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Aécio diz que programa de Marina é versão genérica do programa do PSDB”

Neste sábado (30), cumprindo agenda de campanha no interior de São Paulo, o candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) comemorou o novo programa de governo de Marina Silva(link is external) (PSB), apresentado ontem (29) e já alterado duas vezes desde então.

Aécio disse: “O programa da candidata Marina, a 30 dias das eleições, é a maior homenagem que nós poderíamos receber nesse momento. Porque, na verdade, ela consagra as teses que nós defendemos ao longo da nossa existência. Lamento apenas que essa conversão, do ponto de vista econômico, da gestão, não tenha vindo um pouco antes”.

O presidenciável disse ainda: “Fico feliz em ver que ela (Marina) adota práticas que nós já executamos em Minas Gerais, como o do regimento variável dos servidores da educação que ela propõe, que nós já fazemos em Minas na educação e em várias outras áreas, a partir dos resultados alcançados”. O tucano se disse feliz também por ver a “conversão” de Marina Silva à necessidade de que o agronegócio seja estimulado e de que o governo seja parceiro, por exemplo, do etanol; “algo que nós sempre praticamos ao longo da nossa vida política”, concluiu Aécio.

Finalizou observando que o programa de governo de Marina Silva é como o genérico do seu: “Portanto, entre o original e aquele que se apresenta agora, talvez com uma marca um pouco genérico, eu fico com o original; e tenho muita confiança de que no momento da decisão, em que vai prevalecer a razão, nós vamos vencer as eleições, não só para tirar o PT do governo, mas para iniciar um novo ciclo virtuoso de crescimento e de desenvolvimento social no Brasil”.

Marina, que vem se apresentando como uma nova opção à suposta polarização política atual, tem, de fato, mais similaridade com a direita brasileira do que parece mostrar. Como é o caso do pré-sal, uma das maiores descobertas na área de petróleo no Brasil e que, como diz a presidenta Dilma, “tornará um bem finito (petróleo), num bem infinito: a educação“, e que foi ignorado pela equipe da candidata, enquanto o partido de Aécio tentou privatizar a Petrobras, nos anos 1990. Caso eles tivessem tido tempo de concluir essa ação, hoje todos os recursos que serão destinados à educação e saúde estariam gerando lucro para uma empresa privada.

Ambos também se assemelham em outras questões, como o interesse pelo controle do mercado na economia nacional, com ações como a autonomia do Banco Central, e a intenção de diminuir o tamanho do Estado brasileiro, o que poderia diminuir, consequentemente, a qualidade do atendimento ao cidadão.

Pescado do Muda Mais

Marina: Gilson Carone Filho vê Desemprego, arrocho salarial e redução do investimento na saúde e educação no programa de governo

MarinexBCPor Gilson Caroni Filho no seu Perfil no Facebook

Acabo de ler o programa econômico de Marina da Silva que, como todos sabem, foi escolhida pela ” providência divina”. Alguns pontos devem ser esclarecidos para os eleitores mais jovens.
1) Marina pretende dar autonomia para o BC. O que significa isso? Entregar o banco para o mercado financeiro. Não por acaso conta com o apoio de banqueiros em sua campanha.
2) No documento consta que políticas fiscais e monetárias serão instrumentos de controle de inflação de curto prazo. Como podemos ler este ponto? Arrocho salarial e aumento nas taxas de desemprego.
3) O programa ainda menciona a diminuição de normas para o setor produtivo. Os mais açodados podem pensar em menos carga tributária e burocracia para as empresas. Não, trata-se de reduzir encargos trabalhistas com a supressão de direitos que facilitem as demissões. Há muito que a burguesia patrimonialista pede o fim da multa rescisória de 40% a ser paga a todo trabalhador demitido sem justa causa. O capital agradece.
4) Redução das prioridades de investimento da Petrobrás no pré-sal. O que significa? Abrir mão de uma decisão estratégica de obter investimentos para aplicar na Saúde e na Educação. Isso, meus amigos mais jovens, é música para hospitais privados, planos de saúde e conglomerados estrangeiros que atuam na educação. O que o grupo Galileo fez com a Gama Filho e Univercidade , aqui no Rio, é fichinha perto do que está por vir. Era com uma coisa desse tipo que vocês sonhavam quando foram às ruas em junho do ano passado?
5) Em vez do fortalecimento do Mercosul, o programa da candidata, que ” quer fazer a nova política,” prega o fortalecimento das relações bilaterais com os Estados Unidos e União Européia.Vamos retroceder vinte anos e assistir a um aumento da desnacionalização da economia latino-americana. É isso que vocês querem?
6)Meus amiguinhos, não sei se foi a providência divina quem derrubou o avião em que viajava Eduardo Campos. Mas o que a vice dele, uma candidata que está à direita de Aécio Neves, lhes oferece é o pão que o diabo amassou. Gosto da vida,
gosto da juventude,mas, agora, cabe a vocês escolher o que desejam enfiar goela adentro. Não há mais ninguém inocente. Um bom fim de semana a todos.

