Ibope derrotado na Justiça. Globo treme!

O Ibope cumprirá sentença que obriga o instituto a revelar os dados confidenciais de sua metodologia de aferição de audiência.
Altamiro Borges na Carta Maior
doTiode

Na semana passada, a Rede Globo sofreu mais um baque. Após 14 anos de disputa judicial, o SBT conseguiu finalmente vencer a ação movida contra o Ibope. A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça recusou recurso do instituto de pesquisa e manteve, em decisão final, a sentença de 2003 que o obriga a revelar os dados confidenciais de sua metodologia de aferição de audiência – a sinistra “caixa-preta” que sempre foi acusada de beneficiar a TV Globo. “O processo acaba de ser declarado ‘transitado em julgado’, ou seja, não cabem mais recursos. O SBT aguarda apenas o cumprimento da sentença”, informa o jornalista Paulo Pacheco, do site especializado “Notícias da TV”.

A briga entre a emissora de Sílvio Santos e o Ibope – também apelidado de Globope – foi deflagrada em 2001. Na ocasião, o SBT questionou a medição de audiência do instituto e foi punido pelo Ibope com a suspensão de 24 horas do serviço, alegando violação das regras de sigilo. Sentindo-se lesada, a emissora processou o Ibope e exigiu o acesso aos dados confidenciais da medição. Em 2003, o SBT obteve a primeira vitória. O instituto foi condenado pela Justiça paulista a pagar R$ 30 mil por dia para a emissora caso não mostrasse a “forma, a metodologia e os elementos utilizados em todos os mecanismos para pesquisa de audiência e apuração de resultados”. O Ibope ainda recorreu a outras instâncias, mas agora foi finalmente derrotado, em definitivo, pelo STJ. Não cabem mais recursos!

Como relembra Paulo Pacheco, “enquanto brigava com o Ibope na Justiça, o SBT chegou a oferecer dinheiro a quem revelasse possuir um peoplemeter, aparelho que mede a audiência em tempo real. Em São Paulo, há cerca de 930 aparelhos instalados em sigilo em domicílios escolhidos pelo Ibope. No Brasil, são cerca de 6.000. Com a sentença, o SBT espera agora ter acesso à localização dos peoplemeters para verificar se a amostra do Ibope realmente representa as classes sociais e sua distribuição geográfica”. A medição da audiência – esta verdadeira “caixa-preta” – é decisiva para a obtenção de bilionários recursos em publicidade privada e pública. Aberta, ela poderá confirmar a manipulação dos dados e representar um duro baque para a Rede Globo. A conferir!

BALANÇO, CRÉDITO E AÇÃO EM ALTA: EIS A NOVA PETROBRAS

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Lembra daquela empresa que seria rebaixada, corria o risco de não publicar o balanço, teria o vencimento das dívidas antecipado e ficaria totalmente alijada do mercado internacional? Aparentemente, ela não existe mais; nesta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o balanço auditado da Petrobras será publicado em abril, a empresa fechou um contrato de financiamento de US$ 3,5 bilhões com o banco de financiamento da China e as ações subiram 5%; comandada por Aldemir Bendine, estatal tem também boas notícias operacionais, como o recorde de 737 mil barris/dia no pré-sal; aos poucos, o terrorismo dos que apostavam na quebra da Petrobras vai sendo vencido

Do Brasil 247Se você acreditou no terrorismo dos que apostavam no fim da Petrobras, é melhor fazer como naquele comercial: senta e chora, senta e chora, senta e chora.

Nesta quarta-feira, surgiram diversos sinais de que a empresa pode ter, enfim, entrado numa nova maré positiva.

O primeiro sinal, e mais importante, foi a declaração da presidente Dilma Rousseff à agência de notícias Bloomberg de que o balanço auditado da empresa será publicado em abril deste ano.

Até recentemente, havia quem acreditasse que uma empresa do porte da Petrobras poderia não conseguir publicar seu balanço, tendo seu vencimento de dívidas antecipado, o que a alijaria definitivamente do mercado de capitais.

Era um cenário de terror que, evidentemente, não irá se materializar.

Além disso, antes mesmo do balanço, a Petrobras anunciou nesta quarta-feira um acordo de financiamento de US$ 3,5 bilhões com o Banco de Desenvolvimento da China – e outros empréstimos semelhantes estão engatilhados.

Isso significa que, ao contrário do que muitos dizem, o mercado de captações continua aberto à Petrobras.

Se isso não bastasse, os indicadores positivos vêm se somando. Recentemente, a empresa anunciou um novo recorde de produção de 737 mil barris/dia no pré-sal.

Resultado: no pregão desta quarta-feira, as ações ordinárias subiram 4,93%. A alta em uma semana já é de quase 20%.

Isso revela que o ponto principal da estratégia de Aldemir Bendine, novo presidente da estatal, que é reconciliar a empresa com seus investidores começa a dar certo.

Leia, abaixo, reportagem do portal Infomoney sobre o pregão de hoje.

