por que não querem o povo todo usufruindo do que até então achavam privilégio seu. Os golpistas não ficaram contentes com as concessões que Dilma lhes fez, aceitando inclusive um Ministro da Fazenda comprometido com interesses outros, que não os da nação. Eles queriam mais. Eles queriam cortar o Bolsa Família, para usar o dinheiro para pagar juros a banqueiros. E nos discursos já atacam outros programas sociais. Foi um deslize do Governo e do PT, achar que valia a pena conceder mais. Não há mais nada a conceder. Estamos empatados com o que conquistamos até dezembro de 2014. O ano foi ruim. Mas eis que o povo foi as ruas de forma vigorosa, como nunca, e mostrou que sabe. Sabe quem fez e faz, mas quer retomar os avanços. Além do povo nas ruas, o Bolsa Família mantido, o Vice Presidente golpista desmoralizado, Aécio e o PSDB perdendo o 58º turno das eleições e ainda tendo o Azeredo, amigo do Aécio, operador do Mensalão Tucano, preso por 20 anos e a retomada das investigações da corrupção da era FHC. Quanto a vitória no STF, é a vitória desta batalha de uma guerra que ainda não terminou. Os golpistas continuarão operando para tentar o impeachment. O objetivo deles não é derrotar Dilma. É derrotar o Brasil. A resposta do Governo, do PT e da Esquerda tem que ser RETOMAR O PROJETO QUE NOS LEVOU AO PODER. Não é difícil.É só querer. Faz de conta que 2015 não existiu e vamos retomar lá do fim de 2014. Acorda PT!Acorda Governo!! Este povo vermelho aí, não quer viver da ilusão de que dá pra comer PIB pra sobreviver , enquanto banqueiros e capitalistas comem caviar as custos dos juros que pagamos. O povo quer dignidade e todos os direitos que já conquistamos e muito mais. A direção do PT tem a obrigação de mostrar Programa de Governo que foi discutido para ser apresentado ao povo nas eleições de 2014 e implementá-lo. O que o Levy implementou foi o Programa do Aécio.  Agora chega! Sai Levy tucano e volta o Programa Democrático Popular.

O Vídeo publicado foi produzido por Jornalistas Livres

Vermelho

 

Ruas, PMDB e STF enterram o golpe.

Brasília3

Mais de 20 mil na Esplanada dos Ministérios, Contra o Golpe

O dia trouxe grandes e importantes derrotas para o golpismo.

Provavelmente enterrou o impeachment para todo o sempre.

As manobras de Eduardo Cunha foram quase todas derrubadas no Supremo Tribuanl Federal (STF).

A chapa avulsa, jogada espertinha de Cunha para tirar poder das lideranças partidárias (na maioria anti-impeachment), foi derrubada no STF.

A Câmara terá que refazer a votação da comissão do impeachment, desta vez numa situação humilhante para a oposição, porque o STF criminalizou os procedimentos das alas golpistas alinhadas a Cunha.

Leonardo Picciani, da ala antigolpe do PMDB, reassumiu a liderança do partido na Câmara.

Todos gols da ala golpista da Câmara foram anulados. A partida recomeça do zero.

A nova comissão terá de ser formada por membros indicados pela liderança dos partidos.

Mais importante: STF decidiu que o Senado pode rejeitar um pedido de impeachment aprovado por uma comissão da Câmara.

No Senado, a maioria do governo e, sobretudo, a maioria antigolpe, é bem mais firme que na Câmara.

O governo ganhou segurança dupla contra o golpe: na Câmara, com a derrubada da chapa avulsa, e no Senado, com o empoderamento que lhe conferiu o STF.

As rodas da política registram uma reviravolta e passaram a girar rapidamente contra o golpe.

Os golpistas, além disso, ainda estão atônitos com a força das manifestações anti-golpe, que conseguiram ser maiores que as marchas coxinhas, mesmo numa conjuntura tão difícil.

O movimento antigolpe registrou vitória nas ruas, no STF e no Parlamento.

Cheque mate na oposição.

Hoje, um grupo de artistas esteve em Brasília, no Planato, na Câmara e no Senado, para se manifestar contra o impeachment.

O Congresso voltou a trabalhar em harmonia com o Executivo, restaurando um pouco da estabilidade política que o cunhismo midiático tentou destruir ao longo de todo o ano.

Hoje mesmo, o Congresso aprovou o Orçamento Federal para 2016.

