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Boaventura: Esquerdas precisam superar indisponibilidade para reflexão

Pescado do RS URGENTE

Boaventura de Sousa Santos (*)

Quando estão no poder, as esquerdas não têm tempo para refletir sobre as transformações que ocorrem nas sociedades e quando o fazem é
sempre por reação a qualquer acontecimento que perturbe o exercício do poder. A resposta é sempre defensiva. Quando não estão no poder, dividem-se internamente para definir quem vai ser o líder nas próximas eleições, e as reflexões e análises ficam vinculadas a esse objetivo.

Esta indisponibilidade para reflexão, se foi sempre perniciosa, é agora suicida. Por duas razões. A direita tem à sua disposição todos os intelectuais orgânicos do capital financeiro, das associações empresariais, das instituições multilaterais, dos think tanks, dos lobbistas, os quais lhe fornecem diariamente dados e interpretações que não são sempre faltos de rigor e sempre interpretam a realidade de modo a levar a água ao seu moinho. Pelo contrário, as esquerdas estão desprovidas de instrumentos de reflexão abertos aos não militantes e, internamente, a reflexão segue a linha estéril das facções.

Circula hoje no mundo uma imensidão de informações e análises que poderiam ter uma importância decisiva para repensar e refundar as esquerdas depois do duplo colapso da social-democracia e do socialismo real. O desequílibrio entre as esquerdas e a direita no que respeita ao conhecimento estratégico do mundo é hoje maior que nunca.

A segunda razão é que as novas mobilizações e militâncias políticas por causas historicamente pertencentes às esquerdas estão sendo feitas sem qualquer referência a elas (salvo talvez à tradição anarquista) e muitas vezes em oposição a elas. Isto não pode deixar de suscitar uma profunda reflexão. Essa reflexão está sendo feita? Tenho razões para crer que não e a prova está nas tentativas de cooptar, ensinar, minimizar, ignorar a nova militância.

Proponho algumas linhas de reflexão. A primeira diz respeito à polarização social que está a emergir das enormes desigualdades sociais. Vivemos um tempo que tem algumas semelhanças com o das revoluções democráticas que avassalaram a Europa em 1848. A polarização social era enorme porque o operariado (então uma classe jovem) dependia do trabalho para sobreviver mas (ao contrário dos pais e avós) o trabalho não dependia dele, dependia de quem o dava ou retirava a seu belprazer, o patrão; se trabalhasse, os salários eram tão baixos e a jornada tão longa que a saúde perigava e a família vivia sempre à beira da fome; se fosse despedido, não tinha qualquer suporte exceto o de alguma economia solidária ou do recurso ao crime. Não admira que, nessas revoluções, as duas bandeiras de luta tenham sido o direito ao trabalho e o direito a uma jornada de trabalho mais curta. 150 anos depois, a situação não é totalmente a mesma mas as bandeiras continuam a ser atuais.

E talvez o sejam hoje mais do que o eram há 30 anos. As revoluções foram sangrentas e falharam, mas os próprios governos conservadores que se seguiram tiveram de fazer concessões para que a questão social não descambasse em catástrofe. A que distância estamos nós da catástrofe? Por enquanto, a mobilização contra a escandalosa desigualdade social (semelhante à de 1848) é pacífica e tem um forte pendor moralista denunciador.

Não mete medo ao sistema financeiro-democrático. Quem pode garantir que assim continue? A direita está preparada para a resposta repressiva a qualquer alteração que se torne ameaçadora. Quais são os planos das esquerdas? Vão voltar a dividir-se como no passado, umas tomando a posição da repressão e outras, a da luta contra a repressão?

A segunda linha de reflexão tem igualmente muito a ver com as revoluções de 1848 e consiste em como voltar a conectar a democracia com as aspirações e as decisões dos cidadãos. Das palavras de ordem de 1848, sobressaíam liberalismo e democracia. Liberalismo significava governo republicano, separação ente estado e religião, liberdade de imprensa; democracia significava sufrágio “universal” para os homens. Neste domínio, muito se avançou nos últimos 150 anos. No entanto, as conquistas têm vindo a ser postas em causa nos últimos 30 anos e nos últimos tempos a democracia mais parece uma casa fechada ocupada por um grupo de extraterrestres que decide democraticamente pelos seus interesses e ditatorialmente pelos interesses das grandes maiorias. Um regime misto, uma democradura.

O movimento dos indignados e do occupy recusam a expropriação da democracia e optam por tomar decisões por consenso nas sua assembleias. São loucos ou são um sinal das exigências que vêm aí? As esquerdas já terão pensado que se não se sentirem confortáveis com formas de democracia de alta intensidade (no interior dos partidos e na república) esse será o sinal de que devem retirar-se ou refundar-se?

(*) Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Protestos pós-eleição podem desencadear “Primavera Russa”

Pescado do Correio do Brasil

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RússiaOs protestos contra as fraudes das eleições de domingo podem dar início a uma revolta em nível nacional, uma espécie de “Primavera Árabe”

Manifestantes convocaram uma nova onda de protestos quarta-feira na Rússia, em repúdio às eleições parlamentares realizadas no último domingo. Observadores do pleito alegam que houve manipulação dos resultados eleitorais, que teriam favorecido o partido do premiê Vladimir Putin, vencedor das eleições.

