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CUT divulga calendário de lutas contra política econômia e em defesa da democracia

A Central não aceita o retrocesso nas conquistas obtidas pela população brasileira nos últimos 12 anos causado pela adoção errática de uma política macroeconômica neoliberal e recessiva

Da Central Única dos Trabalhadores

A Direção Executiva da CUT, reunida em São Paulo no dia 22 de julho, ao fazer a análise de conjuntura, constatou o agravamento da crise econômica e política por que passa o país, com ampla repercussão na área social onde já se preanuncia uma situação de crise. Neste cenário, aumenta sua responsabilidade na defesa dos interesses da classe trabalhadora, levando a Central a propor um programa econômico alternativo à atual  política econômica do governo e a fazer a defesa incondicional da democracia em nosso país. A CUT não aceita o retrocesso  nas conquistas obtidas pela população brasileira nos últimos 12 anos causado pela adoção errática de uma política macroeconômica neoliberal e  recessiva, assim como reagirá com veemência a qualquer tentativa que coloque em risco a democracia no Brasil.

A crise política se agravou, com a expectativa criada em torno da possível  rejeição pelo TCU da prestação de contas do governo Dilma/2014 e do questionamento à origem de parte dos recursos que financiaram a campanha Dilma nas eleições presidenciais. Embora as  chamadas “pedaladas fiscais” sejam um recurso contábil amplamente utilizado nos últimos 14 anos e as contas da candidatura vitoriosa tenham sido aprovadas por unanimidade pelo TSE, representantes da direita no Congresso continuam ameaçando, com base nas supostas irregularidades, entrar com ação de impeachment da Presidenta Dilma.

A situação assumiu elevado grau de tensão com a  retaliação do Presidente da Câmara às denúncias da extorsão por ele  praticada contra empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato. Embora Eduardo Cunha tenha saído fragilizado do episódio e a direita não tenha unidade em relação à eficácia do impeachment, não se pode negar que continua em curso um movimento visando a derrubada do governo Dilma, a criminalização do PT, do movimento sindical e dos movimentos sociais, além da condenação do ex-presidente Lula, inviabilizando sua possível candidatura em 2018. Esse movimento envolve setores conservadores da sociedade e sua representação no parlamento, em aliança com o poder judiciário, e é fortemente municiada pela propaganda sistemática e tendenciosa da grande mídia.

A crise econômica tornou-se mais grave com os indicadores econômicos apresentando desaceleração de todos os setores da economia, a projeção de recessão para 2015,  a acentuada queda do emprego (fechamento de 111.119 postos em junho e de 345.417 postos nos últimos seis  meses), a queda da renda e do consumo, a alta da inflação e a projeção de cenário adverso para as campanhas salariais do segundo semestre.

Diante de um quadro econômico internacional adverso e na contramão do projeto vitorioso nas eleições de outubro, o governo Dilma optou por uma guinada ortodoxa na economia. Para reverter o déficit primário de 2014, o Banco Central vem promovendo a constante elevação da taxa de juros, medida que trava e diminui o acesso ao  crédito. O esforço para reduzir a déficit primário acaba sendo neutralizado pela  elevação dos juros que aumenta substancialmente a dívida pública, processo que leva à  diminuição  dos investimentos e à redução  das políticas sociais. Em outras palavras,  faz-se um jogo de “ correr para ficar no mesmo lugar”, não fosse o agravamento das desigualdades sociais: os setores rentistas continuam sendo beneficiados com a transferência de renda, enquanto setores amplamente majoritários da sociedade pagam a conta com o aumento de tarifas e preços,  com o arrocho, com o desemprego e com a perda de direitos.

Este cenário  de agravamento da conjuntura torna fundamental a construção de uma ampla frente de forças políticas em defesa da democracia e contra a atual política econômica. Nessa linha, a CUT está elaborando um Programa Econômico Alternativo, construído com a participação dos Ramos cutistas e dos movimentos sociais.

A CUT reafirma ainda sua luta em defesa da Petrobras que vem sofrendo duros ataques da mídia e da oposição tucana, que apresentou projeto (senador José Serra) para acabar com o sistema de partilha do Pré-Sal e o retorno ao regime de concessão, com o claro objetivo de entregar à exploração às petroleiras multinacionais e acabar com a política de conteúdo nacional.

