A importância simbólica do gesto de Manu ao ‘matar’ o Lula inflado

Por Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo

Manu

Que você faz diante de um boneco que para você simboliza o que há de pior – preconceito, ignorância, vulgaridade, calúnia e achincalhe?

A líder estudantil Manu Thomazielli descobriu uma resposta simples e eficaz: fura.
Manu, com a ousadia típica da juventude e de quem tem convicções, aplicou assim, com um furo, um contragolpe extraordinário nos extremistas de direita que estavam usando o boneco de Lula presidiário como um símbolo de sua campanha insolente contra a democracia.

Manu, que milita na União da Juventude Socialista, a UJS, virou instantaneamente, na tarde de sexta, uma vagaba comunista para os direitistas e uma heroína para os progressistas.

Isso ficou patente em sua conta no Facebook.

A Folha publicou seu nome, e os revoltados descobriram sua página no Facebook.

Manu sofreu um linchamento virtual. Os insultos mostram, acima de tudo, a mente tumultuada dos militantes arquiconservadores.

O local escolhido pelos fanáticos foram os comentários sob a foto de perfil que Manu postou depois de furar o boneco. Nela, está abraçada a Lula.

Demorou algum tempo para que simpatizantes da causa de Manu fossem em seu socorro no Facebook.

Mas eles chegaram, e a polarização que domina hoje o país se reproduziu, em escala reduzida, na página de Manu.

A mensagem mais expressiva pró-Manu veio de uma amiga sua de UJS.

Ela avisou: “E se encherem o boneco a gente fura de novo.”

Eis aí a força maior do gesto de Manu. Ela deixou clara a vulnerabilidade do Pixuleco, uma fragilidade tão grande quanto seu tamanho.

Um furo e a festa acaba.

Tudo indica, por isso, que o Pixuleco morreu ontem.

lula inflado

Era uma vez

Sobrou a zoeira típica da internet. O Sensacionalista anunciou que com a morte do boneco assume o Aécio de Papelão.

Um outro meme afirmou o seguinte. “Boneco inflado de Lula: 12 mil reais. Ver as minas da UJS acabar com a palhaçada: não tem preço.”

Entre as histórias, a maior delas ainda não confirmadas, em torno do episódio, uma é o retrato dos manifestantes.

O que contam é que os donos do boneco foram prestar queixa na polícia contra Manu por destruição de bem privado.

Um policial teria pedido a nota fiscal para formalizar a queixa. Mas cadê a nota fiscal?

Sonegação é um dos piores tipos de corrupção, mas isso parece ser um detalhe para os radicais da direita.

Para os progressistas, o gesto de Manu tem um forte significado simbólico. Finalmente alguém deu uma resposta, e que resposta, aos conservadores.

Manu deixou claro que não há motivo para os militantes progressistas ficarem de braços cruzados diante da escalada da extrema direita.

Sozinha, ela colocou de joelhos dezenas, centenas de fanáticos.

Duas fotografias contam tudo sobre a história.

Numa delas, está o boneco miseravelmente esvaziado.

Na outra, protegida por policiais da fúria dos revoltados, Manu aparece sorrindo, plácida, tranquila no meio do fragor que provocou.

Seu sorriso é de quem cumpriu uma missão, e muito bem.

Era como se ela dissesse aos que vociferavam xingamentos, como o grande general romano Mário diante de um bárbaro que o desafiara para um duelo: “Estão com raiva? Se matem. Eu estou muito bem.”

Viva a Justiça! Juízes declaram Chevron “inocente” por vazamento. “Não morreu um peixinho”!

POR  no TIJOLAÇO

chevron

Viva o Brasil! Viva a Justiça brasileira!

Graças a ela, o Brasil está sendo moralizado!

A Petrobras não vai escapar, vai ser desmontada até o último barril, não é?

Vamos entregar nosso petróleo, com as bençãos de José Serra, a empresas capazes e responsáveis, como a Chevron.

Sim, a Chevron, que acaba de ser inocentada pelo vazamento de petróleo no campo de Frade, em novembro de 2011.

