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Superávit ou investimentos?

Pescado do Blog do Zé

ImageAo apresentar, ontem, as contas do governo central, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, informou o superávit primário em janeiro, de R$ 20,8 bilhões. Trata-se do maior para o mês de janeiro e o segundo maior da história para todos os meses.

Motivo? O resultado positivo do mês passado deu-se em função do bom desempenho da arrecadação e de uma expansão menor das despesas. Augustin também explicou que as transferências para Estados e municípios, tradicionalmente, em janeiro, são menores, o que contribuiu para o resultado.

Augustin comentou também sobre a queda de 17,4% do investimento do governo federal em janeiro deste ano ante o mesmo mês do ano passado. O valor investido caiu de R$ 7,9 bilhões, em janeiro do ano passado, para R$ 6,5 bilhões no primeiro mês deste ano, mesmo com a inclusão do programa Minha Casa, Minha Vida na conta dos investimentos do PAC. Contudo, fez questão de frisar, haverá, sim, em 2012, um crescimento significativo dos investimentos.

Torcida por investimentos

 

Vamos torcer para que o prognóstico do secretário do Tesouro se concretize e que 2012 seja, de fato, um ano de investimentos maiores, apesar da sua queda momentânea em janeiro, frente a janeiro de 2011.

Por outro lado, o superávit de R$ 101 bi nos últimos 12 meses, “sem o contingenciamento” previsto neste ano, como bem lembrou o secretário, dá uma boa ideia do que custa ao país o serviço da dívida interna. E qual é a urgência da redução da taxa Selic e dos juros médios da economia, hoje em 38% para uma inflação de 5,5%.
A propósito, ao lado desta notícia, temos outra que aponta para um aumento dos juros reais na economia, dado o crescimento da inadimplência.

Preferimos ficar com a promessa do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini. Segundo ele, a redução dos spreads bancários e da taxa Selic são prioridades do governo e da própria presidente Dilma Rousseff. Aliás, o presidente do BC na audiência que compareceu no Senado da República, ontem, destacou a reativação da indústria e defendeu as medidas de defesa comercial que o país tem adotado. Ele ressaltou que não somos os mais ativos nessa área. Mas devíamos sê-lo, acrescento.

Na Colombia, Lula diz que os países sul-americanos deveriam utilizar parte de suas reservas internacionais para financiar as obras de infraestrutura

Quem lê a manchete e o conteúdo da noticia da agência estado, vê bem o que a mídia costuma fazer. Edita as matérias de acordo com o seu interesse e não de acordo com o peso da notícia. O que fica evidente no corpo da matéria é a posição do Lula no sentido de propor que as Reservas Internacionais dos Países Latino Americanos sejam utilizadas para infraestrutura que beneficiem os países e não mais investir em títulos da dívida americana que pagam uma merrequinha de dividendos. Mas a agência estado, como toda a catrefa midiática destaca é a questão da corrupção, como sempre. Mas até aí Lula falou bem.  Vai a matería da Agência Estado:

Lula diz não ter constrangimento com denúncias

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na tarde de hoje não sentir “nenhum constrangimento” pelo fato de denúncias de corrupção estarem atingindo integrantes de seu governo. “Eu ficaria constrangido se não estivessem apurando”, afirmou. “O importante é que não fique impune”, acrescentou.

Ele fez essas declarações após a cerimônia de abertura do 1º Fórum de Investimento Colômbia-Brasil, em Bogotá, na qual defendeu que os países sul-americanos deveriam utilizar parte de suas reservas internacionais para financiar as obras de infraestrutura que tanto necessitam para acelerar seu crescimento econômico. Lula se queixou que a maior parte das reservas brasileiras está aplicada em títulos norte-americanos, rendendo “uma merrequinha de juros”. Comentou que seria melhor aplicar em títulos brasileiros, para ganhar mais.

Para ampliar os investimentos entre os dois países, Lula sugeriu ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que entre em entendimento com a presidente Dilma Rousseff para criar um foro permanente e promover encontros anuais de empresários. “Estou convencido que a presidente Dilma tem uma vocação de integração da América do Sul porque está na formação, na visão ideológica dela”. Para o ex-presidente, a região “não precisa mais da espada de fogo de Bolívar, mas de bancos de investimento”.