Levando em conta este quadro, a Direção Executiva  da CUT aprovou as seguintes deliberações:

1 – MOBILIZAÇÕES

Como tem sido reiterado nas últimas resoluções da direção da CUT, a  forma mais eficaz de combater as ameaças à democracia brasileira e a política econômica do governo é  a mobilização e  a luta da classe trabalhadora. O que está em jogo é o destino do país, a sociedade que queremos construir e o patrimônio político e cultural que queremos deixar para as gerações futuras.

É preciso levar esta reflexão e debate para o local de trabalho, para as assembleias dos sindicatos, para as plenárias dos  Ramos e para os congressos estaduais da CUT (CECUT).

É fundamental que a rede de formação da CUT aborde essas questões nas suas atividades e que essas atividades sejam reproduzidas em escala ampliada, atingindo as entidades de base.

É imprescindível que a política de comunicação da Central aborde estas questões de  forma sistemática e didática, para que trabalhadores e trabalhadoras sejam informados e mobilizados para as  ações de massa  contra a atual política econômica e em defesa da democracia.

É fundamental que as categorias em campanha salarial  no segundo semestre se mobilizem em defesa do emprego, dos salários, de melhores condições de trabalho e aproveitem essa mobilização para se manifestar contra a atual política econômica e em defesa da democracia.

Para dar sequência à esta luta, a Direção Executiva da CUT aprovou o seguinte calendário:

Mobilizações

28 de Julho – Manifestação em frente do Ministério da Fazenda contra a política econômica do governo. DF

11 e 12/agosto – Marcha das Margaridas – DF

13/agosto – Encontro Dilma – Movimentos Sociais/Sindicatos (a confirmar)

DN – 14 de agosto em Brasília

20/agosto – Manifestação – Movimentos Sociais e Movimento Sindical – São Paulo e outras capitais

1-2 set –  DN para debater a conjuntura

Setembro – Ato Internacional para  denunciar o golpe (data a ser definida)

04 de setembro – Encontro Movimentos Sociais pela Constituinte Exclusiva do Sistema Político, em Belo Horizonte

05 e 06 de Setembro – Conferência dos Movimentos Sociais – Belo Horizonte

Campanhas  salariais do segundo semestre

Núcleo em Defesa da Democracia (Uma trincheira de luta contra o golpe fascista)

No dia 13, após reunião com Dilma, Paulo Betti foi a trincheira conversar e apoiar o movimento

No dia 13, após reunião com Dilma, Paulo Betti foi a trincheira conversar e apoiar o movimento

Começou como um movimento espontâneo, no dia 13 de julho. Alguém empunhou uma bandeira e foi para a frente do Palácio do Planalto. E mais de 250 pessoas foram chegando .No dia 20/08, a segunda edição. E agora todas as segundas feiras nos reuniremos ali na frente do Palácio do Planalto, numa trincheira simbólica, em Defesa da Democracia.