Não houve, segundo os desembargadores federais do TRF da 2ª Região, que abrange o Rio de Janeiro e Espírito Santo,  crime ambiental  e muito menos omissão de informações, embora a extensão do vazamento só tenha sido conhecida porque uma organização internacional, a SkyTruth, do geólogo americano John Ames, provocada por este Tijolaço, que forneceu enviou as coordenadas geográficas do poço acidentado, mostrou, com fotos de satélite, a dimensão imensa da mancha de óleo.

O advogado da petroleira americana, Nélio Machado, ainda teve a cara-de-pau de declarar  “não ter morrido um só peixe em função do vazamento”, segundo o site Petronotícias, que apresenta uma detalhada cronologia da patranha sustentada pela Chevron desde que, descoberto o vazamento por trabalhadores da Petrobras que operavam em uma área próxima, a empresa alegava apenas que era uma “exsudação natural” de óleo do fundo do mar.

A imprensa brasileira, que noticiou quase à força o vazamento, agora esconde outra imensa mancha: a escandalosa decisão dos nossos intimoratos juízes.

Claro, foi tudo invenção dos blogs sujos!

Aquelas fotos que depois foram parar nos jornais eram montagens e, quem sabe, num raciocínio (perdão pela palavra) como o de Danilo Gentili é capaz de ter sido provocada por alguns nacionalistas que, para desmoralizar os grandes amigos norte-americanos, que fazem o favor de levar nosso petróleo, tenha arrumado um barquinho, comprado meia-dúzia de latinhas de óleo num posto de gasolina e ido lá, para alto-mar, derramá-las e criar aquela mancha imensa.

Vai ver esqueceram de comprar umas sardinhas no mercado para forjar um “peixicídio”, não é?

Que vergonha!

Toda a “punição” se resumiu a um “termo de ajustamento de conduta” – algo como aquele “eu juro. dputor,  que não roubo mais” com que outro juiz federal deixou Alberto Youssef livre depois do escândalo do Banestado – e alguma miserável “indenização”, paga com o próprio petróleo que tiram de lá.

Os senhores doutores do Judiciário gostam de dizer que “decisão judicial não se discute”, mesmo que seja de uma extrema ironia, nestes tempos, dizer-se que a Chevron tem as “mãos limpas”.

Está bem, obedeço.

Mas não há força no mundo que possa, afinal, nos impedir de sentir nojo dela, não é?

Acusação contra Aécio: pau que bate em Chico bate em Francisco?

Acusação a Aécio Neves foi completamente ignorada pelos jornais e pela grande mídia
Aécio-Neves

No caso de Aécio Neves, o silêncio da imprensa ensurdece

Da Carta Capital

Reconduzido a mais dois anos de mandato por 59 votos a 12, o procurador negou um acordão com o Palácio do Planalto paradenunciar Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e assim liquidar uma pedra no sapato do governo. Na longa sessão, driblou a oposição, ainda em busca de elementos para tentar derrubar Dilma Rousseff, e escapou dos petistas que reclamaram da seletividade do Ministério Público nas denúncias, pois próceres oposicionistas implicados no esquema têm sido solenemente ignorados, caso do senador tucano Aécio Neves.

No dia anterior, em depoimento à CPI da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef voltara a afirmar que o presidenciável do PSDB recebia propina de Furnas, estatal do setor elétrico, conforme lhe relatara o falecido José Janene, ex-deputado do PP, compadre do contraventor e sócio no esquema. Youssef foi bem detalhista: seriam 150 mil reais por mês, repassados à irmã de Aécio Neves. É um relato muito mais preciso do que as referências ao ex-presidente Lula e a Dilma. Nesses casos, o doleiro afirmou acreditar que, dadas as circunstâncias e a magnitude da roubalheira, eles deveriam saber do esquema.

Ao menos em relação ao comportamento dos meios de comunicação, está provado: pau só dá mesmo em Chico, nunca em Francisco. Se as ilações contra Lula e Dilma mereceram extensa cobertura midiática às vésperas das eleições do ano passado, a acusação contra o tucano foi completamente ignorada pelos jornais. Silêncio ensurdecedor.