Ao lado de Lula, Santos declarou que quando lhe perguntam o que quer ser quando crescer, ele responde que quer ser como Lula: terminar o mandato com 80% de aprovação e baixar a pobreza em 22%. “Mas claro que quero fazer em quatro anos e não em oito”, acrescentou. (A repórter viajou a convite do BID)

Sobre a cidadania, bicicletas e economia

Pesquei este texto do Blog da Dilma. O texto é do Jornalista Alberto Perdigão – jornalista, mestre em Políticas Públicas e Sociedade.Já falei muito sobre transporte em Porto Alegre. Quando a gente fala, parece que é coisa do outro mundo. Mas vários países estão adotando integração de modais de transporte, transporte coletivo como ônibus, lotações, etc. Mas principalmente no centro das cidades, há cada vez mais o incentivo ao iso da bicicleta. E não é para o lazer. É para o trabalho mesmo. Mas para não ser só este humilde blogueiro a falar ou escrever, aqui vai o texto de quem se utilizou deste moderno sistema de transporte que as cidades européias estão utilizando e o poder público esta incentivando. Enquanto isto, aqui na capital de todos os gaúchos, transformam até o histórico Largo Glênio Peres em estacionamento. Falam até em construir caríssimos estacionamentos subterrâneos no centro da cidade. Tudo para incentivar…o uso do automóvel e engarrafar cada vez mais o nosso Centro Histórico e adjacências. Uma barbaridade.

Coisas espantosas que vi na Europa

A cada nova crise que atinge a União Europeia-27, a Economia e a política globais ficam se perguntando: pode o PIB da Alemanha seguir sustentando a Grécia? É possível a Portugal existir como projeto autônomo e sustentável? Que Espanha é essa que hoje gera menos empregos que antes da unificação? As questões são muitas, as dúvidas parecem eternas. Mas uma coisa é certa: o velho mundo, que é primeiro mundo, pensa primeiro na vida como maior valor e na cidadania como maior bem da sociedade.
É neste contexto que se insere a comunicação pública, aquela que os governos oferecem aos governados, a centrada no interesse público, a dialógica e inclusiva. Independentemente da pujança econômica ou da estabilidade política dos estados membros da União Europeia, é lá que se encontram, como em nenhum lugar do mundo, as ferramentas comunicacionais que asseguram à cidadania – e por extensão aos visitantes – o direito de ser informado e de também se expressar quanto aos seus desejos e opiniões.
Chega a ser espantoso, para nós da América Latina que convivemos passivamente com a cidadania muda e, coniventes, legitimamos o Estado solitário. No Brasil, não diferente da Argentina, Chile ou daVenezuela, a comunicação pública ainda é um devir até teorizado em alguns livros, mas pouquíssimo praticado – não obstante as ondas democráticas e o avanço tecnológico que nos chegam quase simultaneamente, em relação à Portugal ou Espanha, a Alemanha, França ou Inglaterra.

Na União Europeia, a relação entre o Estado e o cidadão é um compromisso praticado exaustivamente pelos governos, sejam eles mais democratas ou mais trabalhistas, estejam eles mais à esquerda ou mais à direita do Greenwich político. O melhor exemplo talvez venha da Inglaterra, onde a Monarquia se curva ao Parlamento, pela preservação devalores republicanos, como Estado democrático de direito e dos canais de comunicação que asseguram à cidadania a plena e livre expressão para muito além do simples voto.