Marina tem “VISÃO OBSCURANTISTA” DO PRÉ-SAL

Programa de Marina é ameaça aos programas sociais e a geração de empregos

 

 

Marina Banco

 

A manchete da Folha diz tudo. Com a vitória de Marina o Brasil entraria numa era similar a da Europa, ou seja, Juros Altos, desemprego e miséria. Os juros mais altos podem até conter a inflação, mas engordam os lucros dos bancos. Já as empresas investem menos ou até param de investir quando os juros estão altos. Se as empresas não investem, não geram empregos e até demitem, isto quando não quebram. É o que esta acontecendo na Europa. Índice de desemprego chaga a 25% da população na Espanha e 14% na Espanha. Nos governos do PT, os juros foram reduzidos, os preços do Petróleo e da energia foram controlados e as empresas não deixaram de investir. E nem o Governo. Por isto continuamos gerando empregos e chegando a menor taxa de desemprego de toda a história do Brasil além de reduzir a miséria a patamares ínfimos. O povo vai decidir entre continuar mudando com a segurança de não recuar, ou voltar atrás, ao tempo em que a fome e a miséria campeavam no Brasil e o desemprego também era alto como é hoje na Europa, dirigida que é por representantes do grandes bancos internacionais. Perguntarão então por que não mencionei Aécio. Não precisa. O Programa da Marina é cópia do programa do Aécio. Só que no caso da Marina, ela aceita que os bancos mandem diretamente na sua campanha, tanto isto é verdade que Neca Setubal, do Itaú, esta na coordenação.