O reconduzido procurador-geral diz não fazer distinção entre investigados / Crédito: Geraldo Magela

Tucanato se auto depenando: Além do pugilato tucano durante a CPI do Carf

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Do Paulo Moreira Leite

Num Congresso que abriu 22 CPIs em 2015, a audiência de ontem à tarde na CPI que investiga denúncias de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) prometia encerrar-se com uma encenação igual a todas as outras.

Chamado para dar seu testemunho, um ex-conselheiro do CARF apresentou um habeas corpus obtido no Supremo que lhe garantia o direito de permanecer calado. Até aí, nada de novo. A reação do senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), presidente da CPI, também ocorreu dentro do roteiro já esperado nessas horas. Ataídes mostrou-se irritado, indignado e agressivo. Sem medir palavras, disse que a CPI “vai continuar a persegui-lo de perto.”

A novidade ficou por conta do senador Cássio Cunha Lima, líder do PSDB. Presente à cena, ele passou um corretivo público no colega. Entre outras afirmações, o líder tucano disse que o presidente da CPI deveria “perseguir os fatos, não as pessoas.” Disse ainda que os resultados da investigação “não devem ser construídos com constrangimento.” Obrigado a se defender numa situação que poderia evoluir para uma humilhação pública, Ataídes devolveu a crítica. Primeiro, reclamou que o líder tucano não costuma dar as caras com muita frequência nos trabalhos. “Vossa excelência não tem participado da nossa comissão”, disse. Ataídes ainda completou a insinuação de que Cunha Lima agira de caso pensado: “Hoje aparece aqui. Acho que o senhor veio para fazer isso.”

Aos brados, Cunha Lima rebateu, lembrando, mais uma vez, a importância de se assegurar uma postura civilizada perante os depoentes: “Vossa excelência me respeite. Respeite a mim e respeite quem é investigado.” Não adiantou muito. Ao ser lembrado que, entre outras coisas, devia a presidência da CPI à liderança do PSDB — ou seja, ao próprio Cássio Cunha Lima –, Ataídes retrucou: “Vossa excelência é meu líder lá fora. Não vai determinar o que faço aqui.”

O diálogo de ontem, que reproduzo com base numa reportagem de Vandson Lima, do Valor Econômico, tem muito a ensinar sobre bons e maus modos nas CPIs. Não se trata de uma questão de etiqueta.

O desrespeito é uma atitude política, de quem aceita métodos truculentos para fazer avançar seus interesses políticos — e nós sabemos muito bem até onde se quer chegar com esse tipo de exemplo. A postura de Cunha chama a atenção porque não tem sido comum nos dias atuais, em particular nas audiências onde aliados do governo Dilma prestam depoimento.

O PSDB, o DEM, o PMDB-Cunha e seus aliados têm uma tropa de choque ocupada em usar a liberdade de expressão assegurada aos parlamentares para tentar humilhar, agredir e ameaçar depoentes. Eles não costumam respeitar o habeas corpus obtido no STF e promovem cenas de execração pública de testemunhas que têm o direito consticucional ao silêncio e deveriam ser dispensadas sem muita demora. Assistiram com um sorriso cúmplice a montagem de um circo fascista — inclusive com ratos — durante o depoimento de João Vaccari Neto à CPI da Petrobrás. Nenhum abriu a boca para exigir um tratamento digno com a testemunha, atitude que ajuda a dar uma postura de violência e ódio incompatível com os valores democráticos.

Não é preciso procurar nenhuma motivação oculta para explicar a postura do líder do PSDB ontem, de confrontar um colega de partido que agia de acordo com um manual de mau comportamento típico para a ocasião. Ao pedir um tratamento civilizado diante de uma testemunha, por mais negras que possam ser as suspeitas lançadas contra ela, Cunha Lima agiu corretamente.

O futuro dirá se foi um gesto específico, num caso particular, ou se envolve uma postura de responsabilidade e respeito pelo Congresso.