No dia 13 foram mais de 250 pessoas, de forma espontânea, participar

No dia 13 foram mais de 250 pessoas, de forma espontânea, participar

Alguns poucos com bandeiras. Dos demais, muitos fizeram cartazes ali mesmo. E uma opinião unânime: A Democracia no Brasil esta ameaçada. Há um terrível sentimento de insegurança, incerteza e ódio gerado a partir da mídia com ataques diários contra qualquer ação do Governo e contra o PT, que começa a gerar uma insanidade coletiva similar a conseguida por Mussolini e Hitler a seu tempo. As pessoas não pensam e nem perguntam. Fuzilam com discursos pré prontos que não aceitam contraponto. A não aceitação do contraponto e do argumento do outro é o começo do absolutismo e do totalitarismo, quando só uma razão é valida. E se enterra tudo o que esta a volta. E todos acreditam mesmo estarem com a razão. E já não recorrem ao cérebro nem a memória, pois é mais fácil assimilar por verdade aquilo que nos é repetido diariamente como verdade. Se esquece a construção árdua de uma outra verdade, da Inclusão de milhões que não tinham nem o que comer e de outros milhões que acenderam a padrões de “classe média”. Pouco importa. A mídia repetiu milhares de vezes que tudo isto que aí esta, sempre foi. A não ser a corrupção, que por ser o suposto mal do mundo, agora é culpa do PT, como na Itália de Mussolini, quer culpava os comunistas e na Alemanha de Hitler, que culpava os judeus. E como nos tempos de Hitler e Mussolini, a mentira repetida milhares de vezes pelos meios de comunicação e compartilhada desmensuradamente pelas redes através de robôs fakes e idiotizados midiáticos, esta virando verdade no senso comum. Contra o fascismo que cresce, é que estas pessoas todas as segundas feiras em Frente ao Palácio do Planalto. E foi neste clima que surgiu o NÚCLEO EM DEFESA DA DEMOCRACIA  de Brasília. Eu tenho orgulho de fazer parte e de me manifestar todas as segundas ali, para mostrar que há resistência. Há muitos avanços conquistados nos últimos 12 anos. Não podemos permitir que a sanha golpista da mídia continue a hipnotizar o povo brasileiro. E para isto, além desta trincheira simbólica, o Núcleo em Defesa da Democracia já tem uma agenda semanal de reuniões e debates para orientar a militância na defesa do Projeto de Nação que começamos a erguer juntos a partir dos governos Lula. Aos que são de Brasília, convido-os todos a se juntarem a nós na próxima segunda feira e nas reuniões seguintes. O Núcleo é Supra Partidário. E para quem não é de Brasília, faça a mesma coisa na sua cidade. “Quem Sabe Faz a Hora, Não Espera Acontecer”.

No dia 20, na segunda edição do movimento, a juventude e a melhor idade juntos  em Defesa da Democracia

No dia 20, na segunda edição do movimento, a juventude e a melhor idade juntos em Defesa da Democracia

As fotos deste artigo são deste humilde blogueiro, que de fotógrafo não tem nada, mas que tem orgulho de ter participado da luta pelas liberdades democráticas no Brasil e mais orgulho ainda do projeto de nação que erguemos nos últimos anos. E estou junto com todos que querem preservar a democracia e a nação que construímos.

ATO II – Em Defesa da Democracia e Contra o Golpe-Praça do Três Poderes-Hoje, Dia 20, a partir das 18 horas

Democracia

“Eduardo Cunha é um bandido político”, diz Leonardo Boff

Em entrevista ao Sul21, no Everest Hotel, Leonardo Boff falou sobre a atual conjuntura política no Brasil e no mundo e advertiu para os riscos que fundamentalista de direita traz para a democracia e os direitos humanos. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Em entrevista ao Sul21, no Everest Hotel, Leonardo Boff falou sobre a atual conjuntura política no Brasil e no mundo e advertiu para os riscos que fundamentalismo de direita traz para a democracia e os direitos humanos.

Marco Weissheimer no SUL21

A ofensiva conservadora atualmente em curso no Brasil faz parte de um processo mundial de rearticulação da direita e representa um perigo real para a democracia e os direitos. No caso brasileiro, essa rearticulação conservadora também é uma reação das classes dominantes que não se conformam com a centralidade que a agenda social adquiriu nos últimos anos e com a ascensão social de cerca de 40 milhões de pessoas. Um dos principais expoentes dessa ofensiva, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é um bandido político que não respeita a Constituição e tem como objetivo, no final de seu mandato, propor a instauração do parlamentarismo e virar primeiro-ministro. A avaliação é do teólogo e escritor Leonardo Boff, que esteve em Porto Alegre neste sábado, para ministrar uma aula pública sobre direitos humanos.

Intitulada “Expressões sobre Direitos Humanos: Mais Amor, Mais Democracia”, a aula pública reuniu centenas de pessoas no Parque da Redenção, na tarde fria de sábado. Após a aula, Leonardo Boff conversou com o Sul21, no Hotel Everest, sobre a atual conjuntura política do país e defendeu que, diante da ofensiva conservadora no curso, é preciso travar, em primeiro lugar, uma batalha ideológica sobre que tipo de Brasil queremos: “um Brasil como um agregado subalterno de um projeto imperial, ou um Brasil que tem condições de ter um projeto nacional sustentável próprio. Temos um grande embate a travar em torno dessa ideia. Acho que esse será também o tema central das próximas eleições”, diz Boff. A seguir, um resumo dos principais momentos da conversa de Leonardo Boff com o Sul21:

Intitulada “Expressões sobre Direitos Humanos: Mais Amor, Mais Democracia”, a aula pública de Boff reuniu centenas de pessoas no Parque da Redenção, na tarde fria de sábado.  (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Ofensiva conservadora em nível mundial

“Vejo esse quadro com preocupação, pois é um quadro sistêmico. Ocorre também nos Estados Unidos, na Europa, em toda a América Latina. Acabo de vir de um congresso que contou com a presença de representantes das esquerdas de toda a América Latina e todos foram unânimes em dizer que essa etapa das democracias novas, de cunho popular e republicano, que surgiram depois das ditaduras, estão recebendo os impactos dessa ofensiva da direta, organizada e financiada também a partir do Pentágono. Essa direita está se organizando em nível mundial. Isso é perigoso. A história já mostrou que, depois que a direita se organiza, surgem fenômenos de caráter fascista e nazista, surgem regimes autoritários que buscam impor ordem e disciplina”.

“Eu não tenho muito medo no caso do Brasil. Acho que aqui nós conseguimos uma ampla base social de movimentos organizados e um núcleo de pensamento analítico político que resiste vigorosamente, mas enfrenta a resistência da grande mídia que, de forma sistemática sustenta teses conservadoras e reacionárias, em consonância com a estratégia traçada pelo Pentágono em nível mundial. O objetivo central dessa estratégia é: um mundo, um império. Todos têm que se alinhar aos ditames desse império, que não tolera a existência de alguma força capaz de enfrentá-lo. O grande medo dos Estados Unidos é com a China, que está cercada por três grandes porta-aviões, cada um deles com um poder de fogo equivalente ao utilizado em toda a Segunda Guerra Mundial, com ogivas nucleares e submarinos atômicos de apoio, entre outras coisas. Isso nos mete medo, pois pode levar a um enfrentamento, senão global, de guerras regionais, com grande potencial de devastação”.

“No que nos diz respeito mais direito mais diretamente o grande problema é que os Estados Unidos não toleram a existência de uma grande nação no Atlântico Sul, com soberania e um projeto autônomo de desenvolvimento, que às vezes pode ser conflitivo com os interesses de Washington. O Brasil está mantendo essa atitude soberana e isso causa preocupação a eles, pois a economia futura será baseada naqueles países que têm abundância de bens e serviços naturais, como água, sementes, produção de alimentos, energias renováveis. Neste contexto, o Brasil aparece como uma potência primordial, pois tem uma grande riqueza desses bens e serviços essenciais para toda a humanidade”.

"O que temos hoje no Congresso, na maioria dos casos, são deputados medíocres que representam interesses de grandes corporações nacionais e internacionais, que tem pouca ou nenhuma ligação com um projeto de nação." (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A agenda conservadora no Congresso Nacional

“De modo geral, a sociedade brasileira é conservadora, mas nos últimos anos, especialmente com a resistência à ditadura militar e com o retorno à democracia, se criou um sentido de democracia participaria e republicana, onde o social ganha centralidade e não simplesmente o Estado e o desenvolvimento material e econômico. Incluir aqueles que estiveram sempre excluídos passou a ser um tema central. Isso foi um elemento de progresso e avanço que assustou as classes privilegiadas que perceberam que esses 40 milhões de pessoas estão ocupando um espaço que era exclusivo deles e começam a ameaçar seus privilégios. Os representantes dessas classes não querem que o Estado se defina por políticas sociais, mas sim pelas políticas que, historicamente, sempre beneficiaram as classes dominantes.
Eles conseguiram uma articulação com grandes empresas, com grupos do agronegócio e outros setores para construir uma representação parlamentar. O que vemos hoje é que os sindicatos praticamente não estão representados, os indígenas e negros não estão, o pensamento de esquerda não está. O que temos, na maioria dos casos, são deputados medíocres que representam interesses de grandes corporações nacionais e internacionais, que tem pouca ou nenhuma ligação com um projeto de nação”.