POR QUE A REFORMA POLÍTICA É NECESSÁRIA E POR QUE ELA DEVE SER FEITA POR UMA CONSTITUINTE EXCLUSIVA

Por Luiz Müller

Nas eleições eu voto em candidatos majoritários, Governador, Presidente e Senador. Neste caso, os mais votados se elegem. E voto também em candidatos à Deputado Estadual e Federal. Estes candidatos faziam parte da lista de candidatos de um partido, neste caso, o PT. O PT, assim como os demais partidos, tem um projeto político de poder. Durante as eleições eles apresentam (ou deveriam apresentar) este projeto, para que a população escolha entre um e outro. Não são (ou não deveriam ser) projetos pessoais e sim coletivos. Até por que, se uma pessoa quisesse governar a partir de seus projetos pessoais, isto de alguma forma seria ditadura. Por isto são os partidos (partes da sociedade) que agregam os vários militantes que concordam com o programa deste ou daquele partido. Quem vota em deputados individualmente, fazendo inclusive um voto sem nenhuma unidade programática com o argumento de que “vota nas pessoas que fazem” e não nos partidos, está enganando a si mesmo, pois o para ser candidato, é necessário o indivíduo assumir compromisso com o programa do partido (qualquer partido). Assim esta “pessoa que faz”, pode até atender demanda específica e individual, mas quando se tratar dos interesses da comunidade, este mesmo indivíduo votará com as posições da “sua bancada” e do seu partido. Meu candidato a Deputado Estadual se elegeu, o Federal não. Mas os votos de ambos contaram para eleger outros, pois os votos são na Legenda. A “legenda” é a chapa do Partido nas eleições. O problema desta forma de eleição é que ela não é precedida de nenhuma discussão prévia sobre o projeto. As pessoas se inscrevem como candidatos e quem tem mais dinheiro tem mais possibilidade de se eleger. E é assim que acontece no geral, fora raras exceções. E os eleitores acham que estão representados ou não, por que o fulano que recebeu seu voto se elegeu ou não. Pura ilusão. Quem apresenta e defende os projetos é o Partido Político e a bancada deste partido (ou deveria ser). Ocorre que a forma de votação no Brasil, aparentemente democrática, pois garante voto até nos indivíduos, é uma forma de perpetuação de determinadas pessoas no poder em detrimento de verdadeiros projetos de nação, que é o que precisamos. Este sistema faz com que a corrupção e o clientelismo “corram solto”, contaminando até mesmo a índole honesta do cidadão comum, que muitas vezes vota num candidato, por que este lhe garante algum benefício individual para si ou para sua família. A Reforma Política tem que contemplar o que é comum em outros países: O Voto em Lista. O Voto em Lista significa que o eleitor não vota mais no indivíduo, mas sim no Partido Político. E é no debate dentro do Partido Político que Serão definidos os indivíduos que terão a cada eleição o compromisso de representar aquele projeto de sociedade no período seguinte. Ao invés de se digladiarem milhares de candidatos nas ruas, disputando eleitor a eleitor e gastando rios de dinheiro, os custos se reduzem e o voto e os representantes tem mais consistência ideológica e compromisso com o projeto coletivo e não com interesses individuais e de financiadores destas mesmas caras campanhas. Isto também obrigará os partidos a assumirem posturas diferentes das que vem assumindo hoje, ao se submeterem aos interesses de meia dúzia de indivíduos que fizeram da política não um espaço de representação coletiva, mas um espaço de “troca de favores” e de enriquecimento econômico pessoal.
A REFORMA POLÍTICA É URGENTE E FUNDAMENTAL. Mas será que estes deputados e senadores, eleitos neste processo político viciado e que privilegia interesses de alguns, farão uma reforma que de fato mude e dignifique o fazer político extirpando a corrupção e acabando com as falcatruas? Por isto, para que haja uma REFORMA POLÍTICA DE VERDADE, é preciso que haja uma CONSTITUINTE EXCLUSIVA para esta reforma. A CONSTITUINTE EXCLUSIVA é composta de deputados constituintes eleitos a partir de um debate na sociedade e que só votarão a Reforma, dentro de um tempo pré estabelecido, extinguindo-se depois a constituinte. Isto impediria que os mesmos que estão lá, façam leis novas, mas que beneficiem os mesmos velhos políticos que sempre se locupletaram desta forma de fazer política, aumentando por exemplo os seus salários em 67% quando a inflação no ano não passou de 6%. O velho jargão “mas sempre foi assim”, não pode mais prevalecer num país como o nosso, que se prtetende um dos grandes do mundo. Se “sempre foi assim”, também “sempre é tempo de mudar”. E o tempo da mudança, do sentimento de orgulho dos brasileiros e brasileiras, que o Presidente Lula nos legou, nos permite imaginar que é possível construir uma CONSTITUINTE EXCLUSIVA para fazer a REFORMA POLÍTICA e também a REFORMA TRIBUTÁRIA, tão necessárias ao país.