Nesta quarta, o ex-líder do período soviético Mikhail Gorbachev pediu que as eleições de domingo fossem anuladas e refeitas. “Os líderes do país devem admitir que houve inúmeras falsificações e fraudes, e que os resultados não refletem a vontade popular”, acusou Gorbachev.

Em artigo para a BBC, Konstantin von Eggert,apresentador e comentarista da rádio privada Kommersant FM, de Moscou, comenta a dimensão dos protestos e a possibilidade de eles darem início a uma Primavera Russa.

– Estaríamos testemunhando uma ‘Primavera Russa’ neste inverno? Eu não tenho a certeza de que os acontecimentos na Rússia refletirão aqueles do mundo árabe, mas uma coisa é certa: o que nós vimos (nos protestos iniciados) em 4 de dezembro foi uma volta à vida da política russa, uma política que todos pensavam que estava em coma. –, afirmou.

– Pelo segundo dia consecutivo, em Moscou e em São Petersburgo, testemunhamos o tipo de protestos pró-democracia que essas cidades não viam desde o turbulento início dos anos 1990. E, embora o resultado esteja longe de ser claro, algumas poucas coisas estão começando a ficar nítidas. –, disse o radialista.

Ainda segundo ele, “Esta eleição se revelou um referendo de-facto para o partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vladimir Putin, e para a sua década no poder.”

– Mesmo que acreditemos que os resultados oficiais não deixem dúvidas – o que definitivamente não é o caso -, um sinal muito importante foi enviado à classe que governa o país. –, acrescentou.

A votação de dezembro pode ser vista como um tipo de ‘marco zero’ para as eleições presidenciais da Rússia, marcadas para março de 2012. Por esta razão, Putin é considerado o grande favorito para ganhar um terceiro mandato no poder, mas a eleição parlamentar colocou isso em dúvida.

– Se, em março, Putin entrar em algum tipo de “batalha fictícia” semelhante a aquelas da maioria das eleições anteriores, ele perderá ainda mais credibilidade. Ele pode ter feito uma aposta, abrindo espaço para uma concorrência genuína e seguindo um tipo de estratégia ‘Putin 2.0′, uma manobra que, segundo seus aliados, ocorrerá eventualmente. No entanto, se ele fizer isso, terá de optar por uma liberalização geral em vez de uma liberalização cosmética, e estar preparado para enfrentar uma barragem de críticas. –, acrescentou Von Eggert.

Conhecendo o líder russo, este é um cenário bastante improvável. Putin, ao que parece, terá de confrontar violentamente a dissidência, ou então enfrentar a insatisfação cada vez maior das massas e um desapontamento cada vez maior com sua capacidade de controlar a situação de dentro da classe governante.

Classe média nascente

Há também alguns outros novos acontecimentos. Esta foi a última eleição na qual a TV controlada pelo Estado cumpriu um papel decisivo. A penetração da internet na Rússia já cresceu enormemente, e, até 2016, ano de um novo processo eleitoral, entre 75% e 80% dos eleitores terão acesso à rede.

– Embora 80% ou 90% dos usuários naveguem na internet em busca de fofocas de celebridades, namoro online ou compras, os cidadãos com consciência política têm agora uma plataforma livre para entrar em debates e se organizar–, frisou Von Eggert.

Desmascarar as fraudes eleitorais teria sido impossível sem smartphones, Facebook e Twitter. O ativismo online tornou a autoorganização offline não só possível, mas efetiva para os opositores.

Por isso, diz ainda o comentarista russo, “é possível que o governo tente apresentar propostas de lei restritivas para a internet, algo a ser observado em 2012”.

Esta também foi a primeira eleição russa na qual a nascente classe média do país – feita de pessoas autossuficientes, que falam inglês, operam iPads e estão na casa dos 30 anos – realmente saiu para votar.

Esta é a geração que se beneficiou do boom do petróleo ocorrido durante a Presidência de Putin, entre 2000 e 2008; mas a crise econômica, a estagnação política e a corrupção fizeram com que elas se virassem contra o regime.

– Essas pessoas são uma minoria, com uma influência cada vez maior nas grandes cidades, que é onde a política real acontece. Essas pessoas são o futuro da Rússia, e o Kremlin as perdeu, irrevogavelmente. Enquanto isso ainda possa não ser uma “Primavera Russa”, a classe governante da Rússia foi engolfada por uma crise de legitimidade, e eu não consigo prever o fim disso para breve–, conclui.

#OccupyWallStreet – Depois da Praça Tahir (Egito) e Porta do Sol (Espanha) a “Primavera” chega aos Estados Unidos

Esta eu reproduzo do mesmo jeito que recebí. Não acho que a revolução seja fácil e nem acho que ela aconteça da noite para o dia, mas é muito bom saber que também na seara do império a cidadania se levanta para protestar. Assim como a Revolução do Jasmim levantou o povo árabe, este movimento no seio do império começa a sinalizar movimentos maiores. É saudável a mobilização popular, em especial quando ela acontece para exigir democracia. Saúdo este movimento. É tempo de rebeldia. É tempo de mobilização. E é tempo da esquerda elaborar o caminho necessário para que o mundo saia do atoleiro em que foi jogado pelo neoliberalismo capitalista.

