O Brasil continua crescendo apesar dos pessimistas mentirosos: Produção industrial cresce 0,6% em abril, diz IBGE

O resultado mensal é o melhor desde julho de 2014, quando a produção avançou 0,8%.

Todos os dias a gente ouve noticias negativas sobre o Brasil. Ao ver noticiário na TV, ouvir rádio ou ler jornal, tem-se a sensação de que o Brasil esta quebrando, que o desemprego esta altíssimo, que a inflação esta descontrolada, que a violência esta descontrolada e que o país esta quebrando. E tanto repetem estas noticias negativas que a gente vai acreditando, mesmo que ainda não tenha acontecido com a gente. Ms a gente passa a acreditar que vai acontecer. E aí vem o medo. E o medo faz a gente acreditar em fantasmas. E aí a gente passa a tentar achar um culpado pela soltura dos fantasmas. E a repetição das noticias negativas que geram medo, também já trazem contido lá o culpado: É o Governo e o PT. E aí tome “jogar pedra na Geni”, como diz a música do Chico Buarque. Mas eis que a realidade dos fatos nos diz que o Brasil tem um dos menores índices de desemprego do mundo, que apesar do que tentam nos incutir, temos o melhor e maior Sistema Público de Saúde do Mundo, e que é universal e gratuito, diferentemente da grande maioria dos países do mundo, que os índices de educação avançaram mais nos últimos 12 anos do que nos 38 anos anteriores, que hoje temos escolas técnicas, cursos profissionalizantes do PRONATEC, PROUNI, que permitem os pobres que antes nem chegavam ao nível médio, se formarem e terem empregos que continuam sendo gerados, como é possível ver na retomada da construção naval. E pra mostrar que estamos avançando e por um pouco de espirito positivo publico abaixo uma matéria de um Jornal nada petista , vai a notícia quentinha do DCI – Diário, Comércio e Industria – que não dá ponto sem nó. Diz que a produção industrial cresceu 0,6% quando os economistas esperavam uma queda de 0,8%.

Operário trabalha em linha de montagem de fábrica da J.C. Bamford em Sorocaba, SP - indústria produção industrial

Operário trabalha em linha de montagem de fábrica da J.C. Bamford em Sorocaba, SP – indústria produção industrial Foto: Paulo Whitaker/Reuters

RIO DE JANEIRO – A produção industrial brasileira surpreendeu e subiu 0,6 por cento em maio na comparação com abril, com queda de 8,8 por cento na base anual, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

O resultado mensal é o melhor desde julho de 2014, quando a produção avançou 0,8 por cento.

A expectativa em pesquisa Reuters era de que a produção caísse 0,60 por cento em maio sobre o mês anterior na mediana das projeções de 25 analistas, e que recuasse 10,20 por cento ante o ano anterior na mediana de 21 projeções.

(Por Rodrigo Viga Gaier e Walter Brandimarte)

Pagando caro pra apanhar: TV Globo recebeu R$ 6,2 bilhões de publicidade federal com PT no Planalto

Com informações do Blog do Fernando Rodrigues

Já a Record teve R$ 2 bi de verbas nos 12 anos de Lula e Dilma

De 2003 a 2014, SBT recebeu R$ 1,6 bi; Band ficou com R$ 1 bi

UOL obteve dados inéditos e exclusivos sobre publicidade federal

Globo ainda lidera em verbas estatais, mas tem queda em anos recentes

Rede TV!, com menos de 1 ponto de audiência, recebeu R$ 408 mi nos anos petistas

A Rede Globo e as 5 emissoras de propriedade do Grupo Globo (em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e Recife) receberam um total de R$ 6,2 bilhões em publicidade estatal federal durante os 12 anos dos governos Lula (2003 a 2010) e Dilma (2011 a 2014).

Como a cifra só considera TVs de propriedade do Grupo Globo, o montante ficaria maior se fossem agregados os valores pagos a emissoras afiliadas. Por exemplo, a RBS (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina) recebeu R$ 63,7 milhões de publicidade estatal federal de 2003 a 2014.

Outro exemplo: a Rede Bahia, afiliada da TV Globo em Salvador, que pertence aos herdeiros de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), teve um faturamento de R$ 50,9 milhões de publicidade federal durante os 12 anos do PT no comando do Palácio do Planalto.

A TV Tem, que abrange uma parte do rico mercado do interior do Estado de São Paulo, em 4 regiões (com sedes nas cidades de São José do Rio Preto, Bauru, Itapetininga e Sorocaba), faturou R$ 8,5 milhões de publicidade estatal federal em 2014. Essa emissora é de propriedade do empresário José Hawilla, conhecido como J. Hawilla (pronuncia-se “Jota Ávila”), que está envolvido no escândalo de corrupção da Fifa.

Os dados deste post são inéditos. Nunca foram publicados com esse nível de detalhes até hoje. Os valores até 2013 estão corrigidos pelo IGP-M, o índice usado no mercado publicitário e também pelo governo quando se trata de informações dessa área. Os números de 2014 são correntes (sem atualização monetária).

A série histórica sobre publicidade do governo federal começou a ser construída de maneira mais consistente a partir do ano 2000. Não há dados confiáveis antes dessa data.