Ibovespa tem maior fechamento do ano puxado por Petrobras

Por Ricardo Bomfim   

SÃO PAULO – O Ibovespa fecha em alta nesta quarta-feira (1) impulsionado pela vitória do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no Congresso e das indicações da presidente Dilma Rousseff (PT) em entrevista para a Bloomberg, na qual reafirmou a importância do ajuste fiscal e mostrou discurso alinhado com o de Levy.

O benchmark fechou em alta de 2,29%, a 52.321 pontos, o maior nível de fechamento deste ano de 2015. A última vez que o índice fechou acima dos 52 mil pontos foi em 3 de dezembro do ano passado, quando bateu 52.320. Enquanto isso, o dólar comercial caiu 0,57%, a R$ 3,1725 na venda. Já no mercado de juros futuros, os contratos para janeiro de 2017 caíam 0,15 ponto percentual, a 13,24%, enquanto os contratos para janeiro 2021 caíam 0,19 ponto percentual, a 12,78%.

Segundo análise da Coinvalores, os números fiscais de ontem, apesar de ruins mostram uma transparência, algo que muitos críticos apontavam que faltava no governo nos últimos anos, quando ficou famosa a famigerada “contabilidade criativa”. Com isso, aumenta a confiança no ajuste fiscal, trazendo a expectativa de que a política monetária pode ser menos restritiva, o que reduz a curva dos juros.

Para o analista técnico da Spinelli, Gabriel Mollo, é possível ficar otimista com o Ibovespa, já que ele estaria operando dentro de um canal de alta depois de passar por uma acumulação em 47.320 pontos. “Acho que ele pode romper e buscar os 53.300″, afirma. Agora se ele voltar a ficar abaixo dos 52 mil pontos, ele pode voltar a um suporte de 49.900 dentro da LTA traçada pelo analista.

Entre os indicadores macroeconômicos, o ritmo de contração da indústria brasileira acelerou com força em março e a produção do setor caiu no ritmo mais rápido desde setembro de 2011 devido à forte queda na entrada de novos pedidos, apontou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta quarta-feira.  O PMI compilado pelo Markit caiu a 46,2 em março ante 49,6 em fevereiro, com piora das condições em todos os três subsetores monitorados e indo ainda mais abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.

Pesquisa importa? Para o analista técnico da Guide Investimentos, Lauro Vilares, o queda da aprovação de Dilma de 40% para 12% não mexe muito no mercado, porque não estamos mais em época de eleições. “Impacta mais o Levy sendo o grande articulador político do governo, fazendo realmente o meio campo entre governo e Congresso”, diz.

As declarações da presidente em uma entrevista para a Bloomberg também trouxeram pressão compradora, ao mostrarem que seu discurso está alinhado ao de Levy. “Eu farei tudo para atingir 1,2% [do PIB],” disse Dilma em entrevista à Bloomberg no Palácio do Planalto em Brasília. “Vamos ter de racionalizar gastos e defasar outros. Vamos criar vários mecanismos. Diria que essa é a parte em que o governo entra e o nosso pedaço vai ser grande”.

Ações em destaque As ações da Vale (VALE3; VALE5) caíram depois que a empresa teve sua recomendação rebaixada de manutenção para underperform (desempenho abaixo da média) pelo Santander, com preço-alvo passando de US$ 8 para US$ 4,50 por ADR (American Depositary Receipts). Segundo os analistas, o desempenho operacional da Vale continuará sofrendo no curto prazo em meio à queda de preços do minério de ferro. A commodity registra queda hoje, sendo cotada a US$ 49,53 a tonelada. O banco espera fluxo de caixa negativo de US$ 10 bilhões após dividendos no período de 2015-2016.

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) subiram com muita força após a presidente Dilma Rousseff declarar, em entrevista à Bloomberg, que a estatal vai divulgar balanço auditado de 2014 até final de abril. Outras notícias positivas para a empresa, na avaliação do analista da Spinelli, Elad Revi, são as vendas de ativos que a estatal vem realizando e a proximidade da próxima reunião da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que pode trazer sinalizações positivas para os preços do combustível como uma possível redução na produção.

Para Lauro Vilares, no entanto, é preciso ter cautela com os papéis da estatal, já que ela bateu duas vezes no maior patamar do ano, em R$ 10,25 e depois caiu até encontrar suporte. Se ela avançar até os R$ 10,35 nos próximos dias, contudo, daria para pensar num objetivo de R$ 10,95, que é a próxima resistência, apesar de fraca. “Ela só vai encontrar uma resistência forte mesmo aos R$ 15″, explica.

Já a CSN  (CSNA3) subiu depois de informar na noite de ontem que seu Conselho de Administração aprovou a abertura de um novo programa de recompra de até 32.770.055 ações para permanência em tesouraria e posterior alienação ou cancelamento. De acordo com a CSN, o objetivo da recompra é para maximizar a geração de valor para o acionista por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital. O prazo para a realização da recompra é entre os dias 1º de abril e 30 de junho de 2015.