Um turista em rápida passagem pelo país vai ver que nos órgãos públicos são garantidas e facilitadas a informação e a comunicação direta, gratuita e no local, com um gerente ou ouvidor, mesmo quando há um atendimento físico de guichê ou balcão – inclusive ao visitante. Nas estações do mais antigo sistema de metrô do mundo, ao lado da bilheteria que arrecada, há uma cabine para prestar contas e esclarecimentos. Na plataforma de embarque, um telefone está disponível para falar com o gerente da estação. Isso é comunicação pública.
Enquanto no Brasil ainda se vê no sistema público de transporte coletivo a advertência “Fale com o motorista somente o indispensável”, o ônibus londrino tem dois “andares” de comunicação: um canal de voz com a cabine do condutor e outro com a central do serviço. Nos pontos, as informações sobre linhas e horários estão expostas em braile. Embarcados, cegos e surdos são informados por display eletrônico e canal de voz sobre a sequência de paradas do trajeto. Isso é comunicação pública.
O dia em que um (não) cidadão francês (não) foi suspeito de furtar uma bicicleta
Em Paris, na França, o que é espantosa é a relação de confiança que sustenta o sistema público que estimula a utilização de bicicletas, inclusive entre turistas. O Velib’ (uma referência a vélo libre, bicicleta livre) oferece bikes que podem ser apanhadas, e deixadas, em dezenas de estações espalhadas pela cidade, na conveniência do usuário.  Para trajetos de até meia hora não se paga nada, o que mantém a alta rotatividade no uso. Basta se inscrever, deixar uma caução no cartão de crédito e pedalar.
O exemplo de sistema público de transporte politicamente correto e ecologicamente seguro é também um modelo de comunicação pública. Além do site de fácil navegação www.velib.paris.fr, que pode ser acessado do telefone, em cada estação há um totem comum terminal de acesso e interatividade com a central, parecido com um caixa eletrônico, mas que é um espetáculo de usabilidade. Achou pouco? Pois em caso de dificuldade, basta acessar um canal de diálogo, e o atendimento é prestado na hora. Isso é comunicação pública.

Eu mesmo precisei do canal. Ao não conseguir desengatar a bicicleta que acabara de pedir ao terminal, o sistema entendeu que eu a estava utilizando, não permitindo uma nova retirada. Irritado por não ter uma bicicleta para mais um passeio, e por estar sob o risco de perder a caução pela não devolução do que não usara, chamei o canal de voz. Falei em péssimo inglês que tinha problemas e, em tom abusado, confesso, exigi que a conversa fosse na língua espanhola. E fui atendido prontamente.

Comecei dizendo que estava prejudicado por um problema mecânico do sistema, que não aceitaria ser tratado como suspeito de não devolver bicicleta nem admitiria perder o dinheiro da garantia. O senhor tem toda razão, pedimos nossas desculpas, disse uma moça, para meu espanto, em tom cordial e atencioso, como quereria qualquer turista em situação embaraçosa. Dando prova de confiar no que eu relatava, simplificou: basta o senhor dizer o número do posto e o número do engate da bicicleta 613, que o senhor não usou.
Chamei o Velib’ horas depois, passei as informações. Como bom brasileiro, pedi o número do protocolo. Não precisa de protocolo, não há processo aberto, nem pendências, o caso está encerrado. Insisti, pedindo que me enviassem um comprovante de que não devia nada, de que nada me seria cobrado. Não precisa informar o que o senhor está me afirmando; não sendo necessária a devolução nada lhe será cobrado, disse. E muito obrigado pela informação, o engate já está sendo consertado, finalizou. Isso é comunicação pública.
Moral da história. Na União Europeia, a relação entre o Estado eo cidadão (incluídos os visitantes) é forjada na confiança. A cidadania na União Europeia se fortalece com a na comunicação pública. A abrangência e o rigor com que esta comunicação pública é praticada ainda são um espanto para nós, de países ditos republicanos, ditos democráticos, onde governos e eleitores não se relacionam, não se reconhecem como interlocutores em temas de interesse comum e estão sempre dispostos a assaltar um ao outro.

Mais empregos e maior arrecadação mostram a continuidade do crescimento do Brasil

Texto do Blog do Zé Dirceu. O texto diz tudo. Brasil rumo ao topo entre as nações mais desenvolvidas do mundo.

Arrecadação e emprego mostram acerto do modelo de crescimento

Publicado em 20-Jul-2011

Image Os mais recentes e excelentes números da arrecadação e do emprego só confirmam a força e o potencial de nossa economia. Se comparados com o resto do mundo, dão bem uma idéia da oportunidade que temos de crescer de forma sustentável, sem inflação e dívida, sempre apoiados no mercado interno e na integração sulamericana e africana, mercados também em expansão.