“Diante desse quadro, nós precisamos, em primeiro lugar, travar uma batalha ideológica e debater que tipo de Brasil nós queremos, um Brasil como um agregado subalterno de um projeto imperial, ou um Brasil que tem condições de ter um projeto nacional sustentável próprio. Temos um grande embate a travar em torno dessa ideia. Acho que esse será também o tema central das próximas eleições. O povo não quer perder aquilo que conquistou de benefícios sociais nestes últimos doze anos e quer ampliá-los. Essas conquistas são de Estado, não são mais de governos. Esse embate será muito difícil, mas acho que há um equilíbrio de forças que vai permitir, pelo menos, governos de centro-esquerda, não totalmente de esquerda, pois creio que não há condições para isso hoje”.

Sobre Eduardo Cunha, presidente da Câmara

“Em primeiro ligar, acho que é um bandido político. Sempre foi conhecido assim no Rio. Um jornalista do Globo fala dele como “a coisa má”. É um homem extremamente sedutor, não respeita lei nenhuma, tem dezenas de processos de corrupção contra ele, mas consegue manipular de tal maneira os poderes que sempre consegue prolongar sua vida. É alguém que não tem nenhum respeito à Constituição e atropela normas do Congresso como bem entende. Creio que a pretensão dele, no final dessa legislatura, é propor o parlamentarismo para ele ser o primeiro ministro, já que não poderá ser presidente pela via eleitoral. É uma pessoa extremamente ambiciosa, manipuladora, inescrupulosa, sem qualquer sentido ético e um fundamentalista religioso conservador e de direita”.

O crescimento do fundamentalismo religioso

“Acho que essas bancadas evangélicas fundamentalistas que se espalham pelo país são formações em si legítimas, uma vez que são eleitas, mas ilegítimas na medida em que não se inscrevem dentro do quadro democrático. Querem impor a sua visão sobre a família, a ética individual e pública para toda a sociedade brasileira. O correto seria eles terem o direito de apresentar a própria opinião para ser debatida e confrontada com outras opiniões, respeitando as decisões coletivas. Mas eles querem impor a opinião deles como a única verdadeira e difamar e combater pelos púlpitos qualquer outra alternativa. Acho que devemos atacá-los pelo lado da Constituição e da democracia e enquadrá-los dentro da democracia, pois são pessoas autoritárias e destruidoras de qualquer tipo de consenso que nasce do diálogo”.

"A gente sabe que a Dilma é ética e não cometeu malfeitos, mas tomou medidas na direção contrária do que pregava. Houve uma quebra de confiança." (Foto: Guilherme Santos)

Sobre o governo Dilma

“Acho que a campanha da Dilma foi mal conduzida. Tudo aquilo que ela combatia, que seriam medidas neoliberais, a primeira coisa que fez, sem discutir com o povo brasileiro, com os sindicatos e sua base de apoio, foi aplicá-las diretamente. Neste sentido, ela decepcionou a todos nós que apoiamos a sua candidatura e o povo é suficientemente inteligente para perceber que houve um engodo. Por outro lado, cabe reconhecer que há uma crise que não é só brasileira, mas mundial, que afeta gravemente países como Grécia, Itália, Portugal e Espanha, com níveis de desemprego e de dissolução social muito mais graves do que os nossos”.

“Então, estamos diante de um problema sistêmico, não só brasileiro, mas aqui ele ganhou conotações muito específicas porque o PT tinha um projeto progressista de centro-esquerda, de apoio aos movimentos sociais, comprometido a não tocar em direitos dos trabalhadores e pensionistas. E o governo acabou tomando medidas que considero injustas, pois colocou a carga principal da crise sobre os ombros os trabalhadores e pensionistas, e não em cima dos grandes capitais, das grandes heranças e do sistema financeiro dos bancos. Estes setores foram poupadas e isso eu acho uma injustiça e uma indignidade”.

“Então, o povo, com justiça, fica desolado. A gente sabe que a Dilma é ética e não cometeu malfeitos, mas tomou medidas na direção contrária do que pregava. Então é uma contradição visível que não requer muita análise para mostrar. Ela dizia que nem que a vaca tussa iria mexer em direitos, e a primeira coisa que fez foi mexer no seguro desemprego e nas pensões. Houve uma quebra da confiança e, em política, o que conta de verdade é a confiança. Agora, se ela tiver algum sucesso e conseguir não penalizar o país demasiadamente em termos de desemprego e retrocesso no processo produtivo, ela poderá voltar a ganhar confiança, mas é uma conquista muito difícil.”