O volume total de publicidade federal destinado para emissoras próprias do Grupo Globo é quase a metade do que foi gasto pelas administrações de Lula e Dilma para fazer propaganda em todas as TVs do país. Ao todo, foram consumidos R$ 13,9 bilhões para veicular comerciais estatais em TVs abertas no período do PT na Presidência da República. As TVs da Globo tiveram R$ 6,2 bilhões nesse período.

Apesar do valor expressivo destinado à Globo, há uma nítida trajetória de queda quando se considera a proporção que cabe à emissora no bolo total dessas verbas.

As emissoras globais terminaram o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, em 2002, com 49% das verbas estatais comandadas pelo Palácio do Planalto e investidas em propaganda em TVs abertas.

No ano seguinte, em 2003, já com o petista Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência, a fatia da Globo pulou para 59% de tudo o que a administração pública federal gastava em publicidade nas TVs abertas. Esse salto não se sustentou.

Nos anos seguintes, com algumas oscilações, a curva global foi decrescente. No ano passado, 2014, a Globo ainda liderava (recebeu R$ 453,5 milhões), mas chegou ao seu nível baixo de participação no bolo estatal federal entre TVs abertas: 36% do total da publicidade.

Todos esses dados podem ser observados em detalhes no quadro a seguir (clique na imagem para ampliar):

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Como se observa, a queda de participação das TVs é também sentida na audiência da maior emissora brasileira. Segundo a aferição realizada pelo Ibope Media Workstation (Painel Nacional de Televisão, com base 15 mercados, durante 24 horas, todos os dias), a TV Globo teve 12 pontos de audiência domiciliar média em 2014.

Todas as 4 maiores emissoras de TV aberta enfrentaram quedas de audiência ao longo dos últimos anos. Essa menor presença nas casas das pessoas, entretanto, nem sempre está refletida em menos verbas publicitárias federais.

A Record, por exemplo, recebeu um verba de R$ 264 milhões em 2014 contra R$ 244 milhões em 2013 (aumento de 8,4%), apesar da queda da audiência da emissora de um ano para o outro (de 4,5 para 4,2 pontos no Ibope, das 6h à 0h).

Já o SBT, terceira TV aberta no Brasil (cuja audiência ficou quase estável, variando de 4,5 para 4,4 pontos no Ibope, de 2013 para 2014), registrou uma queda no faturamento de publicidade estatal federal: saiu de R$ 182 milhões para R$ 162 milhões.

Nota-se, portanto, uma assimetria no tratamento dado pelo governo para as 2 maiores TVs que ficam abaixo da Globo quando se considera audiência e valores de publicidade recebida.

Record e SBT tiveram audiências muito semelhantes em 2014, na casa de 4 pontos no Ibope. Só que a Record, emissora do Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, recebeu cerca de R$ 100 milhões a mais de verbas publicitárias federais no ano passado na comparação com o SBT, do empresário e apresentador Silvio Santos.

Já a Band (com apenas 1,7 ponto de audiência média no Ibope em 2014) teve R$ 102,4 milhões de propaganda dilmista no ano passado. A Rede TV! (0,6 ponto de audiência) ficou com R$ 37,8 milhões.

JORNAIS IMPRESSOS
Nos governos Lula e Dilma (2003-2014), os jornais impressos arrecadaram R$ 2,1 bilhões com a publicação de propagandas da administração petista. Desse total, R$ 730,3 milhões (35%) foram destinados a apenas 4 publicações: “O Globo”, “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S.Paulo” e “Valor Econômico”.

Alguns aspectos chamam a atenção a respeito da publicidade estatal federal para jornais diários impressos.

Um deles é que durante os anos de 2000, 2001 e 2002 (no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso) essas 4 publicações tiveram um volume de receita de publicidade estatal proporcionalmente igual ao do período subsequente, com o PT no poder.

Como está registrado acima neste post, não existem dados disponíveis e confiáveis sobre gastos em propaganda antes do ano 2000.

Dessa forma, só é possível somar os valores dos 3 últimos anos do segundo mandato de FHC, quando todos os jornais diários brasileiros receberam R$ 701,4 milhões de verbas de propaganda do governo federal. Desse total, a quadra “Globo-Folha-Estado-Valor” ficou com R$ 243,1 milhões –ou seja, 35% do bolo completo do meio jornal.

A conclusão é simples: embora o discurso do PT no poder tenha sido crítico em relação à cobertura jornalística feita pelos grandes jornais impressos diários, os petistas no Palácio do Planalto continuaram a conceder proporcionalmente a esses veículos o mesmo que o governo do PSDB concedia.

Eis os dados sobre publicidade estatal nos principais jornais impressos do país (clique na imagem para ampliar):

jornal1jornal2jornal4bJORNAIS DIGITAIS
Há um dado que merece ser visto com mais atenção quando se observa o valor recebido pelos mais tradicionais jornais impressos do país para veicular publicidade estatal federal: quanto vai para as suas operações na internet.

O quadro acima neste post mostra o valor total recebido por “O Globo”, “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S.Paulo” e “Valor Econômico”. Mas é possível saber exatamente quanto essas empresas faturaram desses anúncios para veiculá-los apenas em suas edições online. E também existem dados sobre quantas edições desses 4 jornais são de fato impressas, em papel, e quantas são apenas assinaturas digitais. Eis os dados (clique na imagem para ampliar):

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Como se observa, há uma curva de crescimento para todos os 4 veículos ao longo dos últimos anos, com algumas oscilações. Em 2014, o líder das verbas estatais federais em suas edições digitais foi o jornal “O Estado de S.Paulo”, que recebeu R$ 2,743 milhões. Outro dado interessante: a queda continua das edições impressas. E no mês de maio de 2015, o jornal “O Globo” se tornando o de maior tiragem impressa entre os veículos de qualidade do país, à frente da “Folha de S.Paulo” –que há décadas liderava esse ranking.