Lê também outro texto sobre A Reforma Política Clicando aqui

http://luizmullerpt.wordpress.com/2011/02/04/frente-nacional-pela-reforma-politica/

E outro texto aqui

http://luizmullerpt.wordpress.com/2014/03/02/o-pt-e-o-plebiscito-popular-pela-constituinte-exclusiva/

A RBS quer “ocupar o estado diretamente, e não mais por terceiros”

Em entrevista à Carta Capital, Tarso Genro coloca os pingos nos iis .
Para governador, a RBS quer “ocupar o estado diretamente, e não mais por terceiros” com candidaturas de Ana Amélia e Lasier Martins
Tarso Genro
“A nossa democracia está em implementação. Os partidos são pouco valorizados e o sistema político é deformado por relações regionais e oligárquicas. Não há um sistema político que dê coesão aos partidos por identidade ideológica e programática. A pauta da nação brasileira é feita pela Globo.” 

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), chega ao fim do seu mandato de governador em uma disputa apertada pela reeleição. Empatado tecnicamente com a senadora Ana Amélia (PP-RS), ele diz que espera melhorar nas pesquisas com o início do horário eleitoral.

Em entrevista a CartaCapital, Genro fez críticas ao grupo RBS, emissora gaúcha afiliada da Rede Globo. “Há uma marcada sensação política de que eles querem ocupar o estado diretamente, e não mais por terceiros”, diz o governador, referindo-se a Ana Amélia e Lasier Martins, que é líder na disputa ao Senado. Ambos são ex-jornalistas da emissora.Tarso ainda cobrou uma postura unitária do PT em temas como a reforma política, a taxação de grandes fortunas e a votação de um marco regulatório da mídia.

A entrevista faz parte de uma série com os candidatos do estado. Na terça-feira 26, foi publicada a entrevista com Ana Amélia. Ainda serão publicadas as entrevistas com os dois candidatos mais bem colocados na disputa ao Senado Federal, Olívio Dutra (quinta 27) e Lasier Martins (sexta 28).

Leia, a seguir, trechos da conversa com o candidato:

CartaCapital: Como o senhor avalia os quatro anos em que esteve à frente do Palácio Piratini? E o que pretende fazer caso seja reeleito?

Tarso Genro: Para responder a isso, tenho de dizer o seguinte: o debate aqui no estado é sobre dois modelos de gestão e desenvolvimento completamente diferentes. Minha adversária (Ana Amélia Lemos) defende o enxugamento da máquina pública, redução de gastos públicos e uma visão de organização financeira do Estado muito próxima do Estado mínimo, de um desenvolvimento econômico espontâneo originário nas relações do mercado.

Nós defendemos algo diferente, que o Estado abata parte da dívida e utilize esse novo espaço fiscal para obter novos aportes para investir em infraestrutura, além de guardar os recursos próprios para cuidar da questão salarial e investir em áreas fundamentais como saúde e segurança.

No nosso próximo período, queremos aumentar os gastos em infraestrutura e colocar mais ênfase nos programas sociais. E alavancar a base produtiva local, na agricultura familiar e em pequenas e médias empresas.

O estado estava na UTI, e agora ele está em recuperação. Agora pretendemos aprofundar todos os projetos que estão em andamento.

CC: O Rio Grande do Sul tem, relativamente, a maior dívida do País, que supera 50 bilhões de reais. O governo federal finalmente propôs votar a renegociação da dívida dos estados com a União em novembro deste ano. Esta já era uma questão da eleição passada, um pleito do senhor quando foi eleito. Por que a renegociação demorou tanto?

TG: Eu liderei com outros governadores essa movimentação, e nós tivemos a proposta desse projeto que a presidenta Dilma enviou ao Congresso Nacional. Articulamos a aprovação na Câmara e depois nas comissões do Senado.

Quando o projeto chegou ao plenário do Senado, os efeitos da crise econômica já haviam chegado aqui. E aí a equipe econômica do governo achou que a votação desse projeto poderia rebaixar a nota do Brasil nas agências de risco, e não queriam votá-lo.

Nós organizamos uma pressão para que viesse do governo uma proposta para votar o projeto integralmente em novembro. Aceitei esse acordo, porque eu acredito na palavra da presidenta Dilma.