Veja mais imagens da aula pública, sábado, no Parque da Redenção:

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

APÓS ENCONTRO COM DILMA, PAULO BETTI MANDA MENSAGEM PARA A MILITÂNCIA (VÍDEO)

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Após o encontro com a presidenta Dilma ontem (13), Paulo Betti participou de Ato em Defesa da Democracia, em frente ao Palácio do Planalto.

Paulo Betti contou que Dilma está tranquila e segura.

“Ela está ciente de que os militantes estão aqui e disse estar muito feliz com o apoio.

Dilma sabe que todas as questões tem dois lados e nosso lado também é muito representativo.

Fico muito feliz de estar aqui com vocês e de representar esse lado que procura o bem do Brasil e que procura compreender as coisas na sua diversidade, disse “

E a partir deste ato, todas as segundas feiras, 18 horas, em frente ao Palácio do Planalto, em Defesa da Democracia e contra o Golpe. É o MOVIMENTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

NÃO VAMOS NOS DISPERSAR (Por Selvino Heck)

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Domingo passado gregos corajosamente disseram não ao poder imperial da troika européia

Chorei. Chile campeão pela primeira vez em 105 anos. (Não vi o jogo ao vivo. Estava no aniversário do companheiro e amigo Nadir Savoldi, de Rodeio Bonito, Rio Grande do Sul. Mas fiz questão de vê-lo inteiro no domingo.) Chorei pelo Estádio Nacional, o mesmo Estádio que serviu de campo de concentração para a ditadura de Pinochet, de setembro a novembro de 1973, com 318 assassinatos de militantes políticos e passagem por lá de 40 mil presos políticos. (A desocupação do Estádio aconteceu porque havia um jogo de repescagem para a Copa de 1974 entre Rússia e Chile. A Rússia negou-se a jogar no Estádio Nacional. Quatro jogadores chilenos trocaram nove passes e marcaram um gol. A Rússia foi desclassificada, e assim o Chile classificou-se para a Copa de 1974.) O mesmo estádio que hoje, em memória, tem um setor de arquibancadas de madeira em vez de plástico, com um letreiro: “Um povo sem memória é um país sem futuro.” Chorei quando vi a presidenta Michele Bachelet, cujo pai foi preso político e morreu na prisão, e ela mesma presa, torturada e exilada, La Bachelet vibrando com seu Chile campeão, Chi, chi, chi, le le, le, como cantam lindamente chilenas e chilenos. O mesmo Chile que, em 1988, em plebiscito, disse NO ao general Pinochet e assim, com o voto popular, acabou a ditadura.

Chorei de novo (sou um chorão, muitos sabem) e dei um soco no ar quando soube no final da tarde de domingo que o OXI, o NÃO fora vencedor no plebiscito grego. Uma vitória avassaladora, para não deixar qualquer dúvida. Não, 61,5% dos votos. Sim, 38, 5%.

Dias históricos. 4 de julho de 2015, Chile campeão no Estádio que hoje é o Estádio da Democracia, da festa e da vida, não da ditadura e da morte. A libertação, como alguém disse, do Estádio Nacional. 5 de julho de 2015, um povo corajoso enfrenta a Troika – FMI, Banco Central Europeu, Comissão Europeia – e, com soberania e coragem, diz não à austeridade que mata um povo, produz fome e desemprego, mas mantém lucros, privilégios e riqueza da banca e do mercado financeiro.  Aula de democracia, mais uma vez. Em praça pública, ao modo grego, para o mundo inteiro assistir.

Nas crises, por mais duras e difíceis que sejam, é preciso apontar para o futuro e ter coragem. Fazer as reformas estruturais necessárias, enfrentar os poderes, como fez o povo chileno, como agora faz o povo grego. Com mobilização popular, com unidade. Nas ruas. Disse o presidente grego, Alexis Tsipras: “Muitos podem ignorar a vontade do governo. A vontade do povo não.”

Há alternativas que podem tirar a Grécia do buraco, sem sacrificar mais os gregos e sua economia. Atenas pede uma anistia para quem ilegalmente depositou dinheiro na Suíça em troca de um imposto. O objetivo é taxar a 21% depósitos que podem chegar a 200 bilhões. Ou seja, os ricos, pelo menos uma vez na vida, podem/devem pagar impostos em favor do povo e contribuir para o conjunto da sociedade.