Dados divulgados nesta 3ª feira pelo IBGE registram que a taxa nacional de desemprego em junho ficou em 6,2%, ainda mais baixa do que a de 6,4% apurada em maio.

É o menor índice de desemprego desde janeiro deste ano, quando ele ficou em 6,1%; o mais baixo no país num mês de junho nos últimos nove anos; e o menor apurado pelo Instituto desde que iniciou esse levantamento em 2002. Além disso, o contingente de pessoas desocupadas teve uma retração de 3% em junho ante maio deste ano.

Aumento da arrecadação dá base para nosso crescimento

A arrecadação de tributos federais aumentou 12,68% no 1º semestre deste ano, alcançando R$ 471,3 bi no período, segundo os números divulgados pela Receita Federal (RF). O total arrecadado subiu 23% em junho pp. em relação ao mesmo mês do ano passado, quando somou R$ 82,7 bi.

Este aumento de arrecadação é o que assegura os investimentos na infraestrutura econômica e no social, bases para nosso crescimento, fundamentalmente apoiado no mercado interno e na distribuição de renda. Qualquer outra saída nos levará a mesma situação do resto do mundo.

Nele, o que temos é inflação, recessão e juros praticamente negativos até agora – daqui para a frente, aliás, tudo indica que eles entrarão em alta também nos demais países, numa combinação que só revela a verdadeira causa da crise: a ação do sistema financeiro e, agora, a sua pressão sobre os governos para estes pagarem a conta da crise econômica.

Depois de pisotear os povos, império americano quer dar calote financeiro na humanidade

O Império esta devendo até as cuecas. Gastou tudo que tinha e o que não tinha, espalhando pelo mundo o “american way of life“, tripudiando sobre culturas, nações e povos, esmagando-os com seu poder econômico ou com os tanques e botas de suas forças armadas. Impuseram ao mundo a ditadura do dólar. Invadiram países e ainda ocupam muitos com seu arsenal bélico. Sustentam guerras insanas que matam milhares de pessoas em países diversos pelo mundo afora. Ao retirarem suas forças, deixam para trás países arrasados, como é o caso da Somália, do Haiti, do Iraque e de tantos outros que já viveram períodos de ocupação do assassino império do norte. A desfaçatez americana e o pouco apreço pelas vidas humanas dos outros esta jogando agora os americanos nas trevas da pobreza. Sim: economistas já apontam que o número de pobres nos EUA ultrapassou o numero de pobres do brasil. E a partir deste golpe americano, mais pobres haverá nos EUA. Os por acaso Obama e sua corja imperialista cobrarão a conta das grandes multinacionais e do capital financeiro internacional? Não. O povo pagará a conta e os grandes e poderosos capitalistas internacionais talvez encham mais ainda suas burras de dinheiro. Olhos abertos. O império quererá jogar sobre os ombros de toda a humanidade a conta que eles é que fizeram.  O Brasil não esta neste caminho, por que em 2002 optamos por colocar os destinos da pátria na mão de um projeto de sociedade capitaneado por um peão metalúrgico. Como disse a Presidenta Dilma em Porto Alegre há dois dias atrás, estamos galgando os degraus para estarmos entre as principais economias do mundo. Continuemos assim, com crecimento sustentável,  distribuindo a riqueza gerada entre todos, por que quem acumula muito para sí, mais dia menos dia, desaba. É só olhar para os impérios que já governaram o mundo.  Assim, esta correta a posição do Brasil em também apoiar países da América Latina e da África para que possam sair da situação de pobreza, da qual milhões de brasileiros puderam sair durante o governo Lula, e que continuará diminuindo no Governo Dilma. Reproduzo abaixo matéria do Correio do Brasil, que pode ser acessado clicando aqui

Diante da quebra iminente, EUA param para avaliar teto de endividamento

15/7/2011 12:02,  Por Redação, com agências internacionais – de Washington

ObamaObama concedeu uma entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira

O presidente norte-americano, Barack Obama, suspendeu as negociações orçamentárias nesta sexta-feira, para dar aos parlamentares uma chance de chegar a um acordo para um “plano de ação” sobre como evitar um default. Obama, que prometeu reunir-se diariamente com os parlamentares até que um acordo sobre a elevação do teto da dívida seja alcançado, deu aos democratas e republicanos até sábado de manhã para reconsiderarem suas posições nas negociações. As negociações sobre a dívida devem ser retomadas no fim de semana.