As consequências desse projeto são extraordinárias. Para você ter uma ideia desse efeito, ele abate 16 bilhões da nossa dívida, nos autoriza a ter um espaço fiscal de 6 bilhões ou 7 bilhões para fazer financiamentos e investimentos em infraestrutura. É uma coisa que há mais de 20 anos tentávamos realizar e não conseguíamos.

CC: O senhor aparece empatado tecnicamente com a candidata Ana Amélia, numericamente atrás dela, na pesquisa Ibope. Na pesquisa do Instituto Methodus, aparece atrás dela. A que o senhor atribui esse resultado nas pesquisas?

TG: Pelo que sabemos, o Instituto Methodus é ligado ao PP aqui no RS. E a metodologia que eles usam é muito prejudicial, semelhante à da Datafolha.

Há pesos diferentes para regiões do estado, que têm maior ou menor volume de voto. E o Ibope considera que a região metropolitana no estado tem 42% dos votos, e isso reporta tradicionalmente todas as pesquisas que deram certo no estado. Os outros institutos, não. Por isso eu acho que temos empate técnico.

Nós tratamos com muita prudência todas essas pesquisas, mas o que nos posiciona positivamente são duas coisas: primeiro, o alto grau de aprovação do governo que nós vamos ter uma grande possibilidade de vitória. E o fato de nós termos um terço da população dizendo que nosso governo é bom e ótimo.

De outra parte, nós sempre fomos muito prejudicados pelo sistema de mídia daqui, que tem um predomínio de centro-direita. Ela cobre exclusivamente os problemas, ela não cobre as soluções. Procuramos reverter isso com o horário eleitoral.

 

CC: O senhor acha que esse tratamento da imprensa acontece independentemente de quem está no governo?

TG: Independente de quem for o governo, mas é muito agravado no nosso, que eles não têm nenhuma simpatia por razões explicáveis.

Isso nos deu uma desvantagem muito grande, porque para mostrarmos o que estávamos fazendo, tínhamos de pagar. E aqui nós não fazemos campanhas tão grandes como se faz em outros estados, porque não é uma tradição (do Rio Grande do Sul).

CC: Além de Ana Amélia, o candidato Lasier Martins, que lidera a disputa ao Senado, também era apresentador da Rede Globo. Qual a particularidade que faz o Rio Grande ter eles dois como líderes nas pesquisas? O senhor vê alguma diferença para outros estados?

TG: O que é diferente é o governo, que os leva a exacerbar determinadas posições. A nossa democracia está em implementação. Os partidos são pouco valorizados e o sistema político é deformado por relações regionais e oligárquicas. Não há um sistema político que dê coesão aos partidos por identidade ideológica e programática. A pauta da nação brasileira é feita pela Globo. E os partidos políticos não desafiam isso, nem o meu consegue.

 

CC: O PT desistiu do marco regulatório da mídia mais uma vez e o retirou do programa de governo de Dilma à reeleição.

TG: Esse é um exemplo. Não existe uma força partidária interna que compreende esse fenômeno novo: o de que os grandes partidos políticos do conservadorismo hoje não são os partidos tradicionais, são os grupos de mídia.

Ali se condensa um grupo de relações políticas, de pautas, de interesses econômicos, de visão da globalização e de distribuição dos interesses do capital financeiro que fazem a pauta da nação.

Isso se reflete aqui no estado. O grupo midiático mesmo diz “nós defendemos um projeto para o Estado”. E o programa deles para o estado está muito mais caracterizado pelo que foi o governo Britto (1995-1998) e o governo Yeda Crusius (2007-2010), que foi um governo falido pelas suas contradições internas, e não pela sua relação com a mídia.

Isso nunca gerou um antagonismo pessoal. Mas há uma marcada sensação política no estado de que agora, com esses dois candidatos, eles querem ocupar o estado diretamente, e não mais por terceiros.