Crise é oportunidade. Antes do plebiscito grego, muitos analistas diziam que havia empate técnico, que o sim estava avançando, na verdade mais torcida que análise imparcial. Os gregos fizeram impressionante manifestação, antes, durante  e depois, proclamando que, acima de tudo, está a democracia, está o bem-estar da maioria, está a Nação.

Não vamos nos dispersar ante o poder econômico e político, disseram os gregos, disseram os chilenos abafados por muito tempo pela ditadura militar.Estão dizendo equatorianos, bolivianos e paraguaios na visita do papa Francisco. Os poderosos da terra nunca foram vitoriosos ‘ad aeternum’. Sempre houve, há e haverá uma semente jogada na terra, brotando lá onde ninguém espera. E que vai crescendo, apresentando-se, e finalmente dando frutos. A semente e os frutos da justiça, da solidariedade, do encanto, da esperança.

Quando hoje, em diferentes lugares e oportunidades, também no Brasil, levantam-se vozes soturnas antidemocráticas, são pregados e praticados o ódio e a intolerância, conquistas populares estão sob ameaça, é preciso paixão, cultivar o novo. É preciso coragem e visão de futuro.

Não vamos nos dispersar.

Selvino Heck

Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República

Em dez de julho de dois mil e quinze

Quando o fascismo cresce, silenciar é ser cúmplice (por Jorge Furtado)

Jorge FurtadoDo blog do Jorge Furtado.

Fiquei muitos meses sem escrever por aqui, por excesso de trabalho e por achar que o debate político estava tão alterado que a atitude mais sábia era o silêncio. Esperava que os derrotados das eleições fizessem o mesmo, deixassem passar os primeiros meses do novo governo para cobrar resultados. Meu volume de trabalho não diminuiu, na verdade cresceu, e os derrotados não esperaram nem um dia para subir ainda mais o volume e a grosseria das críticas, muitos pregam em voz alta, sem qualquer pudor, a volta da ditadura militar ou qualquer outro golpe que lhes devolva o poder que perderam nas urnas.

Volto a escrever sobre política porque o crescimento da direita, da intolerância, do fascismo, da ignorância e da homofobia, transforma os calados em cúmplices. A história ensina que os inimigos da democracia se utilizam da frustração e dos anseios legítimos da sociedade, das pessoas de boa fé, para chegar ao poder, e então passam a exercê-lo com tirania, perseguindo minorias, promovendo a intolerância e a violência. E aí é tarde demais para combatê-los pacificamente.

Não é possível ficar quieto quando o congresso é dominados pelo que há de pior na sociedade brasileira, bandidos e falsos pastores, achacadores em nome de Cristo, picaretas envolvidos em todo tipo de falactrua, legislando em causa própria, manobrando votações, chantageando empresários para garantir seu butim, promovendo cultos religiosos no plenário, fomentando a homofobia e a ignorância. O atual congresso brasileiro, comandado por Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ambos investigados por uma dúzia de crimes e toda sorte de imoralidades, é uma vergonha para o país.

Não é possível aceitar calado que o ministro Gilmar Mendes, uma única pessoa sem um único voto, por uma manobra rasteira, mantenha engavetado, por mais de um ano, um projeto de mudança da legislação eleitoral já aprovado pela maioria dos juízes, projeto este que, se não impede, dificulta em muito a roubalheira nas eleições e na política. A quase totalidade dos escândalos que entravam a vida nacional e sangram os cofres públicos está relacionada com a doação de empresas aos políticos, que retribuem o favor legislando contra o interesse da maioria da população e superfaturando obras, ambulâncias, remédios. Sem o fim da doação de empresas para políticos a roubalheira nas eleições será eternizada.

Não é possível silenciar quando a presidente Dilma, eleita legitimamente pela maioria da população brasileira para manter e aprofundar os avanços dos governos populares, concede a tal ponto em nome de uma suposta governabilidade que entrega a economia aos banqueiros, a agricultura aos latifundiários do agronegócio e a política aos sanguessugas do PMDB, um partido que é eternamente governo porque sua única convicção é ser eternamente governo. Se eu imaginasse que e Katia Abreu, Levy e Eliseu Padilha poderiam ser ministros de Dilma teria votado em Luciana Genro.