– É um momento de decisão. Precisamos de planos concretos para caminhar com isso – disse Obama no quinto dia de negociações na quinta-feira, segundo um democrata.

Obama recebeu, na noite passada, mais um alerta sobre a dívida, emitido após Moody’s ameaçar rebaixar a nota de risco dos EUA. Foi a vez da agência de classificação de risco Standard & Poor’s colocar a nota de crédito dos Estados Unidos em revisão com possibilidade de rebaixamento. Isso significa que os norte-americanos podem perder a nota máxima de credibilidade e desceram para um patamar menor, pela primeira vez na história do país, diante do risco aumentou.

A desconfiança em relação à capacidade de pagamento dos norte-americanos acontece no momento em que o país atingiu o teto do seu endividamento – de US$ 14,29 trilhões, que é de 100% do PIB. Por lei, o país não pode se individar além deste nível. O problema é que no próximo dia 2 há o vencimento de dívidas e os norte-americanos não têm dinheiro para pagar. O presidente Obama pressiona o Congresso para aprovar um limite maior.

O impasse está na diferença de projetos. Obama propõe um pacote que prevê redução de despesas e crescimento das receitas no total de US$ 4 trilhões em dez anos. Já a oposição – Partido Republicano – contrapõe com cortes de US$ 2,4 trilhões, sem aumento de impostos. Para ter dinheiro no dia 2 de agosto, quando vencem as próximas dívidas do país, um acordo precisa ser fechado até o dia 22 de julho.

Acordo difícil

Altas horas da noite passada, as negociações sobre o déficit dos EUA terminaram sem uma solução entre os líderes políticos. A Casa Branca informou que o presidente Barack Obama, que continua pressionando pelo maior acordo possível para o Orçamento, pretende falar à nação nas próximas horas. Os líderes envolvidos nas negociações, que foram realizadas durante cinco dias seguidos na Casa Branca, concordaram com a breve pausa nas reuniões, proposta por Obama, e se encontrar com outros membros dos partidos para discutir o que acontecerá doravante.

Durante as conversas, Obama disse que um grande acordo permanece como sua preferência, segundo um representante da Casa Branca. No entanto, o porta-voz da Câmara descartou um acordo de US$ 4 trilhões porque ele envolveria aumento nas receitas fiscais.

Plano B

Obama reiterou que não vai assinar uma solução de curto prazo para o problema, segundo o representante da Casa Branca. O presidente também disse que um acordo com cerca de US$ 2 trilhões em cortes também é possível se os dois lados cederem um pouco. Outra opção seria fazer uma mudança pequena no déficit e ao mesmo tempo aumentar o limite da dívida.

O misto de opções ainda sobre a mesa e o prazo de tempo curto estão colocando mais foco no em um plano de “última hora”.

Formalização cresce mais que população ocupada

De 2003 a 2010, número de trabalhadores com carteira ssinada aumentou 38,7%, enquanto população ocupada cresceu 18,9%

Além de reduzir a taxa de desemprego a quase metade em oito anos, o Brasil conseguiu formalizar o mercado de trabalho num ritmo ainda maior que o da criação de vagas. De 2003 – o primeiro ano completo da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) – a 2010, o número de trabalhadores com carteira assinada aumentou 38,7%. No mesmo período, o população ocupada cresceu 18,9%.

“A grande característica do mercado de trabalho neste período de oito anos foi a formalização. A carteira assinada é quase que um passaporte para as classes menos favorecidas e cresceu mais entre os mais pobres e no Nordeste”, afirmou o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo.