CC: Nos últimos dez anos, o PT não fez as reformas necessárias para mexer nos interesses que o senhor critica. Além do marco regulatório, há diversos exemplos como o projeto que o senhor enviou, no Ministério da Justiça, de reforma política. Após quase 12 anos do partido na Presidência, ainda é possível esperar que o PT faça essas reformas?

TG: O PT não pode ser visto em abstrato fora da crise programática da esquerda mundial. Eu acompanhei tudo isso, tenho 67 anos. Aconteceu uma destruição dos valores mais fortes originários da Revolução Bolchevique, que é um marco extraordinário, e uma desagregação do projeto social democrata. Essa dupla desagregação democrática e social da via socialista impactou todos os partidos de esquerda. E não deixou de impactar o PT.

O PT hoje não tem unidade sobre questões fundamentais, nem sequer relacionadas com a questão social-democrata. Mas eu chamo atenção de que o PT, apesar dessa crise, foi o partido que melhor se saiu. Na Presidência, desenvolveu políticas neossocial-democratas, políticas que mudaram o País nesses dez anos.

Essa mudança importante modificou a estrutura de classes, aquilo que se chama erroneamente de nova classe média e que exige um partido de novo tipo. O PT está tentando acompanhar isso, mas não consegue de maneira integral fazê-lo.

Você pode ver que há pessoas muito distintas no PT. Você tem o Paulo Teixeira e você tem o Cândido Vaccarezza (deputados federais). São pessoas que têm posições distintas sobre a questão de economia no Brasil, rumos do desenvolvimento e formas de relacionamento com as grandes empresas. Isso determina que o PT seja um partido que ainda não superou essa crise de valores da social-democracia e do bolchevismo.

Vai superar ou não? Isso é indeterminado. Esses temas, que são uma coisa de princípio hoje, como a regulamentação das concessões da mídia e a questão do imposto sobre as grandes fortunas, são questões que o partido deveria enfrentar de maneira unitária. Mas não enfrenta em razão das suas limitações.

Então, eu te digo o seguinte: apesar de o PT ser o partido que melhor está transitando nessa crise, esse trânsito ainda não terminou.

CC: Uma das pessoas que não acreditam que o PT poderia fazer essas mudanças é a sua filha, Luciana Genro, hoje candidata à Presidência pelo PSOL. Ela chegou a falar que não votaria no senhor, já que está em outro projeto. Imagino que o senhor não vai votar nela…

TG: Claro que não (risos). Todo mundo sabe que nós temos uma relação de pai e filha, uma relação amorosa. Convivemos todas as semanas, e inclusive ironizamos um com outro a respeito das questões políticas.

A minha filha é uma pessoa muito coerente, eu tenho admiração por ela. Ela entende que o PSOL pode reconstruir um projeto nacional, um projeto de desenvolvimento socialista. Mas eu acho que isso é um profundo equívoco.

Esse não é um equívoco pessoal dela, mas do PSOL. Que todo mundo sabe que é originário de correntes trotkistas, e tem uma avaliação que é economicista e corporativista da luta de classes.

A dificuldade que partidos como o PSOL têm para crescer é entender os momentos de crise como criadores da base de massas para uma transformação social. Isso é um engano, as tensões passam e as massas refluem. Só tem condições de gerar um processo de mudanças, seja qual for, um partido que tem um programa e um convívio com a sua base de massas, que se integre na vida cotidiana e na produção. Esse partido não tem essa projeção.

Por isso, eles apostam em ser centelhas quando existem movimentos sociais. É uma experiência válida, mas isso não deu certo historicamente porque tem um equívoco de fundo. E é por isso que esse partido não cresce. Não é porque eles são radicais, como dizem alguns críticos da direita. Radical é pegar as coisas pela raiz, e acho que isso é precisamente o que eles não fazem. A história está mostrando o que eles estão enganados.