Infelizmente, quem deveria fiscalizar o governo, o legislativo e o judiciário é a imprensa, que tornou-se irrelevante quando abriu mão de fazer jornalismo para fazer oposição partidária. A imprensa brasileira, que sempre foi ferozmente governista, descobriu sua vocação oposicionista quando a Casa Grande perdeu um pouco o seu poder. É constrangedor ver jornalistas ou similares pensando exatamente como seus patrões mandam. Talvez pela profunda crise que o setor atravessa, com jornais e audiências minguando, velhos jornalistas e jovens sedentos de poder e fama se agarrem aos seus empregos com unhas e dentes, repetindo bobagens até a náusea. A verdade não agrada o patrão? Esqueça! O bandido disse que também deu dinheiro aos tucanos? Ignore! O patrão esconde dinheiro na Suíça e sonega fiscais para não pagar impostos? Não é comigo! O mensalão foi criado para eleger o presidente do PSDB? Concentre-se no plágio petista! A acusação contra um petista não faz sentido? O que importa? A antiga imprensa, que já estava seriamente ameaçada por conta da revolução digital, acelerou seu caminho para o fim abrindo mão do princípio básico do jornalismo: a defesa da verdade factual. Quando a história da antiga imprensa brasileira for contada descobriremos que ela não morreu, suicidou-se.

Você pode achar esta conversa de política uma chatice, e é mesmo. O problema é que os que não gostam de política são governados por aqueles que gostam. Ontem, pela segunda vez, imbecis agrediram o ex-ministro Mantega num restaurante. Outro dia foi num avião, um jornalista – sozinho – que lia uma revista, foi atacado por um punhado de trogloditas. Jô Soares foi ameaçado de morte por entrevistar a presidente da república, eleita democraticamente. Os sinais de intolerância crescem, tornam-se mais frequentes e mais violentos, é de se esperar que a ignorância dos mal informados covardes que andam em bando logo produza vítimas. Silenciar é ser cúmplice deste fascismo crescente.

Votei no Lula e na Dilma na esperança de promover a inserção social, a melhor distribuição de renda, para garantir a geração de empregos, o acesso dos filhos dos trabalhadores às universidades, na esperança de melhorar a vida dos mais pobres, para ver a corrupção ser investigada e punida. Tudo isso aconteceu, menos do que eu esperava, porém mais do que nunca. 40 milhões de pessoas passaram a ter uma vida mais digna, a fome foi praticamente erradicada, os níveis de emprego se mantém altos, milhares de jovens passaram a ter acesso ao ensino superior, a mortalidade infantil no Brasil caiu pela metade.

O combate à corrupção também avançou muito. Uma lei promulgada por Dilma permite que hoje os corruptores também sejam punidos. A Polícia Federal investiga, o Procurador Geral da República não engaveta as denúncias e vemos, pela primeira vez, empresários, políticos e banqueiros graúdos serem investigados e presos. É bom lembrar (já que ninguém lembra) que Renan Calheiros, que hoje é investigado pela Polícia Federal, no governo de Fernando Henrique era o Ministro da Justiça e, portanto, chefe da Polícia Federal! E foi neste momento (segundo o Ministério Público e segundo vários bandidos delatores), no final do primeiro mandado de FHC, que a quadrilha de Youssef começou a roubar a Petrobrás. Mas também é fato que a continuidade no poder atraiu toda espécie de picaretas que, somados aos picaretas já existentes no PT, sugam os recursos públicos que faltam para os hospitais, para a escolas, para a segurança pública. E os avanços do governo popular começam a ser comprometidos.

Felizmente – talvez pela cretinice evidente dos seus apoiadores na mídia – a direita brasileira tem perdido eleições com agradável regularidade, foram quatro, em dois turnos, nos últimos 13 anos. Oito vezes o povo brasileiro foi às urnas dizer não à intolerância, ao egoísmo e a hipocrisia. Espero que eles percam outra vez em 2018, mas se até lá o PT não se livrar desta direita truculenta, homofóbica, picareta e ignorante, pode até ganhar as eleições, mas não terá mais o meu voto.

Afinal, até quando vamos aceitar calados as agressões dos derrotados nas urnas, uma elite iletrada, egoísta, ignorante e preconceituosa, que ficou 500 no poder e transformou o Brasil no país mais desigual do planeta?


Luiz Müller

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