Reproduzo o texto na íntegra, como o recebí do Lúcio Uberdan do #BlogProgRS.

Como os nossos irmãos e irmãs no Egito, Grécia, Espanha e Islândia, que planeja usar a tática revolucionária Primavera árabe de ocupação em massa para restaurar a democracia na América. Nós também encorajamos o uso de não-violência para alcançar nossos objetivos e maximizar a segurança de todos os participantes.

Convocado inicialmente pela Adbusters em julho, o chamado para a ocupação pacífica de Wall Street ganhou força em outros coletivos como o Anonymous,  the NYC General Assembly  e a US Day of Rage, desde então centenas de pessoas somaram-se a convocação pelo início das manifestações que atendem por “Ocupe Wall Street”. Usa-se basicamente as redes sociais digitais para a mobilização, no Twitter usa-se a tag  #OccupyWallStreet para agregar e espalhar a informação pelas redes de contato.

Ocupam Wall Street é movimento de resistência sem líder com pessoas de muitas cores, sexos e orientações políticas. A única coisa que todos nós temosem comum é que somos os 99% que não vai mais tolerar a ganância eacorrupção do 1%.

A motivação no chamado é pela recuperação da “democracia”, combate a corrupção”, e defesa do trabalho autogestionário como forma de enfrentamento a “crise econômica” que passa o planeta, em especial os Estados Unidos, país que vem mês a mês batendo recordes de desemprego e crescimento de taxas de pobreza absoluta. A seguir itens da “avaliação” que está na chamada do site principal https://occupywallst.org/:

2. Se você concorda que uma pessoa tem direito ao suor dos seus rostos, que ser talentoso em gestão não deve autorizar outros a agir como bispos e senhores, que todos os trabalhadores devem ter o direito de se envolver nas decisões, democraticamente, então você pode ser um um de nós.

5. Se você concorda que o Estado ea corporação são apenas dois lados da mesma estrutura de poder opressivo, se você perceber como a mídia distorce as coisas para preservá-lo, como ele coloca o povo contra o povo para permanecer no poder, então você pode ser um de nós.

A chamada segue com a convocação e sua linha principal:

1. Fazemos um apelo para protestos para permanecer ativo nas cidades. Aqueles que já estão lá, para crescer, para organizar, para levantar consciências, para aqueles municípios onde não há protestos, por protestos de organizar e perturbar o sistema.

2. Nós chamamos para que os trabalhadores não só atacar, mas aproveitar seus locais de trabalho em conjunto, e organizá-los democraticamente. Fazemos um apelo para alunos e professores para atuar em conjunto, para ensinar democracia, não apenas os professores para os alunos, mas os alunos para os professores. Para aproveitar as salas de aula e mentes livres juntos.

3. Apelamos para os desempregados, para voluntários, para aprender, para ensinar, para usar o que eles têm habilidades para se sustentar, como parte do povo revoltante como uma comunidade.

4. Chamamos para a organização das assembléias das pessoas em cada cidade, cada praça pública, a cada município.

5. Apelamos para a apreensão e uso de prédios abandonados, das terras abandonadas, de todos os bens apreendidos e abandonados por especuladores, para o povo, para cada grupo que vai organizá-los.

Como no seus pares Tahir e Porta do sol, a ocupação de Wall Street usufruiu da tecnologia, em especial da internet, diferencial que deverá ser potencializado no caso americano. A atitude vai além da tag da manifestação, o coletivo criou um email 9.17occupywallstreet @ gmail.com para contato, e um fone (877) 881-3020 - sem registro da ligação para dúvidas, informes e orientações rápidas. Compõem também o arsenal pacífico um grande número de cartazes e até um manual que orienta o ato, a cobertura de fotos também está excelente via FlickR (AQUI) mas o ponto alto é a transmissão ao vivo, assim como na Porta do Sol do M15 da Espanha, a ocupação está sendo transmitida em vídeo pela internet via canal Global Revolution (AQUI).

Sigamos acompanhando e comentando em posts futuros, por certo a mídia dará pouca repercussão, os blogs levarão a notícia então. Segue abaixo mais cartazes, o movimento prossegue.

Leia também: “Ocupar Wall Street: Protestos de massa chegam aos EUA” Por Idelber Avelar na Revista Fórum.

 

Um trabalhador negro inglês fala sobre a rebelião da juventude inglesa!! Um vídeo Forte e contundente!!

Uma cortina de silêncio caiu sobre o Oriente Médio

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Multidão em protesto nas ruas de Londres

Nos últimos dias ninguém sabe mais o que aconteceu no Oriente Médio, no Golfo Árabe e na Líbia. Não se tem mais notícias sobre como estão as revoltas populares no Qatar, no Bahrein e no Iêmen. A Síria tomou conta do noticiário. Seu ditador, Bashar al Assad, mantém uma repressão que mata, sistematicamente, dezenas e dezenas de pessoas por semana.