O ano vai terminado com uma grande, histórica, épica vitória da legalidade contra o golpe.

Pra completar o quadro de boas notícias, o incompetente do Levy já anunciou, em reunião hoje do Conselho Monetário Nacional (CMN) sua saída do Ministério da Fazenda.

Em seu lugar deverá entrar alguém ligado ao setor produtivo, mais preocupado com empregos e atividade econômica.

O comentarista político da Globo, Merval Pereira, havia previsto que todos os ministros votariam alinhado com Edson Fachin.

Perdeu. Não aconteceu nada disso.

Chora Merval. Chora mais uma vez.

PS: a votação no STF, salvo engano, ficou assim:

A favor do voto aberto 5×5
Barroso, Weber, Fux e Carmen, Marco Aurélio X Fachin, Toffoli, Teori e Gilmar, Celso de Melo, Lewandowski

Poder do Senado 7×3
Barroso, Teori, Weber, Fux, Carmen, Marco Aurélio, Celso de Mello X Fachin, Toffoli, Gilmar, Lewandowski

Chapa única 6×4
Barroso, Teori, Weber, Fux, Carmen, Marco Aurelio X Fachin, Toffoli, Gilmar, Celso de Melo, Lewansdowski

#NãoVaiTerGolpe: STF derrota rito imposto por Eduardo Cunha à Câmara

STF derrota rito imposto por Eduardo Cunha à Câmara; Senado decidirá e Renan diz que não há indício de crime de responsabilidade

Supremo

Do VIOMUNDO

 

 

O Supremo Tribunal Federal anulou o rito de impeachment imposto à Câmara pelo presidente Eduardo Cunha.

O peemedebista deu andamento ao processo para se vingar do Partido dos Trabalhadores, depois que o PT se negou a dar a Cunha os três votos que poderiam livrá-lo de processo de cassação no Conselho de Ética.

Cunha decidiu, com apoio da oposição, que a escolha da comissão seria feita em votação secreta e com a possibilidade de disputa de mais de uma chapa. Com isso, conseguiu eleger uma comissão majoritariamente formada por oposicionistas.

Eles festejaram no plenário da Câmara com bonecos infláveis do ex-presidente Lula..

Na sessão de hoje do STF, a maioria dos ministros decidiu que o Senado terá um papel preponderante no processo de impeachment. A maioria também rejeitou a formação de chapas para disputar a comissão. O STF também decidiu, por 6 a 5, que no voto deve ser em aberto.

Se a nova comissão do impeachment da Câmara decidir, por maioria de dois terços, abrir o processo contra a presidente Dilma, caberá ao Senado tomar as principais decisões. Por maioria simples, aceitará ou não a abertura do processo. Por maioria de dois terços, decidirá pelo afastamento definitivo de Dilma.


Renan Calheiros, presidente do Senado, é visto como aliado do governo dentro do PMDB. Ele também está sob investigação na Operação Lava Jato. Renan disse hoje a uma comissão liderada por Leonardo Boff (ver vídeo acima) que não há qualquer indício de crime de responsabilidade da presidente Dilma.

Também citado por um delator, o vice-presidente Michel Temer faz campanha em benefício próprio para assumir o Planalto — é aliado de Eduardo Cunha e tem negociado a transição com líderes do PSDB.

A Procuradoria Geral da República pediu ao STF o afastamento de Cunha do mandato e da presidência da Câmara, alegando que ele está usando seu poder para obstruir investigações. A decisão do STF sobre Cunha ficou para fevereiro.

Assim, é possível que Eduardo Cunha, ainda no exercício da função, instale a comissão do impeachment obedecendo às novas regras definidas pelo STF.

Segundo fontes da Procuradoria Geral da República mencionadas pela mídia, já existem indícios suficientes para pedir a prisão de Cunha, mas enquanto ele tiver mandato isso só acontecerá se houver flagrante.

Portanto, não está completamente afastada a possibilidade do presidente da Câmara ser preso enquanto instala a comissão do impeachment!