Abaixo, reportagem da Reuters sobre o acordo de financiamento com o banco chinês:

Petrobras financia US$3,5 bi com banco chinês; novos acordos em vista

SÃO PAULO (Reuters) – A Petrobras informou nesta quarta-feira que assinou com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB) contrato de financiamento de 3,5 bilhões de dólares, recursos que devem trazer algum alívio para empresa, que agora tem mais dificuldades de captar recursos por conta da crise decorrente do escândalo de corrupção.

O contrato, assinado entre o CDB e a subsidiária da estatal Petrobras Global Trading BV, é o primeiro financiamento de um acordo de cooperação a ser implementado ao longo de 2015 e 2016, ressaltou a Petrobras em comunicado.

“Adicionalmente, as duas partes confirmaram a intenção de desenvolver novas cooperações no futuro próximo”, disse a Petrobras.

Com limites para realizar captações no mercado de dívida, em meio a denúncias de corrupção que envolvem a empresa, a Petrobras disse anteriormente que estudava “outras possibilidades de financiamento e incremento de fluxo de caixa”, até para fazer frente aos pesados investimentos projetados.

Vivendo uma crise de credibilidade por conta das denúncias reveladas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, a Petrobras tem dito publicamente que não pretende captar recursos no mercado de dívida em 2015.

O contrato foi assinado na China, durante visita do diretor financeiro e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, Ivan Monteiro.

Segundo a Petrobras, o contrato é um importante marco para dar continuidade à parceria estratégica com a China, para quem a estatal exporta petróleo, “fortalecendo as sinergias entre as economias dos dois países”.

(Por Roberto Samora, edição de Priscila Jordão)

Beto Richa, o desajustado fiscal, aumenta impostos no Paraná em até 50%

Fernando Brito no Tijolaço

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Será que os defensores da redução da carga tributária vão chiar? Será que o pessoal do “Custo Brasil” vai lançar o “Custo Paraná”?

Pois a partir de hoje, o imposto pago por todo mundo, na mesma alíquota para qualquer um – pobre ou rico – no Paraná ficou 50% maior.

icmsO ICMS de 95 mil (!!!!) produtos passou de 12% para 18%, uma vez e meia maior.

Aí ao lado tem uma listinha para você conferir.

E são só alguns exemplos.

De fora ficou só a cesta básica, porque essa bem que o governador tucano Beto Richa tentou taxar mais pesadamente, mas não deu.

Segundo o portalParaná Online, que divulga a lista, “o tarifaço proposto pelo governador Beto Richa (PSDB) foi aprovado pelos deputados no dia 9 de dezembro, em uma sessão tumultuada, que durou cerca de dez horas e só terminou às 23h40. Foi o último projeto aprovado no regime do comissão geral, o chamado “tratoraço”, que foi retirado do regimento da Assembleia este ano, após as manifestações durante a greve dos professores estaduais.”

Não se tem notícia de protesto de empresários contra este “impostaço” tucano.

Levy, seu ajuste fiscal é pinto perto do feito pelo tucano.

PS. Um leitor do Paraná, pequeno comerciante de materiais de construção esclarece que o post está errado. Não são 50%, mas muito mais. Feia: “Tenho uma microempresa no Paraná, sou comerciante do ramo de materiais hidráulicos. Portanto posso falar com propriedade. Infelizmente, sua informação está errada, caro Fernando Brito, o ICMS para grande parte dos produtos tiveram um aumento bem superior a 50%. Explico: Temos aqui a famigerada SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA implantada pelo Beto Richa no 1º ano de seu mandato, que é a cobrança do ICMS antes da venda do produto, esta ST teve um incremento de 250% em alguns casos, pois além do aumento do ICMS de 12 para 18%, tivemos também um aumento da alíquota da ST pois a tabela do MVA, índice usado para calcular a ST teve aumento. Um pequeno exemplo: Plásticos para construção como tubos conexões, acessórios como assentos sanitários, sifões, etc. até ontem eram taxados em 3,96% sobre o valor de custo, hoje são taxados em 13,64%, ou seja um aumento de impostos de 244,44%. Chuveiros, metais, materiais de cobre e suas ligas, etc, praticamente tudo que eu comercializoteve  aumento da alíquota do MVA, além dos 50% de ICMS.

O sucesso técnico da Petrobras, a força do pré-sal e o despeito dos entreguistas

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Não sei se foi buscar lã e saiu tosquiada, mas o fato é que a Folha, hoje, acaba sendo forçada – claro que com uma série de senões – a reconhecer o extraordinário sucesso da Petrobras na exploração do óleo do pré-sal brasileiro.

O moto é o de que a Petrobras estaria “economizando” em investimento pelo fato de os poços do pré-sal serem mais produtivos que o esperado.

O que se previa produzindo 15 mil barris por dia por poço, em média, produz, hoje, 25 mil barris por poço a cada 24 horas.

Isso é uma monstruosidade: no Mar do Norte, a média é 15 mil barris de petróleo por poço/dia e, no Golfo do México, são 10 mil barris de petróleo por poço/dia.

No campo de Lula um poço produz tanto quanto um do Mar do Norte e outro do Golfo do México, somados.

É meia-verdade, no curto prazo, a economia.