Mas, nem a Liga Árabe nem a Europa falam em intervenção na Síria. Talvez pelo fracasso da aventura na Líbia, que já vai para seis meses de destruição massiva e indiscriminada do país sem saída. Não conseguiram o que as potências ocidentais queriam: derrubar o presidente Muamar Kaddhafi.

O que os aventureiros conseguiram foi montar um simulacro de poder com um Conselho Nacional de Transição (a chamada oposição), que mais parece uma reunião de ex-auxiliares do presidente Muamar Kaddhafi e um bando, as chamadas tropas rebeldes, semelhante a um exército de Brancaleone.

Enquanto isso, a Europa pega fogo. Já não são mais os “Indignados” (movimento que surgiu na Espanha, a partir de mobilização via Internet) de Madrid e Paris. Já não são mais as centrais sindicais em Lisboa e em Roma. É a juventude desempregada e humilhada da Grã-Bretanha que se rebela.

Mídia minimiza extensão social dos protestos

Mas, o governo e parte da mídia europeia (que a nossa simplesmente reproduz) fala em baderneiros e vândalos. Mas, o que assistimos – como no Chile, aqui próximo – é a irrupção, qual um vulcão, da insatisfação social e política da juventude contra as medidas tomadas pelos governos para salvar os bancos e as empresas que arruinaram seus países.

É a insatisfação social e política que ganhou as ruas em manifestações de protesto contra os cortes dos gastos sociais, dos salários, contra o aumento dos impostos, do desemprego, contra a recessão, a humilhação e o abandono dos idosos e dos jovens, dos desempregados, contra a hipocrisia e a arrogância das elites politicas e do poder econômico.

Como sempre na história, esse despertar da juventude e seu alerta nas manifestações de rua constituem um sopro de esperança na incerteza em que vive o mundo.

 Pescado do Blog do Zé Dirceu

Dois pesos e duas medidas dos EUA e demais potências em relação a Líbia e a Síria (via Blog do Zé)

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Foto: Conselho de Segurança da ONU

Após o massacre de 140 oposicionistas pela repressão do ditador sírio Bashar Assad, no último fim de semana, o Conselho de Segurança permanente da ONU (CS-ONU) analisa a situação e o Itamaraty estuda uma mudança na posição do Brasil em relação à Síria. Agora, pelo que leio, Brasília admite apoiar resolução contra Damasco, se ela for consensual no CS-ONU.

A omissão, até agora, das potências ocidentais, em particular dos Estados Unidos, em relação à situação síria, ignorando a brutal repressão desencadeada pela ditadura Assad, é mais uma prova viva da hipócrita, ilegal e imoral intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, respaldada por resolução do mesmo CS-ONU.

Embora a decisão do Conselho tenha sido oficialmente aprovada para proteger os direitos humanos da população civil e não previsse intervenção militar, ela terminou distorcida e “legalizou” ataques e bombardeios contra a Líbia. Já em relação à Assad, exceto a retórica, nada foi feito até agora. Afinal, na Síria estão em jogo os interesses geopolíticos dos EUA e demais potências.

Censura e críticas a ditadura Assad  são apenas aparentes

No região predomina, principalmente, o medo do contágio, o temor de que a rebelião popular chegue ou se intensifique na Arábia Saudita, Iêmen, Qatar, Bahrein e demais emirados, todos com ditaduras sustentadas pela mesma diplomacia norte-americana e potências integrantes da OTAN.

No Bahrein e no Iêmen, os EUA e demais potências, na defesa de seus interesses econômicos e geopolíticos, não vacilaram em desencadear, via OTAN, uma intervenção para impedir a queda de suas  ditaturas. Na Líbia, tentaram o contrário. Com a intervenção, tentaram derrubar o presidente Muamar Kaddhafi, o que não o impediu de resistir esses últimos cinco meses e manter-se no poder.

Na Líbia, a intervenção deixou clara, também, a natureza dos chamados rebeldes e do Conselho Nacional de Transição, composto em sua maioria por ex-ministros do regime kaddhafista, simples fantoches das potências ocidentais, sem capacidade militar e sem coesão política, artificialmente organizados para justificar a agressão à Líbia. A ponto de alguns países, há pouco, os terem reconhecido como governo oficial da Líbia, e não ao de Kaddhafi.

Não há como condenar apenas a Síria e não os demais regimes da região. Nada justifica a agressão a Líbia. Também em relação a ela, podiam ter seguido o caminho das negociações ditado pelas Nações Unidas. Já, no caso da Síria, protelam e não adotam medidas e sanções. Pelo contrário, ela simplesmente têm sido apoiada pelos Estados Unidos e União Européia, apesar de toda a retórica de aparente censura à ditadura Assad.

 

Foto: Paulo Filgueiras/ ONU.