REVISTAS
O meio revista tem experimentado também uma grande queda no faturamento com verbas publicitárias federais. A semanal “Veja”, líder do mercado, já chegou a ter R$ 43,7 milhões dessas verbas em 2009 (o seu recorde). Em 2014, desceu para R$ 19,9 milhões.

Eis os dados detalhados sobre as 4 principais revistas do país (clique na imagem para ampliar):

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PORTAIS DE INTERNET
O meio internet já é o segundo que mais recebe publicidade estatal do governo federal. Esse dado fica bem visível quando se observam os valores destinados a 4 grandes portais brasileiros.

O UOL, maior portal do país com 39,8 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2014, teve R$ 14,7 milhões de faturamento para veicular propaganda estatal federal nesse ano. O UOL pertence ao Grupo Folha.

O G1 e o portal Globo.com, somados, tiveram uma audiência de 34,1 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2014. Receberam R$ 13,5 milhões de verbas federais de publicidade nesse ano.

Eis os dados detalhados de 4 grandes portais de internet (clique na imagem para ampliar):

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(Colaborou nesta reportagem Bruno Lupion, do UOL, em Brasília).

Moro e os golpistas perdem outra: Duas Plataformas da Petrobras serão construídas em Rio Grande

A matéria que publico abaixo é do Correio do Povo. Ela dá conta de que as empresas Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás, que fizeram o acordo de leniência (do qual o Juiz Moro era Contra) vão retomar a construção de plataformas marítimas para a Petrobras. O Juiz Moro, a Polícia Federal e o MP do Paraná continuam fazendo de tudo pra detonar as grandes construtoras do país. Não é atrás de corruptos que eles estão. Eles querem mesmo é atrasar, ou se possível destruir, as grande obras da Petrobras e as grandes obras de infra estrutura que o Brasil precisa e que geram milhões de empregos. Foi por isto que esta catrefa quis impedir o Governo e a Petrobras de contratar novas obras. Felizmente parece que a ficha caiu para parte do Governo. Não tem nada a ver com jurídico ou corrupção. Tem a ver com política. E é política internacional. Ao quebrar as grandes empresas brasileiras, Moro abriria caminho pra entrada de empresas americanas, chinesas entre outras. Ou seja, empregos gerados não seriam para brasileiros. Aliás, tramita no Congresso, para ser votado nos próximos dias, projeto do Serra, tucano dos quatro costados, que muda as regras de Pré-Sal e entre outras coisas quer reduzir a obrigatoriedade de compras de conteúdo nacional. S Lei hoje obriga que a empresa que concorrer em uma licitação destas, tem que comprar 60% do conteúdo de serviços e produtos aqui no Brasil. Além de reduzir isto que gera muitos empregos no Brasil, o tucanato quer também mudar as regras da partilha e tirar da Petrobras a participação obrigatória na exploração dos campos de Petróleo do Pré-Sal, para o que é justamente a Petrobras que tem a melhor tecnologia. Mas mesmo com todas as mentiras da grande mídia golpista, eles estão perdendo outra. A Petrobras já voltou a contratar. E etas duas plataformas, se são uma vitória para os trabalhadores e para o povo de Rio Grande, são também o símbolo de que embora a corja golpista queira desmoralizar o Brasil, os brasileiros e o governo Dilma, o Brasil continua no rumo do desenvolvimento. E também hoje saiu a notícia de que a Indústria Brasileira voltou a crescer. Cresceu 0,6%. Parece pouco, mas é a retomada do crescimento, que seguirá, com os acordos feitos nos EUA pela Presidenta Dilma. Depois de 15 anos, voltaremos a vender nossa carne para o mercado americano. Também parte dos acordos dão conta da venda de mais aviões da EMBRAER e de outros produtos. Os golpistas perderam. Cabe aos brasileiros não continuarem caindo nas lorotas midiáticas que tentam baixar a auto estima e gerar a desesperança nos brasileiros.
Vai a Matéria do Correio do Povo
Obras de instalação da P-75 e da P-77 devem começar em 30 dias

O prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmayer, confirmou, na tarde desta quinta-feira, a instalação de duas plataformas de petróleo na cidade. O acordo entre Prefeitura e Petrobras foi assinado no Rio de Janeiro e prevê a instalação da P-75 e da P-77. Conforme Lindenmayer, o começo das obras deverá ocorrer em cerca de 30 dias.

“A comunidade do Rio Grande e de toda a região pode comemorar essa vitória que trará milhares de empregos para a região, fortalecendo o Conteúdo Nacional Local, a Indústria Nacional Brasileira e, principalmente, o quanto representa a Petrobras no desenvolvimento do país e da nossa região”, afirmou Lindenmeyer.