Das seis regiões metropolitanas investigadas pelo IBGE, o Recife foi a capital onde a formalização mais cresceu, num avanço de 57,3%. Belo Horizonte (53,21%), Salvador (48,5%), São Paulo (39,2%) Porto Alegre (33,6%) e Rio (26,4%) também mostram esta tendência.

Entre os segmentos pesquisados, a construção civil foi a que mais aumentou a formalização entre os trabalhadores. Em 2003, 25,5% dos empregados tinham carteira de trabalho assinada. O percentual saltou para 36,8% em 2010. No entanto, o setor continua sendo o mais informal entre os demais, com a maioria dos trabalhadores sem carteira.

A indústria, o setor da economia mais formalizado do mercado, a participação dos empregados com carteira passou de 60,7% para 66,7% em oito anos. Já no comércio, a participação dos trabalhadores formalizados cresceu de 39,7% para 49,2% – um grande salto segundo o IBGE. No segmento que abrange serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira a formalização passou a atingir 67,8% dos trabalhadores – em 2003 a taxa era 60,3%.

Em oito anos, o IBGE contabilizou a criação de 3,5 milhões de postos de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do País. O aumento de quase 19% da população ocupada supera o aumento da População em Idade ativa (PIA), de 11% no mesmo período. O total de desempregados recuou de 2,6 milhões para 1,6 milhões de pessoas, enquanto a taxa de desemprego despencou de 12,5% para 6,7%.

Pescado do IG – Economia

O uso desonesto das informações do Wikileaks

Pescado do BLOG DO LEN

O Wikileaks liberou duas grandes levas de documentos sigilosos do governo americano. A primeira leva revelava segredos sobre a ocupação militar americana no Afeganistão e Iraque. A segunda leva tem se revelado um conjunto de telegramas (cabos) enviados por embaixadores americanos, relatando as suas impressões sobre governos, seus membros e suas ações.

Notem que no primeiro caso, são os EUA falando sobre os EUA, portanto esses documentos ganham o status de confissão e as informações ali contidas tem grande possibilidade de serem verdadeiras. No segundo caso são apenas impressões que tinham os embaixadores, que poderiam muito bem enfeitar alguns pavões para venderem o peixe de interlocutores bem informados para Washington, ou seja, a revelação dos documentos apenas constrange a diplomacia americana, da forma como se referem aos governos, pessoas e ações de outros países.

Pois a imprensa brasileira, sempre sensível a falta de liberdade de expressão em países não alinhados aos EUA, ou entendeu tudo errado ou mais uma vez costeou o alambrado, para fazer o papel de capacho obediente. Quando o Wikileaks revelou crimes americanos cometidos no Afeganistão e Iraque foi aquele silêncio ensurdecedor. Depois, quando a prisão de Assange o tornou praticamente um mártir se portaram com esquizofrenia, repetindo as acusações de crimes sexuais como se fossem verdadeiras. Chegaram até a liberar colunistas a chamá-lo de cyber-criminoso, mas com medo de se posicionarem mais uma vez contra a opinião pública, se esquivaram de opinar nos editoriais.

Agora resolveram se interessar pelos documentos revelados pelo Wikileaks, e embora preferissem Assange preso e depois assado em uma cadeira elétrica americana, passaram a peneirar telegramas enviados à Washington por embaixadores americanos no Brasil, e tratar as divagações diplomáticas como se fossem verdades incontestáveis.

Enquanto no mundo inteiro a revelação desses telegramas tem causado desconforto a diplomacia americana, para a nossa imprensa quem sai afetado é o citado porque pelo raciocínio cartesiano de colonizado, se os EUA falaram é porque é verdade, simples assim.

Esse episódio Wikileaks serviu para tirar a máscara de muita gente aqui da nossa imprensa. Eu já estava incomodado com aquela pose de vestais da liberdade de imprensa com todos aqueles editoriais pomposos e fajutos que criticavam uma tentativa legítima de implantar um marco regulatório em um setor fundamental para a cidadania como o das comunicações. A verdadeira face é essa que estamos vendo, a liberdade de imprensa que eles defendem é essa relativa, hipócrita e incoerente.