Hackers e outros no espaço democrático, por Tarso Genro

Os ataques hackers, que se sucedem contra instituições de Estados, e os movimentos sociais em redes virtuais em defesa de direitos que se expressam em vários lugares do mundo, seja contra políticas de “ajuste” de governos, seja contra regimes fechados de caráter nacionalista-fundamentalista, problematizam a vida democrática baseada exclusivamente na centralidade dos partidos políticos.

Os movimentos – também convocados em rede – para protestos fragmentários, centrados em temas muito localizados e particulares, representam, hoje, na cena política internacional, expressões completamente novas da luta política, para orientar o Estado, para “tomá-lo” ou para reformá-lo.

Na velha luta de classes da sociedade industrial, que originou direitos social-democratas, espalhados pelo mundo como legislações de defesa dos direitos e de sustentação dos direitos civis num plano elevado (que passaram a adentrar a fábrica moderna), partidos e sindicatos tinham enorme proeminência.

O “desgaste” da esfera política como espaço de conflito e negociação vem centralmente desta contradição: a sociedade civil, com seus meios diretos de articulação, sem a mediação dos partidos, está em conflito com a “sociedade política” realmente existente.

E o Parlamento, em regra, não tem vínculos com a opinião e com as necessidades dos novos grupos e movimentos sociais que montam as redes virtuais, que não se identificam com o jogo político da representação democrática tradicional.

O “novo” representa, antes de tudo, o surgimento do instrumental tecnológico que permite que elas se expressem -independentemente do mérito das suas propostas- de uma maneira maciça, seja pelo conflito público democrático, como no 15M, na Espanha, seja por formas autoritárias de guerrilha virtual hacker -diretamente contra o Estado-, sem medir os prejuízos que causam a toda a sociedade, especialmente àquela parte mais pobre, que precisa de políticas públicas para sobreviver com um mínimo de dignidade.

A representação da previsão de Marx, de um proletariado insurgente contra o capitalismo industrial, apresenta-se, hoje, como uma revolução democrática global, que tem como centro comum a revolta contra o Estado, capturado pela dívida pública, escravo das agências de risco e dos bancos centrais como aparatos burocráticos, sujeito às consultorias “neutras”, orientadas e apropriadas pelo capital financeiro especulativo.

Isso gera a revolta contra a maioria dos partidos, que não se reformaram internamente para acolher essa energia da sociedade civil, que expressa um desejo de participação nos negócios públicos e nas decisões políticas que a democracia tradicional não tem, ainda, aparatos para absorver.

O corporativismo economicista, que não leva em consideração esses fatos -condição que domina uma grande parte do sindicalismo -, falará para uma base cada vez menos interessada, seja por meio de um discurso revolucionário “sem sujeito”, seja com discurso conservador de defesa de privilégios como “direitos adquiridos”.

Os partidos de esquerda que mantiverem a velha tradição de luta interna pelo controle dos aparelhos de poder, sem projeto ousado e inovador, ficarão cada vez mais distantes das bases sociais já em movimento, que lutam para promover a democratização da democracia.

E ficarão como os socialistas gregos, espanhóis, italianos e portugueses, vendo o “bonde passar”: sem fazer as suas reformas, para serem reformados pelo mercado, que capturou o Estado.

Tarso Genro

Governador do Estado do Rio Grande do Sul

Partidos, juventude e os movimentos sociais da internet

Texto “pescado” da http://www.revistaforum.com.br/

Jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?

Por Marcelo D’Elia Branco [17.06.2011 12h00]

Os jovens nativos digitais da sociedade em rede  têm orgulho de ser brasileir@s, acreditam que o Brasil é o país do presente e concordam que têm um papel de transformar a sociedade. Se conectam mais com discursos coletivos do que individualistas e querem menos consumismo. Apenas 5% tem como objetivo ficar rico e sabem que podem trabalhar por uma causa coletiva e buscar seus sonhos pessoais ao mesmo tempo. Estes mesmos jovens, cada vez mais, vêem a internet como ferramenta de mobilização e engajamento político e menos os partidos. [1]

“Quantos jovens não votaram no Chile, na Espanha? Não achem que estes jovens não acreditam na democracia. Eles não crêem na democracia que oferecem a eles (…).” Eduardo Galeano na Praça Catalunya[2]

Quando eu divulguei esta pesquisa na rede, surgiram muitos questionamentos e diálogos vindos, principalmente, de militantes partidários: isso é positivo ou negativo? Acho isso tremendamente positivo e tentarei  sucintamente colocar a minha opinião, já tuitada de forma pulverizada.

Acontece que os jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?

Os partidos e os sindicatos são organizações construídas com base na revolução tecnológica industrial. Foram, por longos anos, a única e a melhor forma de catalizar de forma coletiva os pensamentos e ideologias para uma ação política efetiva. Sozinho, ninguém chega a lugar algum, e isso continua valendo. Estas organizações mediam e intermediam a relação entre os diversos interesses individuais e coletivos, através do “programa”, e representam estes interesses junto à sociedade.

Os movimentos sociais em rede, pós-internet, são formados por indivíduos conectados que manifestam suas opiniões e movem suas ações na perspectiva do engajamento coletivo, sem a intermediação de qualquer organização. Aliás, a Internet veio para questionar o papel de todas as organizações intermediárias. A indústria fonográfica que o diga.