O gestor executivo fez questão de elogiar a participação de um grande grupo de entidades interessadas no sucesso do projeto. “Quero saudar e parabenizar a manifestação de todos os envolvidos na defesa da luta do Polo Naval, os metalúrgicos da Federação dos Trabalhadores, Governo Federal, a Universidade Federal do Rio Grande, a Câmara de Dirigentes Lojistas, a Câmara do Comércio, a Azonazul, a Câmara de Vereadores e demais atores envolvidos neste processo, que foi vitorioso pelo envolvimento de todos nós”, ponderou.

A partir da confirmação da obra, Queiroz Galvão, Iesa Óleo e Gás e Petrobras assumem os trabalhos. O projeto foi lançado há dois anos e o orçamento era de cerca de R$ 1,5 bilhão, mas o valor deve ser reajustado.

Se Moro acende a luz, há um curto-circuito no Direito

“Processo com sigilo decretado (só para a defesa, é claro) tornou-se melancólica “mentira legal” quando se trata de “vazar” dados para se assassinarem reputações e se prepararem arbitrariedades. Assistimos a esse acinte diariamente no noticiário”. José Roberto Batochio no artigo do Conversa Afiada publicado a seguir:

Na página 3 da Fel-lha (ver no ABC do C Af):

CURTO-CIRCUITO NO DIREITO

por José Roberto Batochio

Excitados pelo “clamor da turba”, operadores do Direito estão mandando às favas princípios e calcando um dos pratos da balança da Justiça

“Toda vez que acende a luz do sr. Francisco Campos há um curto-circuito na democracia.” (Rubem Braga)

Francisco Luís da Silva Campos (1891-1968) foi um brilhante jurista das Minas Gerais, o primeiro ministro de Estado da Educação, em 1930, e autor de leis que modernizaram o Direito no Brasil, como o primoroso Código Penal de 1940.

Mas o prato situado à direita da balança representativa da sua concepção de Justiça era tão pesado que se inclinava na direção do fascismo. Foi com tal inspiração que escreveu a Constituição de 1937, baseada na legislação imposta à Itália por Mussolini, bem como o Ato Institucional nº 1, que deu início à institucionalização do regime militar.

Daí a fina ironia do cronista autor de “O Conde e o Passarinho”, transcrita na epígrafe destas linhas.

Transposta aos nossos dias, a blague já não focaliza apenas um homem soturno, mas se ajusta à parte de nossos operadores do Direito que, quando põem o dedo no interruptor da jurisdição penal, acendem-se espessas trevas processuais.

Trata-se de um segmento dos órgãos da persecução penal e de certos magistrados “justiceiros”, que atropelam o devido processo legal e se autoinvestem de legisladores para os casos com que se deparam e para os quais pretendem reescrever as leis penais e processuais.

Excitados pelo “clamor da turba”, na expressão de Rui Barbosa a lembrar Pôncio Pilatos no mais célebre julgamento da história, esses operadores do Direito estão mandando às favas princípios e garantias universais e calcando o prato direito da balança da Justiça.

Assistimos atônitos a um festival de prisões arbitrárias, antecipatórias da final condenação, ao desprezo pelo instituto da presunção de inocência, à submissão de réus a constrangimentos para que revelem crimes de outras pessoas, ao desrespeito flagrante às leis, ao abandono da boa prática da apuração e à correção das investigações que resultam em prova indiciária factual.

Entronizou-se no nosso processo o boato, o “diz que”, o “suspeita-se que”, de delações obtidas sabe Deus a que meios, embora saibamos, seguramente, que não são meios de Deus. Processo com sigilo decretado (só para a defesa, é claro), então, tornou-se melancólica “mentira legal” quando se trata de “vazar” dados para se assassinarem reputações e se prepararem arbitrariedades. Assistimos a esse acinte diariamente no noticiário.

A matéria é tanta que se faz necessário um recorte para que o todo não esconda a parte. Particularmente escandaloso é o desrespeito à lei nº 9.296/96, a chamada “Lei do Grampo”, que regulamenta a interceptação de comunicações telefônicas, telemáticas etc.

Seu artigo 8° é meridiano: “A interceptação de comunicação telefônica, de qualquer natureza, ocorrerá em autos apartados, apensados aos autos do inquérito policial ou do processo criminal, preservando-se o sigilo das diligências, gravações e transcrições respectivas”.

Autos apartados para preservar sigilo? Na prática, saem dos escaninhos oficiais para as manchetes. O que deveria ser sigiloso, resguardado no interesse exclusivo do processo legal, resplende em público na forma de “vazamentos seletivos”.

Ninguém jamais é identificado, muito menos responsabilizado. Exceção a essa regra é o ex-deputado Protógenes Queiroz, que não era do clube, foi condenado a dois anos e seis meses de prisão e perdeu o cargo de delegado da Polícia Federal por “violação de sigilo funcional”, isto é, forneceu à imprensa dados sigilosos da Operação Satiagraha.

Já os intocáveis hodiernos, a pretexto de “fazerem justiça”, ficam impunes. Lavram os autos nos jornais, nas revistas e nas ruas, buscando apoio fora dos tribunais, como chegou a pedir um procurador. Essas ilicitudes costumam prosperar em ambientes de decadência institucional e social, em que germinam disputas de fundo, praxe em conjunturas políticas turbulentas.

O império da lei, e aqui se trata de um ordenamento jurídico democrático e justo, esvai-se na tibieza de autoridade de uns e crescimento do poder autocrático de outros. Resta-nos esperar que o Supremo Tribunal Federal possa reconduzir a nau da Justiça ao porto da legalidade.

JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, 71, advogado criminal, foi presidente nacional da OAB e deputado federal por São Paulo. Defende o ex-ministro Antonio Palocci na Operação Lava Jato .

Eduardo Cunha Rasgou a Constituição Federal e coloca a democracia em grave risco

Por    no seu Blog

Eduardo Underwood tupiniquim, o sabotador do Brasil

Mesmo um leigo entende facilmente que a manobra feita por Eduardo Cunha é um estupro contra a Constituição Federal. Esqueçamos os temas, financiamento privado de campanhas e agora a diminuição da maioridade pena, o que está em jogo é a lei maior do país, leiamos o artigo 60 (cláusulas pétreas, aquelas que não são modificadas ao bel prazer das maiorias de plantão) que “defende” a CF (em última instância o país) de aventureiros, demagogos e golpistas:

Subseção II
Da Emenda à Constituição

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:

I – de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;

II – do Presidente da República;

III – de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

I – a forma federativa de Estado;

II – o voto direto, secreto, universal e periódico;

III – a separação dos Poderes;

IV – os direitos e garantias individuais.

§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Nesse grifo que fizemos acima é o ponto crucial em que a Constituição Federal expressa, de forma cristalina, que as emendas constitucionais NÃO podem ser reapresentadas na mesma sessão legislativa, quando rejeitadas. Por duas vezes, Eduardo Cunha fez votar as mesmas matérias, numa clara afronta ao que impõe a Constituição.

Estamos assistindo a uma escalada de ilegalidade, não por um erro qualquer, mas deliberado, irresponsável que pode nos custar caríssimo em breve, mais ainda no futuro. Infelizmente o STF não rejeitou de forma liminar o primeiro questionamento, na questão do financiamento de campanha, o que acabou dando mais forças aos tipos golpistas, como Cunha e aos irresponsáveis oposicionistas sem projetos, que apenas querem criar o caos institucional.

Pior, tememos que isso seja apenas o começo de uma jornada de ataques à democracia, ao insistir numa inconstitucionalidade atrás da outra, Cunha, apenas fez, até agora, um “teste de fadiga”, como nada aconteceu, ele irá em frente. Imaginemos num futuro breve um pedido de impeachment, ou de abreviar mandatos, Cunha poderá usar esse know-how para impor uma vontade que não seja real.

A Democracia e as instituições correm sérios riscos, basta lembrar as ameaças veladas feitas por Cunha contra a recondução do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pois ele quer continuar a investigar os desmandos de Cunha. Até onde iremos tolerar que um déspota, um Frank Underwood real, venha chantagear o Brasil?

Quero muito não acredito que o ódio ao PT consiga suplantar o mínimo respeito institucional, que tudo se justifique em nome desse ódio desmedido, inclusive um golpe de estado, uma insegurança jurídica e uma acharque público, com a complacência dos partidos de oposição e apoio de mídia. Cunha, infelizmente é o filho bastardo das jornadas de junho de 2013, que as ruas destamparam o ódio contra o Brasil, em primeiro lugar, uma onda de irracionalidade jamais vistas por aqui.

Passou da hora dos que acredita na Democracia e no Brasil refletirem e darem um basta a esse aprendiz de ditador, antes que seja tarde demais.

Lê mais sobre os atentados a democracia aqui no Blog, lendo o Artigo do link abaixo:

Dois pesos e duas medidas: Em SP, Sabesp cobra mais pela água de escola pública do que de clientes ‘vips’

Apesar de bancar obras e ter grande consumo, Secretaria Estadual de Educação não entra na lista de clientes preferenciais da empresa
//Por Cinthia Rodrigues Na Carta Capital

Em São Paulo, a água não tem o mesmo preço para todos. Por conta de contratos “vip” com a companhia de abastecimento – a Sabesp – alguns clientes, como bancos, montadoras, empresas de mídia, shoppings e até escolas particulares, pagam menos. Enquanto isso, a Secretaria Estadual de Educação, imersa em uma das maiores greves docentes da história, paga milhões à Sabesp – e não só pelo consumo. Por um decreto do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o órgão precisou ampliar o Programa de Uso Racional da Água (Pura), que prevê contrato oneroso para compra de equipamentos que ajudem a economizar água. Em contrapartida, o valor pago é reduzido, mas as escolas continuam fora da lista vip.

A situação se torna mais grave diante da conjuntura: os professores da rede estadual estão em greve há três meses, sem receber qualquer proposta de aumento salarial ou de investimento para, por exemplo, reduzir as turmas de mais de 50 alunos. O governo alega falta de recursos. Ao mesmo tempo, o estado paulista está à beira de uma crise hídrica, com o fantasma do racionamento rondando a população.

Apesar do governo de São Paulo ser sócio majoritário da Sabesp, com 50,3% das ações, os órgãos públicos pagam pelo metro cúbico de água o mesmo valor cobrado de qualquer outro cliente comercial. O preço, fixado a partir de junho em 16,10 reais por metro cúbico (ou a cada mil litros de água), passa a ser 12,08 reais para quem adere ao Pura. O desconto, porém, é menor do que o oferecido a empresas com “contrato de demanda firme”, ou seja, aquelas que prometem um gasto mínimo elevado. Em troca, tais empresas podem pagar até um quarto do valor original, entre 4 e 10 reais por metro cúbico.

