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O PT deve liderar a defesa da democracia

 no Blog Sustentabilidade e Democracia

lula_metalúrgico

Foto: Lula discursando aos metalúrgicos contra a Ditadura.

Não esperem que as ações golpistas da direita sejam realizadas por meio de grandes mobilizações populares. Por mais que a Globo tenha dado ênfase à retórica dos sem partidos em julho de 2013, jamais as mobilização estiveram sob hegemonia da direita, tanto é verdade que a saída do “Movimento Passe Livre” da organização resultou num esvaziamento das passeatas, e no crescimento da violência sem sentido dos “black-bockes”.

A rua não é um espaço onde os conservadores sintam conforto, especialmente com a presença de população organizada. Sem o apoio agressivo das forças da repressão, os golpistas neoliberais preferem a penumbra dos gabinetes e os acordos na calada da noite. Assim foi em 64, assim foi na votação na Câmara contra a Política Nacional de Participação Social e em todos os momentos da história.

As sombras e a hiper-realidade da mídia são os únicos espaços onde os agentes da direita conseguem se expressar de forma mais clara. Fica mais fácil esconder informações, manipular dados, criar heróis e vilões num jogo maniqueísta de poder.

É exatamente por isso que devemos nos precaver contra “golpes brancos”, ou o uso farsesco de instrumentos formais para direcionar ataques contra a organização democrática institucional. O Golpe de Estado praticado pela direita Paraguaia contra o Governo Democrático de Fernando Lugo, condenando pela diplomacia do Mercosul e da Unasul, ainda está muito próximo, e não pode ser esquecido.

A direita brasileira cada vez mais se aproxima da direita paraguaia, vejam a retórica de pessoas como Gilmar Mendes, Fernando Henrique Cardoso e Ferreira Goulart.

Quando uma comissão parlamentar de inquérito, formado por todos os partidos, resolve atacar apenas o sigilo bancário do tesoureiro de um único partido, quando PP, PMDB, PSDB e PSB aparecem em todas as listas de possível beneficiados não por esquemas de caixa dois de campanha, mas de corrupção, alguma coisa está muito errada.

Quando a Veja antecipa a publicação de uma edição, inclusive errado a data, existem indícios de que a mídia oligopolista pretende afastar ameaças aos grupos a quem está vinculada.

E aqui deixo bem claro o meu entendimento exarado em textos anteriores, de que pessoas suspeitas de corrupção devem ser investigadas, “doa a quem doer”, mas isto não pode ser realizado de forma seletiva, quando temos escândalos gritantes como o do Metrô de São Paulo, a Operação Satiagraha, e a Operação Castelos de Areia, que ainda continuam sem punição.

Outro ponto importante, e que fica evidente em todos os processos, é que não vejo nenhum fundamento na política de terra arrasada, pois isto apenas poderia redundar em efeitos negativos contra a economia.

Também não existe fundamento para utilizar as informações da Operação Lava Jato para reforçar a especulação financeira contra a Petrobrás. Reiterado interpretação anterior: “cada ataque à empresa estatal é, de fato, uma tentativa escandalosa de reduzir os custos de uma futura operação de venda da estatal”. Essa é a verdadeira bandeira da direita, e não a defesa do patrimônio público.

A Petrobrás é a fiadora de muitas obras e projetos desenvolvidos no Brasil em todos os campos, e fonte de geração de milhões de empregos. Mais do que isto, a Petrobrás é a gestora das obras e dos fundos do Pré-sal, fornecendo condições para a criação de importante capital social para o futuro do país, através do reforço das políticas de educação.

Portanto, também não é momento para condutas esquerdistas, daquelas que acreditam que o caos econômico permitirá uma transformação revolucionária. Qualquer intelectual de esquerda que tenha lido a obra de Antônio Gramsci sabe a importância da conquista hegemonia, e da necessidade reforçar a atuação política no campo da sociedade civil, por meios de sindicatos, movimentos sociais e ONGs.

Logo, o atual momento político não pode ser lido de forma ingênua, nem permite espaço para condutas mimadas e ressentidas de militantes e de políticos. É importante que o Partido dos Trabalhadores assuma uma posição de protagonista no enfrentamento dos arroubos golpistas da direita, e na efetiva defesa da Democracia, inclusive através do reforço das lutas populares.

Os resultados das eleições de outubro demonstram que a sociedade não aceita mais os desmandos dos meios de comunicação oligopolistas, nem quer um retrocesso ao neoliberalismo dos anos 90. Quer, isto sim, e de forma hegemônica, a manutenção de governos comprometidos com políticas sociais, com a radicação da democracia participativa, e com a defesa intransigente de direitos fundamentais.