CC: Voltando à questão da imprensa, seu assessor Guilherme Gomes enviou uma mensagem ao diretor de jornalismo da Bandeirantes, depois publicada pela emissora. Pelo WhatsApp, ele dizia que a divulgação da pesquisa Methodus acarretaria “uma nova relação” entre o governo estadual e a emissora. O senhor autorizou aquela atitude?

TG: A mensagem do Guilherme é fruto de uma relação pessoal dele com os dirigentes da Band. Isso é uma coisa normal entre pessoas. O que foi surpreendente, para mim, foi ver que a Band fez uma matéria sobre isso. Você pode ver que ele também publicou uma mensagem da Band fazendo um diálogo a respeito de financiamento. (Nela, o diretor da Band o questionava sobre anúncios na rede).

Da minha lavra não saiu nenhuma orientação para o Guilherme fazer qualquer menção a respeito disso. E nem uma ameaça. Se fosse, seria uma contra-ameaça. Considero isso um incidente menor e não vai mudar minha relação com a Band.

CC: O que o senhor falou com o assessor?

TG: Quando olhei aquela pesquisa, eu falei: essa é uma pesquisa completamente manipulada. Ela está fora da margem de erro de todas as pesquisas. Diz lá para a Band que nós não acreditamos nessa pesquisa. O resto foram incidentes entre duas pessoas que tinham uma relação de confiabilidade e eu espero que possam recuperar.

 

CC: Beto Albuquerque (PSB), antigo aliado do PT no estado, desistiu da  candidatura ao Senado para ser vice de Marina Silva (PSB). Qual a avaliação que o senhor faz dessa chapa na disputa à Presidência?

TG: Eu me recusei a falar sobre isso por causa da postura necrófila que alguns jornais vinham fazendo a respeito da morte do Eduardo Campos, uma pessoa que eu presava e tinha relações de companheirismo político. Agora, esse assunto já foi transformado em questão política.

Primeiro, Marina é uma pessoa que eu admiro e respeito. Mas, do ponto de vista eleitoral, eu não vejo possibilidade de ela crescer a ponto de ameaçar a candidatura da presidenta Dilma.

Eu acho que ela pode ameaçar o Aécio, porque o Aécio é um candidato da espontaneidade. E reproduz aquela visão que é muito rejeitada pelo povo brasileiro, elitista e neoliberal.

Marina aparece já nesse choque emocional como a novidade, e essa novidade sempre tem um impacto positivo. Mas eu acho que isso aí vai para os caminhos normais. Por exemplo, Marina tem uma resistência muito grande em diversos setores do nosso empresariado desenvolvimentista.

CC: Mas Beto Albuquerque, que é ligado ao agronegócio, não ajudaria a minar essa resistência?

TG: Acho que não. Porque Beto é vice, e os grupos sociais, as classes sociais se reportam ao presidente.

CC: José Alencar não fez isso para Lula em 2002?

TG: Alencar foi uma confiabilidade para os empresários em abstrato. Mas tanto Lula quanto ele eram desenvolvimentistas. Marina e Beto têm visões diferentes, até contraditórias.

E a comoção causada pela morte de Eduardo sempre gera unanimidade em torno da pessoa. É natural que gere, porque a morte é um acontecimento tão absoluto, tão dramático, que repara todas as divergências. Então agora parece que ele era unanimidade, mas ele não era. Por isso, o impacto causado na morte dele também vai ser dissolvido ao longo do processo político.

Em segundo lugar, a entrada de Beto para a chapa da Marina resolve um problema do Beto, e não de estado. Ele estava em terceiro lugar, numa situação desconfortável e certamente não se elegeria.

Agora, como quadro político, ele valoriza a chapa da Marina? Me parece que sim. Mas do ponto de vista eleitoral, me parece que não.