Alguns fatos merecem uma reflexão maior, porém. Alimentada pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, a CPI do Carf não está focalizada no PT, alvo político que uma oposição derrotada quatro vezes nas urnas pretende destruir de qualquer maneira. Seu objeto é uma máquina que movimenta 6 bilhões de reais a cada três meses entre grandes empresas com dívidas pesadas junto a Receita, escritórios de consultoria, pagamentos legítimos por serviços prestados e um imenso esquema de suborno, como fica demonstrado, inclusive, por grampos telefônicos explícitos, envolvendo as partes interessadas, onde pode-se ouvir combinações sobre o favor a ser prestado e o preço a ser cobrado.

Se você somar todos os débitos acumulados com a receita, em todos os níveis administrativos, chegará a R$ 2,2 trilhões. O PIB brasileiro, que é a soma de toda a riqueza do país, é de R$ 5,5 trilhões.

Na mesma linha da jurisprudência Cássio Cunha Lima (“respeite a mim e respeite quem é investigado”), você não vai ler aqui os nomes dos casos mais chamativos, já que a investigação não foi concluída. Mas para ter uma idéia, é bom saber que uma multinacional de automóveis havia recebido uma multa de R$ 269 milhões. Após investir R$ 20 milhões numa firma de consultoria, conseguiu um desconto de 99,5%, pagando apenas R$ 900 000. Um dos maiores grupos regionais de comunicação do país livrou-se de uma multa de meio bi com quatro pagamentos que totalizaram R$ 12 milhões. Em dinheiro vivo, sacado na boca do caixa.

Do ponto de vista político, a CPI caminha sobre areia movediça, na qual é grande o risco de atirar em quem se vê, acertar quem não se esperava — e afundar junto. Num país onde grandes empresas privadas — que têm tem seus “problemas com a Receita” — também são grandes financiadoras de campanha, todo cuidado é pouco.

Num levantamento precioso, o jurista Heleno Torres, professor da Universidade de São Paulo, demonstra que uma causa bem defendida contra a Receita leva 20 anos para terminar. A etapa no CARF leva oito anos. É importante porque é ali que se julga o mérito das partes, que irá definir quem ganhou, quem perdeu.

PELA 1ª VEZ, LULA ASSUME SUA CANDIDATURA EM 2018

: “Não posso dizer que sou, nem que não sou [candidato]. Sinceramente, espero que tenha outras pessoas para serem candidatas. Agora, uma coisa pode ficar certa. Se a oposição pensa que vai ganhar, que não vai ter disputa e que o PT está acabado, ela pode ficar certa do seguinte: se for necessário, eu vou para a disputa e vou trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições”, afirmou o ex-presidente nesta manhã, em entrevista à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte; Lula recomendou à oposição que tenha “paciência”; “Eu perdi três eleições, voltava para casa. Eu não ficava xingando as pessoas. Eu não ficava falando palavrão. Eu ia para casa me preparar”, lembrou; Lula disse ainda que “ninguém quer mais golpe neste País”Lula

Minas 247 – O ex-presidente Lula admitiu na manhã desta sexta-feira 28, pela primeira vez, que deverá concorrer novamente à presidência da República em 2018, a fim de “trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições”.

A declaração foi feita em entrevista à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Lula está na cidade de Montes Claros, onde participou ontem do 1º Encontro dos Povos das Gerais, com o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT).

“Não posso dizer que sou, nem que não sou [candidato]. Sinceramente, espero que tenha outras pessoas para serem candidatas. Agora, uma coisa pode ficar certa. Se a oposição pensa que vai ganhar, que não vai ter disputa e que o PT está acabado, ela pode ficar certa do seguinte: se for necessário, eu vou para a disputa e vou trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições”, afirmou Lula.

“A oposição tem que ter paciência neste país. Eu perdi três eleições, voltava para casa. Eu não ficava xingando as pessoas. Eu não ficava falando palavrão. Eu ia para casa me preparar. Como diria o [Leonel] Brizola [1922-2004], se estive vivo, eu ia para casa lamber minhas feridas, ou seja, para me preparar para a outra eleição. Foi assim que eu fiz durante 12 anos. A oposição precisa parar de resmungar, tem de parar de xingar a presidenta, ela tem que torcer para que esse país melhore”, acrescentou.