A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo – que recebe mais de cinco milhões de pessoas por dia em seus prédios entre alunos, professores e funcionários – poderia facilmente prometer um gasto mínimo elevado, caso este fosse mesmo o critério para se enquadrar na “demanda firme”. Atualmente, o órgão gasta 150 milhões de reais por ano só com conta de água. O valor seria suficiente para elevar a folha de pagamento de todos os professores da rede estadual em 1,3% e é mais do que recebem, juntos, os programas de Tempo Integral (com orçamento de 111 milhões de reais para todo o ano de 2015) e Educação de Jovens e Adultos (outros 24 milhões de reais previstos para este ano).

“É uma política da Sabesp. Desconheço o motivo de não fazermos parte dos contratos de demanda firme”, afirma o diretor do Centro de Utilidade Pública da Secretaria Estadual de Educação, Gennaro Soria. Procurada pela reportagem de Carta Fundamental, a Sabespenviou nota dizendo que os órgãos públicos com contrato pagam pelo metro quadrado 8,84 reais, mas as tarifas divulgadas inclusive no próprio site da empresa são outras. Segundo o diretor da Secretaria de Educação, metade da conta total de água anual é paga à Sabesp e o restante a outras empresas de abastecimento responsáveis pelas regiões em que as escolas do interior estão instaladas.

Gennaro Soria explica que a adesão ao Pura já significa alguma economia, em comparação a quando o órgão não tinha qualquer desconto ou equipamentos mais econômicos. O primeiro contrato da Secretaria de Educação com a Sabesp, após aderir ao Pura, ocorreu no período de 2008 a 2010. A pasta repassou 10,9 milhões de reais à empresa para que terceirizasse serviços de instalação de vasos, torneiras e outros equipamentos mais modernos em 345 escolas da região metropolitana.

Com isso, segundo Soria, a economia média por unidade atualizada foi de 25% e a conta d’água diminuiu em 17,8 milhões de reais por ano. Apesar de não ser um desconto tão grande quanto o recebido por empresas “vips” do contrato de demanda firme, ao menos o valor do investimento era recuperado em menos de um ano. Na segunda fase, iniciada em 2013, isso começou a mudar. O valor investido aumentou, mas o retorno em economia e número de escolas beneficiadas caiu. Dessa vez, a Secretaria de Educação pagará à Sabesp 15,5 milhões de reais, até 2016, para modernizar os equipamentos em 245 novas escolas e economizar apenas 10 milhões de reais por ano em conta de água.

O diretor justifica o contrato mais caro pela aquisição, além de privadas, de aparelhos digitais para o sistema de medição do consumo, tanto nas novas unidades quanto nas que fizeram parte da primeira fase. Com isto, os dados da conta ficarão disponíveis online para o servidor da Sabesp. “A vantagem para a secretaria é que antes levava meses para identificar um vazamento e fazer a manutenção, agora leva dias”, diz Soria. A vantagem para a Sabesp – além de receber dinheiro por esta instalação – é que o equipamento dispensa um funcionário que vá medir o relógio, como no sistema tradicional analógico.

Tem mais: em junho, a Secretaria assina um novo contrato com a empresa de água para cumprir o decreto 59.327, assinado por Alckmin em junho de 2013. Desta vez, mais 1.093 escolas serão incluídas no Pura e, de novo, a proporção entre pagamento e retorno em economia diminuiu. Serão pagos 62,8 milhões de reais até 2017 e a expectativa é que a conta de água seja reduzida em 22 milhões de reais por ano, por causa da economia e do desconto de 25% no preço do metro cúbico. É pouco, se comparado às empresas “vips” que chegam a pagar um terço do valor comum.

As regras para os descontos dados por meio dos contratos de “demanda firme” não são claras. As informações não estão no site da Sabesp e variam conforme o acordo com cada cliente. Os valores foram negados à imprensa desde o o auge da crise no final de 2014. Depois de meses de investigação e até processos judiciais, a Agência Pública conseguiu publicar, em maio, os 537 contratos firmados com preços a partir de 4 reais por metro cúbico.

A maioria dos contratos tem vigência anual. Entre os assinados mais recentemente – e, portanto, cujos preços estão em vigor – estão o prédio da Bolsa de Valores, que paga 10,32 por metro cúbico, o Condomínio Morumbi Corporate Tower, que paga 9,69 e a fábrica de alimentos Vigor, que tem o metro cúbico por 4,51.

Ainda falta água

O dinheiro investido pela Secretaria de Estado de Educação não impede que a crise hídrica cause problemas também nas escolas. O racionamento (cuja existência foi negada em diversos momentos pelo governador) foi uma das causas da atual greve na rede estadual, deflagrada em 13 de março, um mês antes da data-base para negociação salarial dos professores. A maioria das escolas tem caixas d’água proporcionais, mas os educadores relatam casos de funcionamento comprometido pela falta d´água. “No mês passado, a bomba da caixa quebrou e, como não vem água da rua, os alunos tiveram de ser dispensados”, comenta Heloísa Santos, professora de História da escola estadual Nanci Cristina do Espírito Santo, em Poá, na Grande São Paulo. “Não tinha água para beber nem para dar descarga”, completa a colega, Marta Helena, de Língua Portuguesa.