É óbvio que um poço que produz quase o dobro é mais lucrativo. Mas também exige mais equipamentos processar e armazenar, para transporte, esta quantidade maior de óleo.

Um navio-plataforma com capacidade de processar 120 mil barris diários abrangeria oito ou nove poços produtores e mais outros tantos, ou quase tantos, para injetar água e produzir a pressão que fizesse jorrar o petróleo nos poços produtores.

Isso aconteceu, por exemplo, com o navio-plataforma  Cidade de Angra dos Reis, no campo de Lula. Era previsto que ela atingisse sua capacidade, de 100 mil barris por dia, por meio de seis poços. Mas foram necessários apenas quatro, cada um produzindo cerca de 24 mil barris por dia, para chegar à marca.

Com um produção por poço quase dobrada, passam a ser necessários outros navios-plataforma e isso entra no terreno das variações possíveis na exploração, sobretudo quando se trata de jazidas de grande extensão e acumulação. Porque o petróleo não fica numa “piscina” subterrânea de perfeita comunicação entre um trecho e outro, mas impregnado em rocha porosa e um poço não pode “chupar” o óleo contido em  formações mais distantes: é necessário, mesmo, uma “teia” de “espetadas” para aproveitamento integral da parte recuperável daquela reserva.

É por isso que a Petrobras está enfiada em exigências imensas de investimento e não por “imprudência” gerencial.

O que está colocado diante da Petrobras não é investir modestamente: é investir pesado ou entregar o petróleo.

É simples assim: quem defende uma redução dos investimentos da Petrobras além de um certo ponto, o da viabilidade econômica de manterem-se reservas identificadas sem explorá-las, defende a entrega destas jazias às petroleiras internacionais.

Vêm daí as pressões pelo estrangulamento financeiro da Petrobras, mas que não será fácil.

Como fez hoje a China, há no mundo sempre alguém para negociar créditos a uma empresa que está sentada sobre as maiores jazidas de petróleo recentemente descobertas, para que ela não tenha, simplesmente, de permanecer sentada e inerte.

É por isso que, como você vê na matéria da Folha, a industria petroleira quer, tão boazinha, “aliviar” a Petrobras de ter de fazer investimentos tão pesados.

São bonzinhos, muito bonzinhos…

Mídia esconde delação de Demóstenes contra líderes da oposição

Por  no Cafezinho 

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Demóstenes Torres, ex-senador, atacou, em artigo, as maiores lideranças do DEM e da oposição.

A mídia, que surpresa!, escondeu.

(Detalhe: Agripino Maia foi há pouco indiciado pelo PGR por acusação de ter recebido propina de mais de R$ 1 milhão).

Na capa dos jornais, apenas o eterno Alberto Youssef, denunciando o tesoureiro do PT.

Quando o mesmo Youssef denunciou Aécio Neves, dizendo que o tucano recebia mesada de 120 mil dólares de um esquema entre Furnas e a Bauruense, nada de capa, nada de destaque.

A delação de Youssef é a única que conta, e mesmo assim, apenas aquelas delações que mordem o PT?

Agora, fica a pergunta. Os senadores do PT não irão à tribuna pedir explicações de Agripino Maia e Ronaldo Caiado, dois “paladinos da ética” que a mídia vive botando em rede nacional para dar lição de moral sobre os escândalos de corrupção?

O que disse Demóstenes sobre Agripino Maia: “Caiado não ousou me defender, me traiu, mas, em relação a Agripino Maia, figura pouquíssimo republicana, disse que ele merece o benefício da dúvida. Poucos sabem, mas o político potiguar e seus companheiros de chapa em 2010 foram beneficiados pelo “esquema goiano”, com intermediação de Ronaldo Caiado.”

Sobre Caiado: “Você rouba, mente e trai.”

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Íntegra do artigo, publicado num jornal de Goiás, o Diário da Manhã.

Ronaldo Caiado: uma voz à procura de um cérebro

Fiz uma opção íntima, à partir das turbulências que enfrentei , de permanecer em silêncio até que a justiça desse o veredito final e me aclamasse inocente, como de fato sou. Já obtive duas liminares no STF e uma no STJ, suspendendo os processos contra mim, porque, na verdade, fui vítima de um grande complô, que , ao final, será desnudado. Jamais desejei vir a público expor meu enredo antes que houvesse uma decisão definitiva sobre a licitude da prova contra mim forjada e mesmo sobre o conteúdo desta ,ou seja, não me recuso a enfrentar o mérito das escutas, ainda que elas sejam ilegais.

Sofri toda espécie de acusação, pilhagem intelectual e moral, deserções e contrafações, a tudo resisti porque as esvaziarei.

Mais que as decisões de instâncias superiores, há várias verdades iniludíveis. Jamais fui acusado de desviar qualquer centavo público: ninguém diz que roubei valores de estradas, pontes, hospitais, escolas… Nada.