Reafirmando o que disse no discurso desta quinta, Lula ressaltou que “ninguém quer mais golpe neste país. Quem quiser ser candidato à Presidência da República que espere 2018, dispute democraticamente e vê se ganha as eleições”. O ex-presidente declarou não acreditar na interrupção do mandato da presidente Dilma Rousseff antes de 2018, como quer a oposição.

“Não acredito em impeachment da presidente Dilma. Acredito que as dificuldades que nós estamos passando agora serão vencidas na medida que a economia comece a se recuperar e os programas anunciados pela presidenta Dilma comecem a dar resultado”, afirmou.

A viagem a Montes Claros é o início de um tour que o ex-presidente fará pelo País em um momento de forte rejeição à presidente Dilma, conforme anunciou em maio deste ano. Na noite desta sexta-feira, ele participa de um evento conjunto entre a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a União Estadual dos Estudantes (UEE) em Belo Horizonte. Nas viagens pelo País, segundo Lula, o tema central a ser discutido é a educação

“É necessário reverter esse quadro de imobilismo político e administrativo em que vive o país e o governo” (Ronald de Freitas)

protestos-dilma-rousseffRonald Freitas, membro do Comitê Central do PCdoB, fez uma lúcida intervenção sobre a realidade política do nosso país, na última reunião do CC ocorrida entre os dias 14 a 16 de agosto. Além de uma reflexão do quadro político e do papel das instituições basilares da República, o amigo Freitas, ressalta caminhos para o enfrentamento da crise política. Vale a pena a Leitura.

Notas sobre a intervenção na reunião do Comitê Central do PCdoB

Ronald Freitas*

Vivemos em nosso país, nos dias que correm, uma crise capitalista (interna e externa), e uma crise do projeto político que se iniciou com a vitória de Lula em 2002.

Nossos documentos e resoluções têm fundamentado vários aspectos da crise sistêmica do capitalismo, seja na sua manifestação geral, mundial, seja na sua manifestação nacional.

Já a crise que enfrenta o projeto iniciado pelo governo Lula e continuado por Dilma, embora tenha sido objeto, por nós, de repetidas analises e proposições de ações políticas, voltadas para superar a ofensiva conservadora e fazer avançar o nosso projeto, não temos conseguido êxito nesse intento e a crise do governo Dilma tem se agravado continuamente. O governo tem colhido seguidas derrotas no parlamento, nas esferas do judiciário, e mesmo junto os movimentos sociais.

Creio que a crise em que vive o ciclo dos governos Lula e Dilma, ainda está a merecer de nossa parte, uma compreensão mais acurada e multilateral de suas causas e características, para que possamos buscar posicionamentos mais adequados à ação partidária nesse terreno.

As propostas de constituição de uma ampla frente política, que defenda a democracia, e nos faça retomar a iniciativa política, tem esbarrado, numa realidade de correlação de forças políticas que não tem favorecido a esse tipo de proposição.

O enfraquecimento do poder executivo, que permite uma forte fragmentação do poder central do estado e em decorrência, um desequilíbrio entre os três poderes básicos do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Um congresso nacional hegemonizado por forças conservadoras primarias. Uma atuação altamente politizada e no essencial conservadora, do Poder Judiciário, com destaque para a mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal. A emergência e autoafirmação de poderes emanados ou fortalecidos pela constituição de 1988, como MP (Federal, Estaduais e municipais); Controladorias Gerais; Tribunais de Contas; e mesmo órgãos constitucionalmente subordinados ao poder executivo como: PF, Ibama e Agências Reguladoras, que cada vez mais atuam de forma autônoma. O desenrolar de uma crise econômica, que leva o governo a ter que tomar medidas que se chocam com interesses fundamentais de sua base social, gerando fortes insatisfações nela, que se manifestam em apoio relativo ao executivo nesse momento. A amplificação intensa de fatos desenrolados em torno da chamada “operação Lava Jato”. Alguns erros de procedimento e condução política, por parte do governo. Junto com uma vitória política apertada quando da eleição de Dilma a presidência, criaram as condições suficientes e necessárias para que as oposições parlamentares e partidárias, com forte respaldo na mídia conservadora, nas elites econômicas empresariais, principalmente a do mercado financeiro, e nos círculos reacionários da sociedade, deflagrassem um forte movimento golpista, cujo objetivo central é inviabilizar o governo Dilma, destruir a liderança de Lula, fragilizar o PT, e retomar o controle do aparato do estado nacional, pondo-o, como sempre foi ao seu serviço.