Altamir Borges Filho, professor de Filosofia, relata que, no começo do ano, portanto antes da melhora dos níveis dos reservatórios com as chuvas do fim do verão, a escola estadual Esmeralda Becker de Carvalho, em Carapicuíba, era abastecida com caminhão pipa. “Os alunos tinham que trazer água para beber de casa. Entre tantas coisas deprimentes, esta da água foi uma das piores que já vi”, diz.

Sem se identificar com medo de represálias, uma diretora de escola da Vila Alpina, extrema zona leste, afirma que falta água no bairro seis horas por dia e é comum que a escola sofra o impacto. “Nos adaptamos, estamos economizando e falta cada vez menos, mas é um stress grande, tudo contado. Quando falta, como voltará em algumas horas, não somos contemplados com caminhão-pipa”, afirma.

Diretor do Centro de Utilidade Pública da Secretaria Estadual de Educação, Soria confirma que nem sempre o caminhão-pipa solicitado é enviado. Outro contrato da Secretaria de Educação com a Sabesp prevê o atendimento com caminhão-pipa em até 12 horas (em vez das 48 horas de praxe) para escolas. No entanto, para obter o benefício, a escola precisa preencher formulários e a companhia de abastecimento envia técnicos para avaliar se não há outra solução. Desde que a política foi implantada, no início de 2015, houve 197 pedidos de 131 escolas, mas apenas 64 caminhões foram considerados necessários.

Para Soria, o número reduzido é um bom sinal. “Isso demonstra como, apesar de tudo que aparece na mídia, a situação não é tão ruim”, diz. Ele confia nos cursos educativos e nas medidas implantadas para ter cada vez menos ocorrências de falta de água. “Encontramos uma escola que tem uma nascente, por exemplo. Estamos viabilizando o uso. Trabalhamos com um cenário otimista”, diz.

A autora do Boletim da Falta d’Água e doutoranda em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo, Camila Pavanelli de Lorenzi não vê motivo para otimismo. “Pelo contrário, este mês Santo André decretou que terá rodízio a partir de setembro e Campinas está estudando fazer o mesmo”, comenta. Todas as semanas, Camila reúne notícias sobre a crise hídrica e destrincha as informações, antes de divulgá-las nas redes sociais. O trabalho começou após perceber que a crise hídrica não estava sendo vista pela sociedade como crônica e grave. Apesar de todos os fatos, na opinião de Camila, ainda há quem pense dessa forma.  “As pessoas compram e alimentam o discurso de que não falta água”, lamenta. No começo do ano, o Boletim registrou várias notícias de escolas públicas com falta de água. “Depois parou. Agora, no final de maio, houve algumas de escolas particulares sem água, inclusive uma na Mooca que precisou dispensar os alunos”, diz.

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, responsável por atender 1 milhão de alunos, também não é tratada como “cliente vip”. Pior ainda, não tem desconto nenhum. O órgão já aderiu ao Programa de Uso Racional da Água para pagar menos e trocar os equipamentos. Mas, ao fim do contrato, voltou a desembolsar o preço da tarifa destinada aos clientes comuns. Até o mês passado, antes do aumento previsto em junho, o metro cúbico por diretoria de ensino, custava entre 13,41 e 13,97 reais, conforme o gasto – diferente dos “vips”, clientes comuns que gastam mais, pagam mais.

Para lidar com o racionamento, as unidades mudaram suas rotinas e houve ações de conscientização. Carolina Nogueira, diretora da escola municipal de educação infantil Clara Nunes, em Capela do Socorro, zona sul de São Paulo, vê a nova situação como permanente. “Lidamos com a falta de água como algo que veio para ficar. Independente das crises mais agudas, acabou a abundância”, diz.

Ela sabe que falta água no bairro porque uma das torneiras é ligada diretamente à rua, mas afirma que os pontos abastecidos pela caixa d’água não secam. Entre as mudanças de hábito, estão a troca da máquina de limpeza a vapor pela vassoura no pátio, a adoção de jarra de água nas salas para evitar desperdícios dos bebedouros e até o aproveitamento da água que cozinha os legumes para fazer arroz. “Fazemos um pouco de aperto, mas antes também havia desperdício. É uma questão de bom senso”, diz. Algo que parece faltar na hora de definir quem paga mais – ou menos – pela água no estado.

“Você pode estar vendo Israel com lentes cor de rosa”: Roger Waters escreve nova carta a Caetano

Roger Waters performs on stageDo Diário do Centro do Mundo

Roger Waters respondeu à carta de Caetano Veloso. Relembrando: o ex-líder do Pink Floyd escreveu a Caetano e Gil, pedindo que não façam show em Israel, em julho, por causa do “massacre contra os palestinos”. Caetano escreveu de volta. Depois de enfatizar sua oposição à “direita arrogante do governo israelense”, o baiano disse: “Nunca cancelaria um show para dizer que sou basicamente contra um país, a não ser que eu estivesse realmente e de todo meu coração contra ele. O que não é o caso. Eu me lembro que Israel foi um lugar de esperança. Sartre e Simone de Beauvoir morreram pró-Israel.” Aqui, a tréplica do músico inglês:

Querido Caetano,

Obrigado por tomar seu tempo para responder à minha carta. Diálogo é realmente importante. Eu vou responder aos pontos que você levantou. Temo que você possa estar vendo a política israelense com lentes cor-de-rosa. O fato é que, por muitas décadas, desde a Nakba (catástrofe, expropriação do povo palestino) em 1948, as políticas coloniais e racistas de Israel têm devastado a vida de milhões de palestinos.