Uma perícia realizada pelo próprio Ministério Público, e jamais oficialmente divulgada, assevera que eu poderia ter um patrimônio 11 por cento maior do que possuo; prova de que não há enriquecimento ilícito, que o apartamento que financiei junto ao Banco do Brasil teve todas as parcelas pagas em débito de conta corrente, cujo único abastecimento é o salário que percebo e com mais 27 anos de prestações restantes. A insinuação de que tinha conta corrente no exterior sucumbiu, nada sequer passou perto de ser comprovado e nas garras da imprensa continuo, vez por outra, sendo arranhado. Aliás, todos os membros do Ministério Público que me molestam têm um padrão de vida superior ao meu e muitos com gostos idênticos. Não os acuso de nada, mas por que então o que eles possuem é legal e o que eu tenho não?

A acusação que pesava contra mim era ser amigo de Carlos Cachoeira. Era não, sou. Não vivo como Lula e José Dirceu, nem como um monte de hipócritas. Não devo e não temo.

Clamei da tribuna, que me investigassem, que me dessem o direito de defesa e do contraditório, tudo em vão. Em um processo sumário fui execrado e humilhado, o que não acontece com os parlamentares envolvidos na operação lavajato , que contribuíram para o desvio de bilhões de dólares dos cofres da Petrobras. O PT e os governistas me enxovalharam no intuito de melar o julgamento do mensalão. O PSDB resolveu salvar Marconi Perillo, que gastou uma fortuna dos cofres públicos para custear sua absolvição. Os “éticos” do Senado viram uma oportunidade para se livrarem de quem os retirava do noticiário cotidiano nacional. O Judas Ronaldo Caiado reinventou a tese de que não existem traições de pessoas e sim de princípios e que para isso estava autorizado a qualquer coisa com algum alcance moral, inclusive trair, à semelhança de Hitler, Mussolini, Stalin e tantos outros degenerados. Viu aí uma oportunidade para soerguer-se politicamente. Bastava afundar-me no buraco e, prazenteiramente, o fez.

Hoje, lamentavelmente, saio do ostracismo a que me tinha recolhido para enfrentar declarações dadas ao “painel” da revista Veja, em que o senador por Goiás, Ronaldo Caiado, afirma que sou uma grande decepção em sua vida e um traidor.

Confesso que surpreendi-me. Ronaldo fez uma campanha em que aproveitou meu número, 251, e o meu slogan “defender Goiás”. Jamais fez qualquer pronunciamento sobre mim, mesmo na presença de correligionários seus que às vezes me atacavam entendendo que isso granjearia votos junto à claque.

Nesse período, mandou vários recados na tentativa de “tranquilizar-me”, sem obter resposta e num dia, quando não era ainda candidato, encontrou-me num estabelecimento comercial chamado “Jerivá”, quando eu saía do banheiro, e tentou conversar comigo, bem risonho, o que mereceu uma esquiva de minha parte.

Ronaldo é um mitômano e tem um comportamento dúbio, às vezes tíbio, às vezes dissimulado. Na tribuna oscila. É sintomático o caso Garotinho. Ronaldo o acusa de formação de quadrilha, é o que está unicamente nas redes sociais; Garotinho o acusa de ser traíra por ter me abandonado; Caiado volta à tribuna e pede arreglo à Garotinho. Os dois últimos vídeos desapareceram das redes sociais.

Mas, enfim, Caiado se passava como uma espécie de irmão mais velho pra mim, falava da afinidade de nossas teses, que era um conservador não beligerante, pra isso não poupando sequer seus antepassados, e que desejava um futuro liberal para o Brasil.

Ronaldo, fazia sim, parte da rede de amigos de Carlos Cachoeira, era , inclusive, médico de seu filho. Mas não era só de amizade que se nutria Ronaldo Caiado, peguem as contas de seus gastos gráficos, aéreos e de pessoal, notadamente nas campanhas de 2002, 2006 e 2010, que qualquer um verá as impressões digitais do anjo caído. Siga o dinheiro.

Caiado não ousou me defender, me traiu, mas, em relação a Agripino Maia, figura pouquíssimo republicana, disse que ele merece o benefício da dúvida. Poucos sabem, mas o político potiguar e seus companheiros de chapa em 2010 foram beneficiados pelo “esquema goiano”, com intermediação de Ronaldo Caiado.

Ronaldo Caiado é chefe de um dos mais nocivos vagabundos de Goiás, o delegado de polícia civil aposentado, Eurípedes Barsanulfo, que era o melhor amigo de Deuselino Valadares, o delegado de polícia federal que fez um “relato”, segundo “Carta Capital”, onde me acusava de ser beneficiário do jogo do bicho. Esse relato jamais apareceu oficialmente, mas serviu para que o PSOL dele se utilizasse para representar-me perante o conselho de ética do Senado. No final do ano passado, o jornal Diário da Manhã de Goiânia , publicou uma matéria assinada em que acusa o dito delegado de ter forjado o documento a mando de um seu chefe político. Quem era ele? Ronaldo Caiado, todos sabem. Aliás, Eurípedes Barsanulfo, este sim, era prócer das máquinas caça-níqueis em Goiás. Ronaldo uma vez, inclusive, me pediu para interferir junto a Carlos Cachoeira para ampliar a atividade de Eurípedes no jogo ilícito. Simplesmente, disse a ele, como era verdade, que desconhecia a prática de ilicitudes por parte de Cachoeira.