Fariñas, Sakineh, Liaobo… toda a solidariedade da nossa imprensa a dissidentes cubanos, iranianos e chineses…ao Assange o peso da lei. Nesse exato momento o pentágono tenta “convencer” o soldado americano preso Bradley Manning a culpar Assange a forçá-lo a roubar os documentos americanos, para acusá-lo de espionagem e conspiração. Como a Wikileaks revelou como são “persuasivos” os métodos que as forças armadas americanas usam contra seus prisioneiros em lugares como Guantanamo e Abu Graib, não tenho dúvidas que o americano vai dizer que o australiano o ameaçou de fazer sexo com ele sem camisinha se ele não roubasse o material ultra-secreto. Também não me surpreenderia se algum prisioneiro dos atentados de 11/09 resolva “colocar” Assange na Al Qaeda e na preparação para aquele ataque de 2001;

Vai ser muito divertido ver o malabarismo que a nossa imprensa vai fazer para tentar defender essa ação vergonhosa e descarada, e não duvide, se eu conheço o nível de capachismo dessa gente, eles vão defender que Assange espionou.

PIB CAMPEÃO: PREVISÃO DE CRESCIMENTO É DE 7,3% NESTE ANO

Pescado Do Blog TIJOLAÇO do Brizola Neto
quarta-feira, 30 junho, 2010 às 16:02

O crescimento da economia brasileira pode chegar a 7,3% este ano, segundo previsão do Banco Central, publicada em O Globo. E antes que os defensores do Brasil da roda presa, aqueles que afirmavam que o potencial de nosso PIB não passava de 3%, arregalem os olhos com o número, o próprio BC não mostra preocupação excessiva com a inflação.

O índice de 7,3%, o maior do país desde os anos 70, quando a economia chegou a crescer mais de 10%, é uma confirmação do que vinha sendo sinalizado com o crescimento de 9% do PIB no primeiro trimestre. A indústria teve uma expansão de 14,6% no primeiro tri, a maior desde o início da série histórica, em 1996, recuperando o patamar pós-crise.

E junto com a indústria estão os investimentos, o consumo e o crédito. O BC subiu ligeiramente a estimativa de inflação, de 5,2% para 5,4%, não muito acima da meta oficial, o que não assusta uma economia do tamanho da brasileira.

O Brasil prova a cada estimativa revista para cima que superou a crise que abalou o mundo em 2008 e cresce sem medo de ser feliz. O país da roda presa é cada vez mais parte do passado e vem sendo atropelado por outra roda, maior e inevitável, a roda da história.

MICROCREDITO PARA QUEM NÃO ACESSA O SISTEMA FINANCEIRO

Pela importância do tema, reproduzo matéria do Jornal do Comércio de Hoje, 22/04/2010 sobre a inauguração de loja do PortoSol Agência Comunitária de Crédito, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego. O PNMPO – Programa Nacional de MicroCrédito Produtivo Orientado é mais uma forma de apoio a micro empreendedores, mesmo informais, para que possam melhorar seus negócios e gerar mais renda. É o Governo Lula possibilitando que quem nunca teve crédito, passe a tê-lo com o objetivo de agregar valor ao que ja fazem para gerar sua p´ropria renda. Vai a matéria

Portosol lança unidade para empresas populares
Novo serviço é direcionado a pequenos empreendedores

Com o objetivo de facilitar o acesso ao microcrédito a empreendedores populares, a Instituição Comunitária de Crédito Portosol lançou na terça-feira uma nova agência na Zona Norte de Porto Alegre. Os trabalhos desenvolvidos focam uma nova modalidade: o grupo solidário de crédito. Em conjunto, pequenos empresários de baixa renda da Capital e Alvorada poderão solicitar quantias a partir de R$ 700,00 para investimentos em atividades produtivas.