Nunca tivemos um país dividido, como pregam os asseclas do golpismo, mas o confronto eleitoral de projetos distintos de desenvolvimento e de diferentes formas de forma vínculos com a sociedade. A única divisão concreta é entre os reacionários, comandados pela mídia e pelo PSDB, e as forças progressistas, que possuem no PT a sua maior expressão.

Retornando à parte inicial do artigo, a rua não é um espaço de conforto para a direita. Quem ataca a Política Nacional de Participação Social tem medo de mobilização efetiva da sociedade e, mais do que isto, de mobilização consciente e crítica, prefere ruas esvaziadas, ou ocupadas por meia dúzia de histéricos direitistas com comportamento histriônico.

É por isso que além da luta institucional, seja no âmbito parlamentar, seja por meio judicial, seja na própria Presidência da República, devemos reforçar a mobilização popular de sindicatos, de movimentos sociais, e das organizações efetivamente comprometidas com a Democracia contra qualquer forma de golpismo.  A defesa da participação social, da Reforma Política, da sustentabilidade, e do controle social da mídia, são bandeiras que devem tomar conta das ruas.

Precisamos colocar a defesa da Democracia no centro do debate político. Esta é uma tarefa fundamental da esquerda. Este é um imperativo ao Partido dos Trabalhadores.

Fascistas atacam família de petistas, depredam carro e ferem mulher em Brasília

O fascismo e o nazismo nasceram assim. Hordas de malucos espalhavam falsas noticias de assaltos, mortes, corrupção, etc…Logo em seguida a mídia da época passava a repetir insistentemente a noticia falsificada. Era Goebels, Ministro da Propaganda de Hitler que ensinava que “repetir a mentira centenas de vezes a transforma em verdade no senso comum”. É o que esta em andamento no Brasil. A Mídia associada ao PSDB e a mais retrógrada direita brasileira, financiados por organismos internacionais atacam a democracia e tentam pelo medo impor a sua forma de pensar. Tripudiam sobre a democracia, que acabou de reeleger a Presidenta da República. Mas o que querem mesmo é destruir as conquistas alcançadas nos últimos anos  e deslegitimar o Brasil diante da comunidade internacional. Como disse um amigo outro dia a um destes malucos que só falam em corrupção: “É o Pré-Sal, estúpido”. Eles não estão preocupados com “a corrupção”. Eles querem as riquezas nacionais que hoje o Brasil já explora em benefício de seu povo. E para isto vão financiar os idiotas brasileiros que também não estão nem aí pra corrupção. Estes que se manifestam, são os que não toleram a melhoria de vida que milhões de brasileiros tiveram. São os preconceituosos de todos os tipos que se associam aos golpistas financiados pelo capital financeiro e pelo império. E partem para as agressões físicas para implantar o terror e o medo, para depois exigir a deposição dos que foram democraticamente eleitos. Em Brasília a violência já se fez sentir fisicamente, conforme descreve Antonio Felipe Gonçalves em seu perfil no Facebook e que colo logo abaixo. Incitar o ódio nas ruas é crime. Que como incitadores do ódio sejam punidos. Não são manifestações políticas. São manifestações criminosas.

Estava voltando com minha família agora do almoço quando ao passarmos pela esplanada meu carro foi cercado e depredado por manifestantes pro-Aecio. Tacaram pedras que quebraram vidros, além de terem dado chutes na lataria.<br />
Mas não vou deixar barato.<br />
Estou na delegacia fazendo a ocorrência.<br />
Flávia Franco se feriu no braço com o vidro cortado e a filha esta em pânico.<br />
Isso é a democracia que eles pregam?<br />
Fascistas vocês não passarão!<br />
Parabéns Veja, Folha, Globo e afins. Vocês conseguiram.<br />
Mas podem ter certeza, isso só me dá força para não deixar o Brasil cair na mão desses fascistas!<br />
Sou Dilma Rousseff, Sou Lula!” width=”461″ height=”346″ /></div>
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Mas não vou deixar barato.<br />
Estou na delegacia fazendo a ocorrência.<br />
Flávia Franco se feriu no braço com o vidro cortado e a filha esta em pânico.<br />
Isso é a democracia que eles pregam?<br />
Fascistas vocês não passarão!<br />
Parabéns Veja, Folha, Globo e afins. Vocês conseguiram.<br />
Mas podem ter certeza, isso só me dá força para não deixar o Brasil cair na mão desses fascistas!<br />
Sou Dilma Rousseff, Sou Lula!” width=”461″ height=”346″ /></div>
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Antonio Felipe Gonçalves adicionou 2 novas fotos.