Ronaldo Caiado é um oportunista. Muitos que vivem fora de Goiás devem imaginar que ele é um coerente, uma figura emergida dos anseios das ruas, um puritano. Qual o quê! Na atividade política é um profissional de lupanar. Dois fatos podem elucidar seu caráter de Fouché. No primeiro, em 2006, Caiado me incentivou a ser candidato a governador. Quando minha candidatura fez água, ainda em agosto, ele pode ser visto acompanhando tanto o candidato Maguito ,quanto o outro, Alcides. No pior declínio moral, chegou a ser filmado no palanque da candidata Vanusa Valadares, mulher do hoje prefeito Eronildo Valadares em Porangatu. Portanto, quadrúpede que é, tinha suas patas, simultaneamente, em 3 canoas.

Ano passado sua degradação se expandiu. Ronaldo Caiado ,no afã de ser candidato a Senador ao lado de Marconi Perillo, foi atrás de Aécio Neves e Agripino Maia(este dependente financeiro de Perillo) para que eles compusessem a chapa com coerência nacional, apesar de todo histórico de desavenças com o carcamano. Um pouco mais vexatório, mandou a própria esposa num evento na cidade de Americano do Brasil, onde a apedeuta, além de usar a palavra, pregou o voto em Perillo, alegando que ele era um grande estadista e que esperava sua reeleição para o bem de Goiás. Relembre-se: quem teve negócios com Cachoeira foi Perillo, eu não.

Resumo da ópera: o tenor recusou os apelos da mezzosoprano e mandou o barítono procurar rumo. Ronaldo acabou nos braços de Iris Rezende a quem tinha acusado ,toda a vida, de ser um corrupto diante do qual os demais se afigurariam “trombadinhas”.

Nessa sua linha vesga de assinalar uma coisa e fazer outra, Ronaldo Caiado deseja a extinção do DEM a fim de se filiar ao PMDB de Íris Rezende por um motivo muito simples: ambiciona estar em uma agremiação que lhe dê estrutura para disputar o governo de Goiás. Na fusão do DEM com o PTB irá para o PMDB, possibilidade constitucionalmente aceita de adesão partidária. Irá, oficialmente, se opor. Parecerá até o fim um coerente, um habanero puro. Seguirá as ordens de seu chefe político ACM Neto, que financiou sua última campanha em Goiás e que lhe assegurou, caso perdesse a eleição, o confortável posto de secretário de saúde em Salvador, em cuja região Caiado costuma passar suas férias às expensas da empresa OAS.

Quem pensa que Ronaldo Caiado é espontâneo se engana. Tudo é meticulosamente calculado. Por que ele não veio para as ruas de Goiânia na passeata e preferiu São Paulo? Porque em Goiânia seria vaiado. E por que São Paulo? Porque era mais fácil de mentir. O desafio a mostrar uma filmagem dele no meio dos manifestantes na avenida Paulista em São Paulo. Só aparecem coisas periféricas. Tirou uma fotografia com uma camiseta fascista – não porque Lula não mereça vaias, as merece mais que os demais- e deu motivos para uma gritaria justa em favor de um injusto. Como é do seu caráter, estava simulando caminhar na passeata. Nesse aspecto , se assemelha ao Deputado Federal goiano Giuseppe Vecci que participou da passeata em Goiânia por ser um ilustre desconhecido, apesar de eleito. Ironia: Vecci desfilou porque é uma nulidade da sombra, Caiado se absteve por ser uma do sol. Parece que o tesoureiro-mor,Jaime Rincon, chefe da agência goiana de obras públicas, também fez evoluções pela passarela.

Ronaldo Caiado foi um dos relatores da reforma política na Câmara dos Deputados, sempre alegou que sua motivação era a coerência política, que a prática demonstrou não ser o seu forte. Ele diz que gostaria de ter um embate com Lula na eleição pra presidente da república. Eu acho que seria ótimo, os dois se equivalem moralmente. Um já foi desmascarado , o outro poderá sê-lo amanhã.

Um dia, no meu escritório político no setor sul, em Goiânia, houve um telefonema entre Ronaldo Caiado e o hoje conselheiro do Tribunal de contas dos municípios de Goiás, Tião Caroço. Este trazia uma notícia que transtornou o Senador, que disse então aos berros: “avisa ao Marconi que eu vou resolver com ele da forma que ele quiser, no braço, na faca, no revólver”. Esse episódio se tornou público e gerou os maiores desgastes para o fanfarrão, que pra minha surpresa repeliu tudo. Um dia, me contando a história, negou que havia falado isso, se esquecendo que eu era a testemunha ocular.

Pois agora, Ronaldo Caiado, quero ver se você é homem mesmo. Nos mesmos termos que você mandou oferecer ao frouxo Marconi Perillo, eu me exponho.

Me lembro da veneração, que quando criança, meu pai tinha pelo grande Emival Caiado e pelo seu pai o advogado Edenval Caiado, que se envergonharia de ver que um filho seu foge à luta.

Você diz em seus discursos que Caiado não rouba, não mente e não trai. Você rouba, mente e trai.