Acredito que as formas de organizações da era industrial e as organizações de indivíduos conectados em rede, típicas da sociedade em rede, conviverão. Uma não substitui a outra.

Mas é #fato que nos últimos anos, em todo mundo,  os partidos políticos e os sindicatos têm tido  menos capacidade de mobilização coletiva do que os movimentos sociais em rede. E isso não é somente porque os programas dessas organizações estão defasados ou que não contemplam os interesses dos coletivos. Atualizar os programas dos partidos é importante, mas não será o suficiente para engajar a geração atual na forma de organização hierárquica dos partidos. Estes jovens estão, cada vez mais, experimentando novas formas para organizar suas ações políticas coletivas, utilizando a plataforma da Internet como base. E isso tem dado resultado.

Há quase 12 anos, na manifestação chamada de N30, mais conhecida como a “batalha de Seattle” [3], através da Direct Action Network (ação direta em rede) possivelmente tenhamos inaugurado a era das mobilizaçoẽs 2.0.

Desde Seattle, passando pelas mobilizações do Fórum Social Mundial aqui em Porto Alegre,  nas marchas contra as guerras do Bush-pai, nas manifestações anti-globalização neoliberal, com destaque para Gênova e Barcelona, até as recentes revoltas árabes e agora a #globalrevolution partindo da Espanha para toda Europa [4], comprovam a força das redes da internet para organização de grandes ações coletivas.

Não acredito que os partidos ou sindicatos estão descartados como forma de organização política. Acontece que agora existem NOVAS formas de organização política. As novas formas de organização social (indivíduos conectados em rede) e as velhas (partidos e sindicatos) vão conviver, mas como organizações distintas.

As velhas organizações não podem ter a pretensão de englobar ou cooptar as novas. Terão que conviver, lado a lado, mas cada uma com a sua dinâmica própria. As dinâmicas das redes são distintas das dinâmicas partidárias. Não há como enquadrar as dinâmicas em rede nas hierarquias partidárias. Nem é possível que um partido funcione com as dinâmicas horizontais e sem hierarquias como nas redes.

O sucesso das organizações da era industrial (partidos e sindicatos) foi justamente o de organizar as pautas e as lutas de forma hierárquica e aprovadas por maioria.

Nas dinâmicas em redes, raramente há votações para hierarquizar as ações. Funciona por adesão voluntária. A proposta com maior adesão avança na prática e mobiliza. Assim tem sido as experiências da última década.

No entanto, as dinâmicas dos movimentos em rede ainda tem sido incapazes de estabelecer uma nova ordem. Pelo menos por enquanto. Os partidos sim, estabelecem uma nova ordem, assumem o poder e governam. Creio que no futuro teremos experiências de uma nova ordem a partir de dinâmicas sociais em rede.

Vivemos uma transição da era industrial para a era das sociedades em redes. As velhas formas e as novas conviverão, mas são distintas formas de organizações. Aliadas? Antagônicas? Complementares?

O certo é que existe, neste momento, uma tendência e um potencial global democratizante, que questiona os limites da democracia representativa e que aponta para uma nova democracia participativa, tendo a internet como plataforma de mobilização e viabilização desta nova relação direta dos cidadãos com a democracia.

Acredito que a recente pesquisa, “o sonho brasileiro”, realizada entre jovens de 18 a 24 anos e que ouviu mais de três mil pessoas de 173 cidades do país, aponta dados extremamente positivos na perspectiva de transformação social.

Fontes:

[1]- Pesquisa “O sonho brasileiro”
Box1824 (agência especializada em mapear tendências de comportamento), e Instituto Datafolha.

- Quase 90% dos jovens têm orgulho de ser brasileiros, revela pesquisa
Geração “sonhadora” quer “oportunidade para todos” e menos consumismo

By Marina Novaes, do R7

- Jovens sonham e acreditam no Brasil
By Ricardo Kotscho, do R7

- Pesquisa mostra que enquanto 59% dos jovens não têm preferência partidária, 71% consideram a internet uma ferramenta política
By Naira Alves IG

[2] – Eduardo Galeano no acampamento de Barcelona

[3]- Seattle: uma década de ativismo 2.0
By #comunidadedigital das turmas e ex-alunos de comunicação digital da ESPM-RJ Turma 7A – 2009.2

[4]-Da #democraciarealya à #WorldRevolution
By Marcelo Branco

Publicado originalmente em Software Livre Brasil. Foto por http://www.flickr.com/photos/jordi_ferrer-beltran/.