Nesse sábado estava voltando com minha família do almoço quando ao passarmos pela esplanada meu carro foi cercado e depredado por manifestantes pro-Aecio. Tacaram pedras que quebraram vidros, além de terem dado chutes na lataria.

Mas não vou deixar barato.
Estou na delegacia fazendo a ocorrência.

Flávia Franco se feriu no braço com o vidro cortado e a filha (de 6 anos) está em pânico.

Isso é a democracia que eles pregam?

Fascistas vocês não passarão!

Parabéns Veja, Folha, Globo e afins. Vocês conseguiram.

Mas podem ter certeza, isso só me dá força para não deixar o Brasil cair na mão desses fascistas!

Sou Dilma Rousseff, Sou Lula!

REFORMA POLÍTICA SEM CONSTITUINTE E MUITA MOBILIZAÇÃO PODE VIRAR CONTRA REFORMA COM UM CONGRESSO NACIONAL CONSERVADOR

Por Ricardo Gebrim no Portal Plebiscito Constituinte 

Lula: “Se você olhar a Veja como um panfleto do Aécio, você sofre menos” (vídeo)

O ex-presidente criticou a capa antecipada pela revista e afirmou que não a leva a sério, pois “ela odeia o PT e os governos do PT”
 ex-presidente afirmou que a Veja é uma revista de oposição ao PT .
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em vídeo divulgado pelo Instituto Lula que última capa da revista Veja foi um instrumento para a campanha do então candidato à Presidência Aécio Neves “trabalhar na imprensa escrita e na imprensa televisada” e “talvez o melhor panfleto da campanha de Aécio”.

A capa, que foi antecipada pela revista para chegar às bancas antes das eleições do domingo 26, foi considerada a última “bala de prata” da oposição para reverter o cenário que apontava para a reeleição de Dilma Rousseff. “Se você olhar a Veja como uma revista de informação, você fica muito nervoso pela quantidade de mentiras. Agora, se você olhar a Veja como um panfleto da campanha do Aécio, você sofre menos”, afirmou Lula.

Dilma Rousseff se posicionou no horário eleitoral no mesmo dia da veiculação da revista, sexta-feira 24, afirmando que processaria a publicação. Na noite de sábado 25, o ministro Admar Gonzaga, do TSE, concedeu na noite o direito de resposta à candidata do PT por considerar que a publicação não teve “qualquer cautela” e transmitiu a acusação de “forma ofensiva” e em “tom de certeza”.

No vídeo, Lula ainda afirma que não lê a revista há muito anos. “Eu não levo a revista a sério”, disse. “Ela odeia o PT, odeia os governos do PT e nós ao invés de ficarmos nervosos e irritados, devemos ver que a Veja é uma revista de oposição ao governo.”

Na democracia não tem terceiro turno

Adeli-SellPor Adeli Sell

Tão logo se tornou público o resultado das eleições presidenciais, consagrando Dilma Rousseff a primeira mulher reeleita presidenta deste País, já se ouvia por aí comentários maldosos sugerindo – pasmem – o impeachment dela. Isto é um chamado claro para o golpe, como os golpes tentados pela mídia e alguns segmentos radicais do tucanato, que perde quatro eleições consecutivas para o Partido dos Trabalhadores.
Na democracia é assim, pode-se ganhar uma eleição com diferença de apenas um voto. Dilma ganhou com quase 4 milhões, apesar de tudo o que foi feito contra ela e contra o PT. Não tem terceiro turno.
A presidenta, corretamente, em seu discurso da vitória chamou pela união dos brasileiros e disse que aprendeu na campanha que o povo quer mais mudanças. Foram assim as vozes das jornadas de junho de 2013, vozes dispersas que só se encontraram em alguns momentos de turbulência, não ficando claro porque no meio delas surgiram os oportunistas à direita e à esquerda.
O lacerdismo, ao estilo dos caciques da velha UDN, o repeteco dos métodos da velha revista ‘O Cruzeiro’ foram mais do que presentes, preocupantes. Para a população a presidenta garantiu mais e mais educação. E irá ampliar o Pronatec e todos os meios de educação da pré-escola ao Ciência sem Fonteiras. Como ouvimos nas ruas, agora, o filho do pedreiro pode virar doutor.
Mas sem as reformas, o País não avançará. Acerta a presidenta quando fala em priorizar a Reforma Política, pois o atual modelo está falido, induz à corrupção e a todas as conhecidas mazelas, como caixa 2, etc. Mas não pode deixar de pensar no controle externo do Judiciário, bem como na democratização da mídia, acabando com seu poder monopolista e antidemocrático.
Temos que apostar na democracia, na participação da população das decisões, como no combate sem tréguas à corrupção. E aqui, como lá, vamos respeitar os resultados das urnas, fazendo uma transição sem tumultos e de forma transparente, apostando numa oposição responsável, para podermos trilhar bons caminhos nas eleições municipais de 2016.