Talvez o meu silêncio tenha sido entendido por você como um sinônimo de covardia, de pusilanimidade. Essas palavras não existem no meu dicionário. Não posso dizer que você seja um mau-caráter, pois você simplesmente não o possui. É, na verdade, uma espécie de Zelig oportunista e bravateiro.

Você deveria ir pra Brasília em seu cavalo branco, estacioná-lo na chapelaria do Senado e subir à tribuna para fazer o que já faz: relinchar, relinchar.

Me deixe em paz Senador. Continue despontando para o anonimato. É o seu destino. Não me move mais interesses políticos. Considero vermes iguais a você Marconi Perillo e Íris Rezende. Toque sua vida, se fizer troça comigo novamente não o pouparei. Continue fingindo que é inocente e lembre-se que não está na sarjeta porque eu não tenho vocação para delator. Tome suas medidas prudenciais e faça-se de morto.

Ano passado deu-se o centenário do nascimento de Carlos Lacerda e uma horda de hipossuficientes passou a rotular a qualquer um de lacerdista, que para eles é apenas alguém estridente e barulhento. Ronaldo Caiado diz que se inspira em Lacerda.Mentira, Lacerda foi tradutor de Shakespeare, foi o primeiro brasileiro a romancear um quilombola, falava e escrevia como um clássico. Demoliu presidentes e adversários. Eleito governador foi sem sombra de dúvidas o melhor gestor da Guanabara. Ronaldo Caiado jamais conseguiu terminar de ler um livro. Por sua formação francesa, o mais perto que chegou do fim foi” o menino do dedo verde” , mas o achou muito “profundo”. Ronaldo Caiado é só uma voz à procura de um cérebro.

Demóstenes Torres é ex-senador e procurador de Justiça

Cobertura da Operação Zelotes pelos jornalões seria hilária, não fosse trágica

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A RBS é a maior afiliada Globo. Na foto com William Bonner, Nelson Sirotsky, presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS e do Comitê Editorial

Cobertura do escândalo CARF pelos jornalões seria hilária, não fosse trágica

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Nossa mídia continua em seu hercúleo esforço para ignorar a Operação Zelotes, desencadeada semana passada pela Polícia Federal (PF) para apurar na Receita Federal (RF) o que as investigações iniciais indicam ser o escândalo financeiro que manipulou maior volume de dinheiro da história do país e o que mais lesou os cofres públicos.

A apuração preliminar que levou a PF a desfechar a Zelotes indica que um conluio entre grandes empresas nacionais e multinacionais e membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) da Receita pode ter lesado o país em nada menos que R$ 19 bilhões. Nossa grande mídia praticamente não dá o assunto desde o 1º dia (5ª feira da semana passada) e continua assim, sabe-se lá até quando.

Hoje o assunto está na Folha de S.Paulo e em O Globo. Mas, de uma forma que seria hilária, não fosse trágica…O Globo, por exemplo, trata do assunto em seu principal editorial. Mas, faz uma completa inversão de valores e critica a “caixa preta da Receita Federal”, ao invés de criticar os sonegadores, as empresas que cevaram conselheiros do CARF para que eles quebrassem e reduzissem multas/dívidas milionárias delas e as convertessem em quantias irrisórias.

Empresas em que a PF viu indícios negam ter participa de irregularidades

A Folha traz uma reportagem a respeito. Mas em seu editorial principal de hoje não fica muito atrás do Globo: o jornalão da Barão de Limeira, em São Paulo, prega que o governo precisa fazer uma profunda revisão no CARF, aumentando mecanismos de controle focando em maior transparência do órgão.

Na reportagem que publica hoje, a Folha crava que pelo menos 12 empresas, segundo a PF,  “negociaram ou pagaram propina” no CARF para reduzir – em alguns casos, até zerar – débitos com a Receita Federal. Mas, levantamento inicial da PF indica que outras 62 podem ter feito o mesmo – no total 74 grandes empresas teriam alimentado as irregularidades ocorridas no Conselho, última instância da Fazenda para apreciar recursos contra multas e tributos que as empresas consideram indevidos.

A Folha diz ter tido acesso aos 74 processos tocados pela PF e que a levaram a desencadear a Operação Zelotes. Das 74 “muitas subornaram integrantes do CARF. (…) Outras, porém, foram procuradas por facilitadores que intermediavam o suborno a conselheiros do órgão, mas ainda não há contra elas elementos que comprovem o pagamento da propina.

De acordo com o jornalão, os casos que os investigadores apuraram e constataram com indícios mais consistentes envolvem os grupos Gerdau, Rede Brasil Sul de Comunicações – RBS, companhias Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio, Mundial-Eberle, Ford e Mitsubishi, além de instituições financeiras, como Santander e Safra. Todas foram procuradas pelo jornal e as que deram resposta negaram irregularidades em sua ação.