O diretor-executivo do Portosol, Cristiano Mross, explica que a metodologia aplicada é baseada na própria confiança entre os grupos formados, que variam entre quatro e sete empreendedores. Com auxílio de um agente da instituição, os próprios participantes analisam o crédito. A exigência é que a maioria dos empreendimentos exista há pelo menos seis meses. “Esse é o tempo que deve estar sendo exercida a atividade, mas pode haver dentro do grupo alguém que esteja iniciando”, afirma. Beneficiários do Bolsa Família atuantes produtivamente também poderão fazer parte do programa.

Para acessar essa modalidade coletiva de captar recursos não é necessário apresentar garantias, com o diferencial de que até mesmo integrantes com alguma restrição de crédito no SPS ou Serasa poderão ser incluídos. “A pessoa com restrições pode ter um histórico de bom pagador e passar por um problema pontual”, destaca Mross. Ele acrescenta que a vulnerabilidade de um empreendedor popular sem acesso a crédito para investir em seu negócio é levada em consideração. Por isso, mesmo que não estejam com o nome limpo, serão beneficiados pelo grupo solidário.

O projeto é uma parceria entre a Portosol e o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo e Orientado (Pnmpo), do Ministério do Trabalho. De acordo com Mross, que também atua como vice-presidente da Associação Brasileira dos Dirigentes de Entidades Gestoras e Operadoras de Microcrédito, Crédito Popular Solidário e Entidades Gestoras (Abcred), nos últimos anos o segmento foi impulsionado, apesar da dificuldade em captar verba.

“A regulamentação dificulta o repasse de recursos, e mesmo que os bancos venham acenando parcerias para o microcrédito, esse movimento ainda é pequeno”, relata. O diretor-executivo do Portosol diz, ainda, que o Bndes é o maior incentivador do segmento, sendo a instituição que mais apoiou a entidade desde sua criação, em 1996.
O chefe da divisão de atendimento ao trabalhador do Ministério do Trabalho, Luiz Muller, destaca que para o Bndes, adaptado a grandes movimentações financeiras, o microcrédito é um desafio e um aprendizado. Além disso, reconhece o projeto como regularizador do setor. “É importante salientar as iniciativas do governo em possibilitar crédito formal mesmo para os que estão na informalidade.” Ele enfatiza que o crédito solidário é um estímulo ao espírito empreendedor dos pequenos empresários.

Nos 14 anos de atuação, a Instituição Comunitária de Crédito já repassou uma quantia em torno de R$ 130 milhões para empresários de baixa renda do Rio Grande do Sul, somando mais de 116 mil contratos de financiamento, 13 mil somente na Região Metropolitana. Em todo o Brasil, mais de R$ 800 milhões já foram destinados para esse tipo de recurso, principalmente no Nordeste, região onde o modelo é considerado consolidado.

CONSTRUINDO A NOVA ORDEM MUNDIAL

Leia a íntegra do discurso do presidente Lula em Davos

Pescado do Blog www.drrosinha.com.br

Discurso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Fórum Econômico Mundial

Discurso pronunciado pelo Ministro Celso Amorim em nome do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Davos, em 29 de janeiro de 2010

“Minhas senhoras e meus senhores,

Em primeiro lugar, agradeço o prêmio “Estadista Global” que vocês estão me concedendo.

Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida.

Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando – mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado.

Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.

Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial.

Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo.

O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo.

O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

Meus senhores e minhas senhoras,

O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos.

Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical.

Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.

No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos.

Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações.

Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática.

E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.

Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos.

Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu.

Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.

Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial.

Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.

O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza.

Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga.

Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte?

É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família.

Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.

Minhas senhoras e meus senhores,

O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou?

Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil.

Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta.

Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?

Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente?

Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral?

Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos.

E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora.

E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.

Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.

Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto?

Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?

Meus senhores e minhas senhoras,

Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso?

Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas.

Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia.

Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham?

Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?

O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas?

Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.

Meus senhores e minhas senhoras,

Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise.

Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre.

Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.

Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado.

Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.

O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social.

E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.

Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil.

Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.

Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão.

Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.

Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros.

Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.

Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.

As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito.

Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de “crédito consignado”, que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.

Minhas senhoras e meus senhores,

Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil.

Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país.

O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora.

O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.

Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global.

A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação.

Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.

Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias.

É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar.

Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar.

Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde.

Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos.

E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Muito obrigado.”

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Luiz Müller

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