Adeli Sell

Subsecretário do Parque Assis Brasil

O FASCISMO À ESPREITA NA RETA FINAL

O discurso de que há pessoas que são acima dos partidos é antigo.E custou caro para a humanidade

Toda vez que pessoas se colocaram acima dos partidos, a conta foi o fim da democracia. Partidos políticos, com seus acertos e com seus erros são a base da democracia

por Paulo Moreira Leite no seu Blog

Atos de violência e intimidação são resultado previsível de uma política de criminalização da política e dos políticos

Na quinta-feira, quando Dilma teve uma queda de pressão no SBT, um médico gaúcho usou o twitter para mandar essa “#%&!##”chamar um “médico cubano.”

(Dois dias antes, ao sair do carro no estacionamento da TV Band, para o debate anterior, a presidente foi recebida pelos gritos de um assessor parlamentar adversário. Ouviram-se coisas como “vaca”, “vai para casa…”)

No Rio, o cronista Gustavo Duvivier passou a receber diversos tipos de ameaça depois que publicou um texto onde deixou clara sua preferência por Dilma.

Agressores avançaram sobre o escritor Enio Gonçalves Filho, blogueiro com momentos de boa inspiração — e que é cadeirante — quando ele se dirigia ao Churrasco dos Desinformados, na Praça Roosevelt. Enio se dirigia a um protesto para responder ao comentário de Fernando Henrique Cardoso sobre a vantagem de Dilma nos estados do Nordeste (“O PT está fincado nos menos informados, que coincidem de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT. É porque são menos informados,” disse FHC).

No meio do caminho, três sujeitos avantajados tentaram obrigar Enio a tirar sua camisa vermelha — ele é petista — e chacoalhavam sua cadeira de rodas.

Uma comunidade de quase 100 mil usuários numa rede social, que se declaram profissionais da classe médica brasileira, se tornou palco de uma guerra dentro da  corrida presidencial. Com o título de “Dignidade Médica”, as postagens do grupo pregam “castrações químicas” contra nordestinos, profissionais com menor nível hierárquico, como recepcionistas de consultório e enfermeiras, e propõe um “holocausto” contra  os eleitores de Dilma.

 

A maioria dos estudiosos costuma ligar a emergência do ódio político, sentimento que está na base dos movimentos fascistas, a situações de crise econômica, quando a maioria das pessoas não enxerga uma saída para suas vidas nem para suas famílias. Embora a economia brasileira tenha crescido pouco em 2014, ninguém definiria a situação do Brasil como catastrófica.

Ao contrário do que ocorria na Europa dos anos 20 e 30, que viu nascer os regimes de Benito Mussolini e Adolf Hitler, o Brasil não se encontra numa situação de superinflação nem de desemprego selvagem. A média dos últimos quatro anos de inflação é a segunda mais baixa da história do IBGE — numa linha que vai até 1940.

O desemprego é o menor da história e continua caindo. Nada menos que 123 000 novos postos de trabalho foram criados em setembro 2014. É inegável que ao longo dos anos ocorreram avanços na distribuição de renda, no combate a desigualdade, na ampliação dos direitos das maiores que passavam excluídas pela historia.

A intolerância de 2014 tem origem política e tem sido estimulada pelos adversários do PT e Dilma. Procura-se questionar a legitimidade de suas decisões e rebaixar moralmente os eleitores os apóiam.

Em 2006, quando Lula foi reeleito, um ano e meio depois das denúncias de Roberto Jefferson, o Estado de S. Paulo publicou uma reportagem tentando sustentar que “a aceitação da corrupção na política está mais presente entre os eleitores de baixa renda.”

Ao fazer pesquisas que associavam valores morais aos anos de educação formal de um cidadão, o estudo A Cabeça do Brasileiro sugeria que a baixa escolaridade — condição da maioria da população — tornava a parcela menos educada da população mais vulnerável ao “jeitinho” e outras práticas condenáveis.

Procurando entender a origem do fascismo nas primeiras décadas do século passado, Hanna Arendt deixou lições que podem ser úteis para o Brasil de 2014.

Hanna Arendt usava uma expressão interessantíssima — “amargura egocêntrica” — para definir a psicologia social dessas pessoas que integravam movimentos de vocação fascista. Ela escreveu: “a consciência da desimportância e da dispensabilidade deixava de ser a expressão da frustração individual e se tornava um fenômeno de massa.”