Pela Democracia,Maranhão muda nome de Escolas nos 51 anos da Ditadura

Não falarei muito sobre a Ditadura. Agora até os jornalões como o Globo, Folha e Estadão falam mal da Ditadura, que no entanto eles apoiaram de início ao fim. Neste dia merece elogios a posição do Governador Flávio Dino, do Maranhão, do PCdoB,  que por escolha de toda a comunidade, troca o nome de TODAS as escolas que tinham nomes de militares. Faz uma discussão com pais e alunos sobre o que significou a Ditadura e re-significa a Escola ao autorizar que democraticamente a comunidade escolhesse outros nomes, que não os dos generais ditadores e militares assassinos. Símbolos são fundamentais para que a sociedade entenda a sua história e com símbolos a reescreva.
Vai a matéria do Vermelho.
No dia em que o golpe militar no Brasil completa 51 anos, o governo do Maranhão modifica a nomenclatura de todas as escolas que homenageavam personalidades que constam no Relatório Final da Comissão da Verdade como responsáveis por crimes de tortura durante o regime ditatorial. As escolas que tiveram nome modificado passaram por processo democrático de escolha dos novos nomes.

Profissionais da educação, estudantes, funcionários das escolas e a comunidade do entorno das unidades escolares escolheram os novos nomes. Fotos/Lauro VasconcelosProfissionais da educação, estudantes, funcionários das escolas e a comunidade do entorno das unidades escolares escolheram os novos nomes. Fotos/Lauro Vasconcelos

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) do Maranhão identificou 10 escolas em nove municípios maranhenses que possuíam nome dos ex-presidentes do Brasil que governaram sob o regime militar.

Através de um processo democrático de escolha, a comunidade escolar votou nos nomes que substituiriam as nomenclaturas originais. A modificação foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (31).

Participaram da escolha dos nomes profissionais da educação, estudantes, funcionários das escolas e a comunidade do entorno das unidades escolares.

O governador Flávio Dino explica que, a partir da identificação de torturadores pelo Relatório da Comissão Nacional da Verdade, não é razoável que prédios públicos continuem a homenageá-los. “O relatório aponta graves infrações aos direitos humanos cometidos durante esse período e nomeia os responsáveis por esses crimes. O Estado do Maranhão não mais homenageará os responsáveis por crimes contra a humanidade”, disse o governador, que defendeu os princípios do Estado Democrático de Direito alcançados pelo Brasil após o período ditatorial.

Todo o processo de mudança ocorreu com base no Decreto Nº 30.618 de 02 de janeiro de 2015, que veda a secretários de Estado, a dirigentes de entidades da Administração indireta e a quaisquer agentes que exerçam cargos de direção, chefia, e assessoramento no âmbito do Poder Executivo, atribuir ou propor a atribuição de nome de pessoa viva a bem público, de qualquer natureza, pertencente ou sob gestão do Estado do Maranhão ou das pessoas jurídicas da Administração Estadual indireta.

No decreto, a vedação é estendida também a nomes de pessoas, ainda que falecidas, que tenham constado no Relatório Final da Comissão da Verdade de que trata a Lei Nº 12.528 de 18 de novembro de 2011, como responsáveis por crimes cometidos durante a ditadura militar.

Conheça os novos nomes

Na capital São Luís, a escola estadual que se chamava Marechal Castelo Branco passará a ser chamada de Unidade Jackson Lago. Em Imperatriz, o antigo Centro de Ensino Castelo Branco terá como novo nome CE Vinícius de Moraes. Com o mesmo nome havia também unidades de ensino nos municípios de Caxias, Fortaleza dos Nogueiras e Governador Newton Bello que passarão a se chamar Professora Suely Reis, CE Vera Lúcia dos Santos Carvalho e CE Antônio Macêdo de Almeida, respectivamente.

Já em Timbiras, a antiga escola que levava o nome do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici passará a ser chamada CE Paulo Freire – mesmo nome escolhido pela população de Loreto que substituirá o nome da escola CE Presidente Médice por CE Paulo Freire.

Escolha

O processo para essa substituição foi conduzido por uma ‘Comissão de Mudança dos Nomes’ composta por representantes do Conselho Estadual de Educação(CEE), da Supervisão de Inspeção Escolar (SIE), da Supervisão de Gestão Escolar (Suage), Superintendência de Educação Básica (Sueb) e da Superintendência de Assunto Jurídicos (Superjur).

O decreto dispõe que os nomes substitutivos devem representar personalidades que tenham contribuído com a construção da identidade educacional municipal, estadual ou federal e ter reputação ilibada conforme a Lei da Ficha Limpa. A Comissão de Mudança apresentou, para cada escola, três nomes substitutivos entre os quais a comunidade escolar escolheu aquele publicado no Diário Oficial do Poder Executivo do Maranhão.

No município de Loreto, estudantes das 2ª e 3ª séries do Ensino Médio organizaram inclusive um júri simulado para acompanhar a modificação. “Além dos 60 alunos dessas séries e demais estudantes da escola, a comunidade também deu sua contribuição através do júri. Os alunos realizaram com muita empolgação estudos, pesquisas e entrevistas a ex-diretores e pessoas da comunidade para embasar o debate”, explicou Crizálida Coelho Martins.

Fonte: Secom Governo do Maranhão


Luiz Müller

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