O que o #BlogProgRS tem a ver com a “revolução do jasmim”

Já ouvi muita gente falar da tal “Revolução Tecnológica”. Já ví gente falando que as novas tecnologias são instrumentos da revolução. Já ví gente falando que as recentes revoluções no mundo árabe são fruto do FaceBook, do Twitter e das redes sociais. Não acredito nisto. Acredito sim, que a revolução acontece quando o velho já não serve mais ao ser humano. E a “ordem mundial” vigente esta velha.  Há 22 anos ruiu o muro de Berlim. Sucumbia alí uma parte da velha ordem mundial criada no pós 2ª guerra mundial.  O império soviético, com seus acertos e erros, mas pautado pela política da “opinião única” do partido ruiu como um castelo de cartas. O capitalismo, do qual o império americano é o maior propagador, passou a se achar como nova opinião única. Houve até quem vaticinou o fim da história e a construção de um mundo perfeito onde só os humanos “competentes” sobreviveriam. A “opinião única” continuou sendo o motor da história para esta gente que não enxerga a diferença, mas que quer a igualdade da competição para quem possa competir. Os demais, por seleção, seriam eliminados, seja pela exclusão pura e simples, seja pela desconstituição das opiniões diferentes, que não compactussem com a opinião única do”Big Brother” dirigente que tão bem nos foi apresentado por George Orwell. Mas a revolução tecnológica criou também os instrumentos que permitem a anunciação “na hora”, “on line”, do diferente. E o ser humano é diferente. Por criador que é, das engenhocas de todo tipo que melhoram sua vida no dia a dia, não poderia se submeter a um Status de igualdade determinado por uma única opinião. A tecnologia possibilitou o surgimento da internet, dos blogues, das redes sociais, enfim, o espaço para a expressão de todas as diferenças. Pela mesma rede que nos informa, aprendemos que somos diferentes. Pela rede também descobrimos que o que úne o ser humano não é a igualdade forjada por quem se pretende mais igual do que outro, mas sim a diferença primordial que faz de cada indívíduo um diferencial na raça. Vamos aos poucos descobrindo que buscamos a liberdade como instrumento para que possamos exercer a nossa diferença. Participei do #BlogProgRS – Encontro de Blogueiros e tuiteiros do Rio grande do Sul. Ele é preparatório ao 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Como me orgulho de ter estado alí, junto com todos os demais companheiros que participaram. Acredito que este encontro e todos os demais, são embriões de um novo processo de organização da sociedade, que requer não mais a verticalidade burocratica da velha ordem, mas a horizontalidade necessária para enxergar, ouvir e atender as diferenças. Talvez

Marco Wessheimer, Vinicius Wu, eu e a Claudia Cardoso em uma das mesas do #BlogProgRS

estejamos construindo uma sociedade que de fato cumpra o ditado “de cada um de acordo com as suas possibilidades e a cada um de acordo com as suas necessidades. Uauuu! Parece que estamos fazendo uma revolução.  Aliás, não custa lembrar: “A sociadade futura, esta sempre contida em germem na sociedade anterior”. A velha ordem balançou no mundo árabe. Lá não será mais como antes depois da Revolução do Jasmim. Agora estremece a velha ordem no mundo europeu, mostrando a todos que a velha hierarquia burocrática dos partidos carcomidos pela mesma ordem já não serve mais aos que se descobriram tão diferentemente iguais ou igualmente diferentes. O povo esta nas ruas do mundo. E o império, defende a velha ordem sob o tacão da força militar assassina que aniquila os diferentes, sustentando uma paz igualitária que só o é para eles mesmos e para os diferentes é a paz dos cemitérios daq fome, das guerras, da exclusão… Acho sinceramente que a gente que participou do #BlogProgRS plantou uma semente revolucionária. Que se plantem muitas sementes assim pelo Brasil e pelo mundo. Estou feliz de estar participando deste processo. Contiuo junto, mudando o Brasil e o mundo, assim como há 31 anos atrás, quando participei da fundação do PT, da construção da CUT, da eleição do 1º trabalhador Presidente da República, da 1ª mulher Presidenta da República, do #BlogProgRS…Afinal, a “Revolução é Permanente”.

Quer ver mais fotos do #BlogProgRS e da #PIGParade que aconteceu logo depois do encontro? Clica aqui!!

Lê também a percepção da Cris Rodrigues do Blog Somos Andando, escrito logo após a #PIGParade e o #BlogProgRS

A revolução árabe durará anos e afetará a todo o sistema global

O texto está em espanhol mas é a síntese de um debate sobre o tema da revolução que esta em marcha no mundo árabe, promovido pelo Jornal espanhol el país. Embora com algumas diferenças com relação ao texto, tenho opinião parecida com a externada pelos debatedores. Por isto reproduzo o texto aqui. Boa leitura.

ELPAIS.COM

“La revolución árabe durará años y afectará a todo el sistema global”

Protagonistas y expertos debaten en CaixaForum de Barcelona sobre los profundos cambios que se están produciendo en el mundo musulmán

J. M. MARTÍ FONT - Barcelona – 10/03/2011

El Ejército todavía mantiene el control en Egipto e intenta frenar las demandas de la revolución, pero “no hay vuelta atrás” y el impacto de esta revolución “postislamista” trascenderá el mundo árabe y musulmán para afectar a todo el sistema global en el que vivimos. Por otra parte, el papel de las redes sociales como Facebook o Twitter, ha sido importante en la revolución egipcia y tunecina, pero su impacto ha sido magnificado. Así piensan algunos de los protagonistas como el director de cine y bloguero egipcio Basel Ramsis, o pensadores árabes afincados en España como Sirin Adlbi, profesora de Estudios Internacionales Mediterráneos de la Universidad Autonóma de Madrid; Hafid Aarab, portavoz de la Liga de Imanes de España y Rachid Aarab, profesor de Historia del Islam de la Universidad de Barcelona, que han participado en el debate sobre las revoluciones en el mundo árabe, calebrado en el CaixaForum de Barcelona, moderado por el periodista de EL PAÍS Ignacio Cembrero.