É sempre interessante recordar um levantamento feito em 2011 pelo instituto Data Popular. Entrevistando 18 000 cidadãos na parte superior da pirâmide de renda, o DataPopular descobriu que:

55,3% concordam que deveria haver produtos para ricos e pobres

48,4% concordam que a qualidade dos serviços piorou com o maior acesso da população

62,8% concordam que estão incomodados com o aumento das filas

49,7% concordam que preferem frequentar ambientes com pessoas do seu nível social

16,5% concordam que pessoas mal vestidas deveriam ser barradas em alguns lugares

26,4 % concordam que o metrô aumenta a circulação de pessoas indesejáveis na região em que moram

17,1% concordam que todos os estabelecimentos deveriam ter elevadores separados.

A intolerância e o ódio cresceram no Brasil com uma consequência inevitável de um movimento destinado à criminalização da política e dos políticos — em particular do Partido dos Trabalhadores, nascido para ser “aquela parede protetora” das classes assalariados e dos mais pobres, para usar uma expressão de Hanna Arendt. Pela destruição das barreiras de classe, que permitem distinguir um partido de outro, os interesses de uns e de outros, firmou-se o conceito de que nossos homens públicos são autoridades sem escrúpulo e bandidos de alta periculosidade, sem distinção, descartáveis e equivalentes, “não apenas perniciosas, mas também obtusas e desonestas, ” como escreveu a mestra.

As atitudes agressivas e tentativas de humilhação nasceram durante o julgamento da AP 470, no qual se assistiu a um espetáculo seletivo de longa duração. Enquanto os acusados ligados ao PT e ao governo Lula eram julgados em ambiente de carnaval cívico-televisivo, num espetáculo transmitido e estimulado por programas de TV, os acusados do PSDB, envolvidos nos mesmos esquemas, dirigidos pelas mesmas pessoas — e até com mais tempo de atividade — foram despachados para tribunais longe da TV, a uma distancia de qualquer pressão por celeridade. Sequer foram julgados — embora a denúncia seja anterior.

Há outros componentes no Brasil de 2014. A referencia sempre odiosa aos médicos cubanos que respondem pelo atendimento de brasileiros que nossos doutores verde-amarelos não têm a menor disposição de atender, revela o casamento do preconceito com um anticomunismo primitivo, herança viva da ditadura de 1964. Permite ao fascismo recuperar o universo Ame-o ou Deixe-o, assumir-se como aliado da ditadura sem dizer isso de forma explícita.

O progresso social dos últimos anos ajudou a criar ressentimento de camadas de cima que se vêem ameaçadas — — em seu prestígio, mais do que por outra coisa – em função do progresso dos mais pobres, essa multidão despossuída que na última década conseguiu retirar uma fatia um pouco mais larga do bolo da riqueza do país.

Em 2010, a vitória de Dilma Rousseff foi saudada em São Paulo por um grito no twitter: “Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”, escreveu uma estudante de Direito. Três anos mais tarde, ela foi condenada um ano e cinco meses de prisão, mas teve a pena transformada em prestação de serviços comunitários.

“O que perturba os espíritos lógicos é a indiscutível atração que esses movimentos exercem sobre a elite “, escreveu Hanna Arendt.

Richard Sennet, um dos principais estudiosos das sociedades contemporâneas, definiu o ressentimento como a convicção de que determinadas reformas em nome do povo “traduzem-se em conspirações que privam as pessoas comuns de seu direito e seu respeito.” Os benefícios oferecidos aos mais pobres resultam em insegurança e insatisfação por parte dos cidadãos que estão acima das políticas sociais dirigidas às camadas inferiores, explica Sennet, para quem essas pessoas tem o sentimento de que o governo “não conhece grande coisa de seus problemas, apesar de falar em seu nome.”

Mas quais seriam estes problemas? Hanna Arendt falou em “amargura egocêntrica.”

Na decada de 1950, poucas medidas de Getúlio Vargas despertaram o ódio de seus adversários como a decisão de aumentar o salário mínimo em 100%. Pouco importava que esse número se baseasse na inflação do período anterior, de inflação altíssima. A questão é que, com um salário desses, um operário da construção civil poderia ganhar o mesmo que um militar de baixa patente e outros funcionários públicos — e isso era inaceitável num país onde o trabalho de um pedreiro era visto como a herança da escravidão.

O fim da história nós sabemos.

Urgente: Em vídeo Tarso Genro denuncia golpe em andamento no Brasil


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