Diante desse quadro, creio que o esforço que as forças progressistas e populares têm desenvolvido, seja na atuação parlamentar, seja nas mobilizações dos movimentos sociais tem surtido pouco efeito. Temos sofrido derrotas em cima de derrotas, sem que as manobras parlamentares que tentaram desativá-las fossem exitosas, sem que as mobilizações sociais voltadas a barrá-las tenham alcançado densidade suficiente para impedi-las. Creio que se faz necessário aprofundarmos nossas orientações táticas e políticas, a fim de avançarmos nessa resistência.

A nossa atuação política, termina sendo absorvida pelo imediatismo dessa conjuntura de crise que reflete a realidade imediata de agravamento da crise econômica, da agressividade das oposições, de um congresso com baixa categoria, que se limita ao jogo do “toma lá dá cá”. Diante disso, lançamos o apelo que se forme uma ampla frente política em defesa da democracia e do Governo Dilma. Orientação justa e necessária, mas que tem encontrado pouco eco nas forças progressistas da sociedade. Estas, em sua maioria, estão preocupadas em defender aspectos particulares de seus interesses, e que pautam sua atuação a margem de um plano político, que tenha a construção do Brasil, como uma Nação soberana, democrática e socialmente justa, como norte e foco de atuação.

Considero necessário, em complemento e fortalecimento, do trabalho de defesa das nossas posições nas frentes onde atuamos, passarmos a denunciar a profunda crise de organização do Estado Nacional Brasileiro, que vai se caracterizando por uma descaracterização dos papeis relativos dos poderes da república, com a fragilização do executivo, da hipertrofia política do judiciário, do reacionário protagonismo do legislativo, e com a emergência de outros centros de poder, que derivado de interesses corporativos e/ou motivados em falso moralismo, se consideram, redentores da Pátria, refundadores da Republica etc., mas que em realidade não passam de marionetes, conscientes ou não desse papel, das elites tradicionais, em seu desiderato de derrotar o ciclo político iniciado, em 2002, com a vitória de Lula.

Diante disso, vejo como necessário que camaradas nossos que detêm mandados parlamentares, executivos e outros, e que sejam lideranças dos movimentos sociais, venham a público em defesa concreta, do governo Dilma, mas também contra as arbitrariedades e inconstitucionalidades que em nome da justiça se praticam, particularmente na esfera da Operação Lava Jato, mas também em outras esferas de poder, como na atuação momentânea do TCU, com relação das contas do governo Dilma.

Denunciarmos, a atividade antinacional e antiprogresso, de certos órgãos da república, que, com um comportamento burocrático, entravam o andamento de obras de grande relevância para o desenvolvimento de nosso país, como hidroelétricas, estradas, aeroportos, etc.

Procurarmos criar as condições políticas e legais, para que diferentes esferas do poder atuem de forma sinérgica e não antagônica, nas análises e deliberações de projetos de interesse nacional.

Chama a atenção que diante dos reiterados vazamentos da operação lava jato, o máximo que elevadas autoridades do governo e do PT conseguem falar à guisa de denúncia, é que falta isonomia nos vazamentos. Até que ponto isso é ingenuidade politica, ou não passa de grosseiro erro político, que na pratica, consiste em abdicar do dever de governar o Brasil de acordo com a delegação da maioria de seu povo. Obvio que vivemos numa situação de correlação de forças interna e externa que nos impõe duros limites de governabilidade, do que decorre a vital necessidade de ampliarmos ao máximo o leque de alianças para poder levar o governo a bom termo. Mas, muito diferente é perder o controle dos órgãos governamentais subordinados ao poder executivo, ou se tornar refém de outros poderes da república, em nome de uma difusa e liberal forma republicana de governar. Ou, o que é também muito grave, enclausurar-se em palácio, enquanto as oposições se tornam agressivas.