El papel de Internet fue importante en las primeras convocatorias de manifestaciones como medio de comunicación entre la gente, reconoce Ramsis, pero luego, cuando el régimen de Mubarak cerró la red, la revolución se propagó por el viejo sistema: el boca a boca. Ramsis, que estuvo en la plaza Tahrir, de El Cairo, durante esos días, recuerda como alguien dijo en aquel momento: “La revolución rusa se hizo sin Internet”. La revolución, añade, solo está en su primera fase, y puede durar años, tal vez décadas, y afectará no sólo a los países del norte de África, sino a todo el mundo musulmán y al sistema global en el que ahora vivimos todos.

“Lo que hemos presenciado es una revolución por la libertad, y la gente quiere libertad, y no va a permitir que sea secuestrada por un grupo de islamistas que se la quiera arrebatar. Esta es una revolución postislamista, hay una transformación”, dijo Sirin Adlbi. El mundo árabe “busca su legitimidad, su dignidad”, añadió Rachid Aarab.

¿Dejará Occidente que siga adelante esta revolución o intervendrá antes de que se les escapen de las manos la energía y sus inversiones? “Si cae el dictador libio Gadafi caerán muchas cosas en Occidente. Esto es clave”, piensa Adlbi, “Pueden intentar pararlo, pero hagan lo que hagan el proceso es irreversible”. La “irreversibilidad” de una revolución cuyo motor es la “dignidad y la libertad”, fue anoche otra de las palabras clave del vivo e intenso debate que tuvo lugar en el repleto auditorio del Caixa Forum barcelonés. “Tunez y Egipto muestran el camino”, señaló Rachid Aarab, que considera que no hay vuelta atrás porque “la gente no tiene nada que perder”. El pueblo libio, añadió, ha demostrado lo falsos que son los estereotipos que aseguraban que era una sociedad tribal en la que todos luchaban entre sí. “Las personas se han sumado al interés común, porque el camino hacia la dignidad es común”.

En este sentido, la reciente decisión del rey Mohamed VI de Marruecos de renunciar a algunos de sus derechos omnímodos, les sonaba a los presentes como un tanto tardía, producto de las presiones sociales y que si hace tres meses podría sonar sorprendente ahora ya no lo es. “Hay que hablar de legitimidad, y todavía estamos hablando de poder, sea república o monarquía. El ritmo ya es otro y esto es determinante”, apuntó Hafid Aarad. El discurso del rey, añadió, no ha sorprendido a nadie, como habría podido hacerlo solo hace tres meses. “Las respuestas son tímidas respecto a las exigencias del pueblo, y muy alejadas del nuevo marco árabe”.

“Hay un antes y un después de esta revolución, pero también a nivel global”, piensa Sirin Adlab, “las consecuencias de estas revoluciones tienen más amplitud, van a cuestionar directamente el sistema global en el que nos encontramos ahora. Estamos en los inicios de una nueva era”. Occidente debe cambiar su postura, añade, que hasta ahora ha sido la de mantener dictaduras y sostener modelos en su beneficio y el de un puñado de autócratas. Y en Occidente acusa, todavía está muy viva la islamofobia.

Sobre el futuro inmediato de Egipto hay ciertas dudas. En una primera fase, piensa Basel Ramsis, la figura de Mohamed El Baradei, pese a que ha perdido mucho prestigio y no sabe nada sobre Egipto, donde la gente le llama “el turista”, es posible que pueda recobrar una cierta fuerza. “Porque no hay líderes; la revolución egipcia es una revolución sin líderes, incluso más que la tunecina, donde el sindicato articulaba una oposición, y El Baradei puede ser útil para dirigir la transición”.

La reciente violencia entre musulmanes y cristianos coptos, que se ha llevado 11 vidas estos últimos días, podría estar generada por los servicios secretos del Gobierno. Cree Ramsis que el régimen es especialista en manipular estos enfrentamientos entre musulmanes y cristianos. El papel del Ejército no estuvo nunca claro, denuncia. “El día de los ataques a la gente de la plaza Tahrir, la policía abrió las cárceles para soltar a los delincuentes, que junto a los miembros de los servicios secretos atacaron a los manifestantes. Del 29 de enero hasta el 11 de febrero el Ejército intentaba mantener el régimen sin enfrentarse a la revolución. A partir del 11 de febrero, cuando se fue Mubarak, el Ejército tomó el control. Ahora, el Ejército y el resto del antiguo régimen intentan parar la revolución. Pero soy optimista porque he visto como hemos sido capaces de que cayera el régimen y podemos seguir adelante. Pero estas revoluciones van a seguir años. Entramos en otras fases”.

 

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Luiz Müller

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