O movimento BDS, ao qual estou pedindo que se junte, é um movimento global que demanda liberdade, justiça e igualdade para os palestinos. Está aumentando rapidamente por causa da crescente consciência internacional sobre a opressão que os palestinos têm suportado nesses últimos 67 anos. O atual regime de extrema direita de Netanyahu é apenas o último governo perpetrando atos cruéis de injustiça e colonização. Mas isso não é um problema apenas da direita. Foi, na verdade, o partido de esquerda Trabalhista que fundou o programa de assentamentos ilegais e que também falhou em acabar com a ocupação das terras palestinas e fazer a paz.

Em sua carta, você diz que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir acreditavam em Israel antes de morrer. Até pode ser, mas isso foi naquele tempo, talvez à época eles não soubessem ou não compreendessem a brutalidade da ocupação das terras palestinas e a subjugação de seu povo. No entanto, eu sei o seguinte, os assoalhos respingados de vinho e café do Café Flores e do Les Deux Magots hoje reverberariam com o som de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir revirando-se em seus túmulos ao ouvirem seus nomes usados em vão e pregados ao mastro da ocupação e opressão do povo palestino.

Você menciona o arcebispo emérito Desmond Tutu, ele está entre os que abraçam o BDS, já que ele observou as ações de Israel e tem profunda empatia com o povo palestino. Há, como ele apontou a você, um apartheid nos territórios ocupados que é tão definitivo e desumanizante como o que havia na África do Sul do apartheid, quando leis de passagem infames e racistas estavam em prática. Assim como na África do Sul, palestinos e seus direitos legais são definidos por sua origem racial ou religiosa. Você consegue imaginar uma coisa dessas no Brasil ou na Inglaterra ou nos EUA ou na Holanda ou no Chile, ou? Não. Por que não?

Porque é inaceitável, é por isso que não.

Caetano, se posso fazer uma pergunta, por que você não rejeitaria a cumplicidade com tamanha injustiça agora, assim como você certamente teria rejeitado o racismo branco contra a população negra da África do Sul nos anos 80?

Sua carta sugere que você acredita que seu futuro show em Tel Aviv pode ajudar a mudar a política israelense. Eu sugeriria que essa é uma posição ingênua. Infelizmente, não é apenas o governo israelense que precisa de uma mudança de mentalidade. Pesquisas indicam que impressionantes 95% do público judeu israelense apoiaram os bombardeios a Gaza em 2014 (561 crianças mortas), 75% não apoiam um Estado palestino baseado nas longamente negociadas fronteiras de 1967, e 47% acreditam que os cidadãos palestinos de Israel devem ser destituídos de sua cidadania.

Não, Caetano, tocar em Tel Aviv não vai mover o governo israelense ou a maioria dos israelenses nem um centímetro, mas vai ser visto como sua aprovação tácita ao status quo. Sua presença lá será usada como propaganda pela direita e proverá cobertura e apoio moral às políticas ultrajantemente racistas e ilegais do governo israelense.

É um dilema, eu sei, mas se você quer realmente influenciar o governo israelense, você se unirá a nós na linha de piquete do BDS. Nós estamos tendo um efeito poderoso, como você pode ver pela reação deles, os agressores vindo com toda a força para tentar esmagar nossas vozes de dissenso e nos silenciar.

Nós não seremos silenciados, somos fortes, e, juntos, nós podemos ajudar a libertar não só o povo palestino do jugo da opressão israelense, mas também o povo israelense da opressão de seu próprio excepcionalismo e dogma, que é fatal a ambos os povos.

Eu imploro a você para não proceder com sua participação em Tel Aviv. Em vez disso, tome a oportunidade de visitar Gaza e Cisjordânia e ver por você mesmo o que Sartre e Simone de Beauvoir não viveram para ver. Eu acredito que sua resolução de tocar em Tel Aviv se dissolverá em um mar de lágrimas e arrependimento.

Caetano, eu não conheço você, nunca nos encontramos pessoalmente, mas eu acredito que você tem boas intenções e não carrego nenhum ressentimento. Se você for a Tel Aviv, apesar de nossos apelos sinceros, e se você visitar Gaza ou os territórios ocupados, você pode muito bem ter uma epifania. Se você o fizer, por favor, nos procure, a todos nós, não só nas comunidades palestinas e judaicas, mas todos nós em solidariedade no Brasil e em outros lugares, todos nós no BDS por todo o mundo trabalhando por justiça e direitos iguais na Terra Santa. Nós iremos abraçá-lo.

Eu lhe agradeço de novo por se juntar a essa conversa. Por favor, vá e veja as coisas por si mesmo, mas sem se apresentar lá, sem cruzar a linha de piquete do boicote palestino. Talvez a UNRWA (agência da ONU para os refugiados palestinos) possa ajudar, eles certamente me ajudaram quando eu estava procurando a realidade. Vá e veja por você mesmo, você não terá que usar sua imaginação. A realidade é devastadora para além de qualquer coisa que você possa imaginar. Obrigado,

Seu colega,

Roger Waters


Luiz Müller

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