Isso e necessário mudar, sobre pena de quem mudará é o governo.

A necessidade de reverter esse quadro de imobilismo político e administrativo em que vive o país e o governo, é de alcance estratégico, e condição para podermos reverter a onda de pessimismo em que vivemos.

E essa é sem dúvida uma trincheira de luta, irrecusável para os comunistas.

São Paulo, 16/08/2015

*Ronald Freitas é membro do Comitê Central do PCdoB

Mujica é aclamado por milhares de estudantes no Rio

mUJICAO ex-presidente do Uruguai, José Mujica, foi aclamado nesta quinta-feira por milhares de estudantes que lotaram o anfiteatro da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Atônito perante a sonora ovação com que foi recebido pelos estudantes que tomaram tanto o anfiteatro como um estacionamento vizinho onde seu discurso foi retransmitido em um telão, Mujica quis deixar claro desde o princípio, já com suas primeira palavras, que “ninguém é melhor que ninguém”.
“Aos 80 anos eu não venho buscar aplausos, venho acender o pavio da militância pelas causas nobres”, declarou Mujica perante os estudantes da universidade e vários curiosos.

O ex-presidente, que governou o Uruguai entre 2010 e 2015, disse aos jovens que seu futuro depende da “clareza” que tenham em seu atual momento, quando estão formando-se como pessoas, e lhes convidou não só a “sonhar”, mas também a “lutar” para assim poder criar “ferramentas políticas de compromisso coletivo”.

“Não cometam os erros da minha geração, cometam os seus”, pediu o ex-guerrilheiro, cuja passagem pelo grupo Tupamaros lhe deixou de lembrança seis ferimentos de bala e os 14 anos de prisão cumpridos durante a ditadura uruguaia.

Mujica sugeriu aos presentes que desconfiem dos “apaixonados pelo dinheiro” e busquem valores que estão muito acima da posse material, já que a atual civilização, disse, “não tem consciência, tem caixa-forte”.

O ex-presidente uruguaio, que estava no Rio para receber o prêmio Personalidade Sul 2015, concedido pela Federação de Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (Federasur), falou também sobre os grandes problemas que, segundo ele, lastram o continente.
“O maior problema da América Latina é a desigualdade”, ressaltou este presidente que durante seu mandato ganhou o coração de milhões de pessoas no mundo todo graças a sua simplicidade e austeridade.

De acordo com o ex-presidente uruguaio, a América do Sul “está convulsionada”, não só pela ameaça da direita, mas também pela falta de união, tanto das forças políticas de esquerda, como dos países que formam o continente.

“Vocês não têm porquê deixar de ser brasileiros, mas têm que ser também latino-americanos”, disse Mujica aos estudantes, respondendo sem saber a uma das principais inquietações que se podia sentir na plateia.

“Esperamos que fale da situação da América Latina e de novas possibilidades para sua configuração política”, declarou à Agência Efe momentos antes do início da conversa a professora de História da UERJ, Carina Martins Costa.

No entanto, além do discurso de irmandade continental no qual condenou “movimentos golpistas”, Mujica enfatizou que “é preciso começar a pensar como espécie, não como país”.

O ex-presidente uruguaio, que aceitou perguntas do público, foi questionado por alguns temas em debate no Brasil, como a redução da maioridade penal e a descriminalização do consumo de maconha.

Em relação à redução da maioridade penal dos 18 aos 16 anos, Mujica deixou claro que “não considera um caminho ideal”, e menos na América Latina onde as prisões são autênticas “universidades do crime”.

Quanto à maconha, Mujica esclareceu que o que se aprovou sob seu mandato no Uruguai em 2014 foi “sua regulação, não sua legalização”, já que,

apesar da importância de tirar o consumo da clandestinidade, o ex-presidente afirmou não crer “que nenhuma dependência seja boa, exceto a do amor”.

Com Informações do PORTAL TERRA


Luiz Müller

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