A comissão que foi sempre nunca ter sido:

PSDB

Carlos Sampaio (SP)
Valdir Rossoni (PR)
Shéridan (RR)
Bruno Covas (SP)
Nilson Leitão (MT)
Paulo Abi-Ackel (MG)

DEM
Mendonça Filho (PE)
Rodrigo Maia (RJ)

PMDB
Osmar Terra (RS)
Lúcio Vieira Lima (BA)
Lelo Coimbra (ES)
Mauro Mariani (SC)
Flaviano Melo (AC)
Carlos Marun (MS)
Manoel Jr (PB)
Osmar Serraglio (PR)

PSD
Sóstenes Cavalcante (RJ)
Evandro Roman (PR)
João Rodrigues (SC)
Delegado Éder Mauro (PA)

PP
Odelmo Leão (MG)
Jair Bolsonaro (RJ)
Luiz Carlos Heinze (RS)
Jerônimo Goergen (RS)

PSC
Eduardo Bolsonaro (SP)
Marco Feliciano (SP)

PSB
Fernando Coelho Filho (PE)
Bebeto (BA)
Danilo Forte (CE)
Tadeu Alencar (PE)

SD
Fernando Franscichini (PR)
Paulinho da Força (SP)

PMB
Major Olímpio (SP)

PPS
Alex Manente (SP)

PTB
Sérgio Moraes (RS)
Benito Gama (BA)
Ronaldo Nogueira (RS)

PHS
Kaio Manissoba (PE)

PEN
André Fufuca (MA)

O recado das ruas para os golpistas (e os velhos coxinhas). Por Mauro Donato

 

Brasília3

Em Brasília, a maior manifestação política desde a abertura desde o fim da ditadura militar lotou a Esplanada dos Ministérios

Por Mauro Donato no DCM

Sem dúvida a manifestação contra o impeachment teve público superior ao ato que pedia o afastamento de Dilma.

Dirão que o ‘mar vermelho’ é ilegítimo, que estão uniformizados. Mas e o que é o povo de amarelo com camisas da CBF? Espontâneo?

E eram muitos os populares não filiados a nenhum partido nem militantes de nenhum movimento social. O que aliás não significa nada pois estar filiado a um partido ou ligado a um ativismo não é demérito, pelo contrário, só denota a diferença de compromisso com o todo entre o público de domingo e o de hoje.

Dona Thaís tem 65 anos e veio de Mongaguá (litoral SP) “Esse dia de hoje é muito importante para saberem que não precisamos que as TVs nos convoquem. Estou aqui por livre vontade e consciência política.”

Priscila também não trajava camiseta de nenhuma associação nem sindicato. “Hoje está sendo bem simbólico do quanto estamos incomodados com esse estado de retrocesso, de golpismo, e queremos reafimar que desejamos democracia e não o Cunha.”

Um marco importante pela manutenção da democracia era a definição. Mais do que pela gestão Dilma, até porque não lhe faltaram críticas. Lula até havia pedido uma trégua aos movimentos sociais, solicitou um apoio irrestrito mas Guilherme Boulos (MTST) não aliviou:

“Não vamos aceitar esse impeachment porque ele é ilegítimo, fruto de chantagem. Isso não significa que não sejamos contra o ajuste fiscal, contra o corte de investimentos sociais. Essa política é indefensável mas a saída não é com impeachment. O que precisamos é um pacto que faça o andar de cima pagar a conta.”

Além do MTST estavam CUT, MST e tantos outros. ‘Não vai ter golpe’ e ‘Fora Cunha’ eram os gritos.

“Se tínhamos qualquer dúvida que era um golpe, quando a FIESP anunciou sua posição daí tivemos convicção”, declarou Raimundo Bonfim da Central de Movimentos Populares. Ele ainda prestou total apoio ao estudantes e afirmou que se Alckmin mantiver a intenção de fechar escolas os movimentos sociais irão pedir seu impeachment.

Muitas entidades estudantis estavam presentes e marcavam presença preocupadas com o que um impeachment poderia representar.

“Enquanto Dilma conseguiu trazer progressos para a educação como nunca tivemos, como os 10% do PIB, os royalties do pré-sal, cotas etc, nos estados onde está o PSDB vemos o contrário. Portanto precisamos garantir esse governo que foi eleito democraticamente”, disse Angela Meyer presidente da UPES (União Paulista de Estudantes Secundaristas).

Tudo somado, está claro que a parcela da sociedade que não quer deixar o estado democrático de direito conquistado com muita luta tomar uma rasteira de golpistas e chantagistas irá defender o resultado das últimas eleições. Mais do que defender Dilma ou o PT. Tudo o que não se quer é ver uma gente que não representa ninguém continuar a prevalecer.

 


Luiz Müller

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