Beto Albuquerque, Vice de Marina, pede votos para Alckmin em São Paulo

Socialista de “meia pataca”, Beto Albuquerque pede votos para Geraldo Alckmin, do PSDB, o mesmo da Yeda e da Ana Amélia. Já no RS diz que é “socialista”. Muito a ver com Pedro Simon, criador da Ética do Mampituba, que fala e faz uma coisa quando está em Brasília e outra bem diferente quando esta no RS. Beto andava no Governo do PT no RS e depois saiu, cuspindo no prato que comeu. Agora anda comendo em outros pratos, os mesmos em que come a sua candidata a presidente, que também troca pratos a toda hora e costuma cuspir nos pratos em que já comeu. Tudo a ver.

Vai a matéria da Rede Brasil Atual

Beto Albuquerque (PSB-RS) diz que governador era ‘exemplo’ para Eduardo Campos e pede votos pela reeleição do tucano, cujo candidato a vice é Márcio França, também do PSB

 

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O estranho caso da transformação de suposto socialista em ferrenho defensor de neo liberal

O candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, Beto Albuquerque, pede votos para o PSDB na TV

São Paulo – O candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, deputado federal pelo Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque (PSB), estreou hoje (27) na propaganda de TV do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição. Ele teve inserção breve, em que pede votos para o PSDB no estado e ressalta que o tucano “tem nosso respeito e nosso apoio”, já que Eduardo Campos “via em Alckmin um exemplo”.

Albuquerque foi escolhido pelo PSB para ser o interlocutor da campanha presidencial de Marina Silva e do tucanato paulista: o candidato a vice-governador de Alckmin, Márcio França, é do partido socialista, em acordo autorizado por Campos, embora rejeitado por Marina e pelos militantes da Rede Sustentabilidade, atualmente aglomerados em torno da legenda socialista até que ocorra a formalização do novo partido.

A candidata tem posição ambivalente: de um lado, diz a interlocutores que Alckmin é representante da “velha política” e rechaça apoio à reeleição do tucano, mas invoca Fernando Henrique Cardoso e José Serra como aliados na construção da “nova política” – a deferência a Serra levou Marina até a retirar o apoio que havia declarado à campanha de Eduardo Suplicy (PT) ao Senado por São Paulo.

Albuquerque não é o primeiro aliado de Marina Silva a pintar na propaganda eleitoral de Alckmin e do PSDB: na semana passada, Roberto Freire e Soninha Francine, candidatos a deputado e deputada federal pelo PPS, foram exibidos no tempo de TV dos tucanos em frente a letreiros pedindo voto para Aécio Neves (PSDB). O “engano”, segundo o deputado estadual Duarte Nogueira, presidente do PSDB de São Paulo, se deu porque os dois partidos gravam e editam os programas eleitorais no mesmo estúdio, que se “confundiu”.

O motivo que levou os técnicos do estúdio a inverter o local onde os candidatos deveriam ser exibidos é a relação entrelaçada entre os arcos de alianças das candidaturas do PSB e do PSDB. Embora o PPS tenha coligação majoritária (pelo cargo de presidente da República) com o PSB, a coligação proporcional (para os cargos no Poder Legislativo) é com o PSDB e o DEM. Isso significa que o eleitor que deseja votar em candidatos coligados a Marina Silva para todos os cargos e escolhe um deputado federal do PPS pode acabar ajudando a levar para a Câmara deputados do PSDB e do DEM, puxados pelos votos recebidos pelo PPS.

Esse fenômeno ocorre porque, pelas regras da coligação proporcional, primeiro são somados todos os votos recebidos pelas legendas coligadas. Depois, as cadeiras conquistadas pelo total de votos recebidos pelos partidos são distribuídos entre os candidatos da coligação, de acordo com a votação individual.

O advogado Alberto Rollo, especialista em processo eleitoral, ressalta que, embora as coligações sejam regulares, a aparição de candidatos de coligações distintas em programas de TV de adversário pode ser considerada crime eleitoral, desde que a Justiça Eleitoral considere que o eleitor está sendo enganado. “O princípio maior é que o eleitor não seja induzido ao erro, a votar em quem ele não pretende eleger”, resume.


Luiz Müller

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