Recordar é viver: Gilmar Mendes é acusado de sonegação fiscal e desfalque

Postado originalmente em O LADO ESCURO DA LUA:

Segunda capa de Gilmar Mendes em duas semanas: ministro do STF retratado em polmicas s vsperas do julgamento do mensaloH exatas duas semanas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes figurou emreportagem destacada na capa da…

Source: wwwterrordonordeste.blogspot.com

See on Scoop.itBOCA NO TROMBONE!

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O Senado procura Aécio, o homem que propôs uma oposição “incansável”

Postado originalmente em Blog do Renato:

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Um espectro não ronda a política brasileira: o espectro do comparecimento de Aécio Neves ao trabalho.O senador mineiro prometeu, terminada a eleição, fazer uma “oposição incansável, inquebrantável e intransigente” ao governo. Da tribuna, fez um discurso empolgado, com apartes ridículos de sicofantas como o colega Magno Malta.

“Ainda que por uma pequena margem, o desejo da maioria dos brasileiros foi que nos mantivéssemos na oposição, e é isso que faremos. Vamos fiscalizar, cobrar, denunciar”, disse. “Nosso projeto para o Brasil continua mais vivo do que nunca”. Falou por 30 minutos para um plenário e galerias lotados.

Passados vinte dias, Aécio virtualmente desapareceu. Não foi ao Senado nem na semana em que estourou a Operação Lava Jato para tirar sua casquinha do episódio.

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As boas e más notícias sobre os novos Ministros

Por  no GGN

A escolha dos novos Ministros da área econômica traz uma boa e uma má notícia.

A boa notícia é o critério na escolha dos dois Ministros indicados, Joaquim Levy e Nelson Barbosa.

Joaquim Levy é um economista sólido, um técnico que terá muito a acrescentar em duas áreas críticas do governo Dilma: as contas fiscais e a gestão da dívida pública.

Nelson Barbosa, além do conhecimento sólido sobre a economia, na crise de 2008 revelou-se um operador eficaz, montando a estratégia contra cíclica que impediu o país de afundar na crise mundial.

Teve que enfrentar, então, o peso morto do então presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Mas contou com a ajuda eficaz do diretor Alexandre Tombini – que, posteriormente, assumiu a presidência do BC.

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A má notícia é que Dilma convidou-os, sem conferir, antecipadamente, se aceitariam o arranjo proposto: Levy na Fazenda, Barbosa no Planejamento.

Teve que adiar o anúncio para o dia seguinte.

É ruim não pelo adiamento em si, mas por revelar que Dilma ainda não conseguiu superar sua maior fragilidade: o modelo de decisão isolado, individual, que emperra toda a administração e leva a decisões mal planejadas.

Na mesma semana, a presidente participou de reuniões do G20 – discutindo temas centrais para a economia mundial -, recebeu parlamentares, concedeu entrevistas, foi ao velório do ex-Ministro Márcio Thomaz Bastos, analisou o golpe aplicado pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Antônio Dias Toffoli – redirecionando as prestações de conta do PT e da campanha de Dilma para análise do notório Gilmar Mendes. E ainda pensou solitariamente na indicação da equipe econômica.

Não dá. Ou muda o estilo e se permite um conselho de assessores de confiança, ou não vai sair do lugar.

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Inicialmente Barbosa recusou o Planejamento, por ter se imaginado na Fazenda. A diferença entre os dois Ministérios está no controle dos bancos públicos: a Fazenda controla o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal; o Planejamento, o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), o BNB (Banco do Nordeste do Brasil) e o BASA (Banco da Amazônica S/A).

Provavelmente foi por aí que emperrou a negociação.

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Resolvidos esses problemas de espaço, e se não houver disputas de ego, Barbosa e Levy poderão compor uma dupla preciosa.

Ambos têm convicção sobre a importância de um estrutura de taxas de juros longas e civilizadas, para completar o ciclo de remanejamento da poupança privada para o longo prazo.

Barbosa estudou os novos títulos privados, capazes de permitir o financiamento da infraestrutura, e tem ótima interlocução com o setor real da economia; Levy é um especialista na estrutura de títulos públicos, com boa entrada no mercado.

Por outro lado, Barbosa tem uma visão técnica e política (no sentido das restrições políticas) da estrutura de gastos públicos; e Levy é um técnico meticuloso, no cálculo dos impactos de decisões sobre as contas públicas.

O terceiro membro do tripé será o presidente do Banco Central Alexandre Tombini.

Pautado, é um assessor de peso – como demonstrou na crise de 2008, na qual se transformou no principal interlocutor do BC junto à Fazenda.

***

Já as nomeações de Katia Abreu para o Ministério da Agricultura e de Armando Monteiro para o de Desenvolvimento, Indústria e Comércio foram acertadas. A lógica tem que ser essa: transformar o MInistério em uma síntese dos diversos setores sociais e econômicos.

Kätia Abreu tem que defender os interesses do agronegócio. E deve-se nomear um Ministro de peso para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, para cuidar da agricultura familiar. Do mesmo modo, Monteiro precisa estar permanentemente antenado com seus pares, para conferir protagonismo à indústria no seu Ministério.

O quadro será completo se Dilma colocar em andamento os conselhos, conferências e outras formas de participação popular.

Cada lado defende o seu. E, quando houver conflito de interesses, monta-se um conselho interministerial, discutem-se os pontos, negocia-se e a presidente arbitra.

O outro mundo possível da Tereza (Por Emir Sader)

Nos últimos 12 anos foi deixando de ser incômodo moralmente viver num país lindo, porém eticamente insustentável. E seguirá sendo assim pelo menos pelos próximos quatro anos, quando seguiremos contando com Tereza Campello na condução das políticas mais essenciais do governo
por Emir Sader, republicado da Rede Brasil Atual
TEREZATereza Campello soube encarar a falsa polarização entre universalização e focalização, para mostrar como o privilégio dos mais frágeis é uma chave de uma política social justa

É a mesma Tereza com que trabalhávamos nos fóruns sociais mundiais de Porto Alegre, pelo outro mundo possível. Só que está em outro lugar. Quando ela assumiu o Ministerio de Desenvolvimento Social, foi agregado ao seu nome o “Combate à Fome”. Era o objetivo maior, enunciado pelo próprio Lula no seu discurso de posse: que todos os brasileiros tivessem tres refeições diárias.

Hoje o nome do MDS foi superado pelas próprias políticas colocadas em prática sob a direção da ministra Tereza Campello. Se considera manter apenas MDS ou agregar algo do tipo “e Combate pela Justiça Social”.

Porque o Brasil que conclui o terceiro mandato dos governos do PT é outro. Os dados são conhecidos, mas não deixam de impressionar – ainda mais se acompanhados pelos tantos relatos da transformação da vida das pessoas ao longo de uma única geração. Essa mudança é expressa frequentemente pela Dilma ou pela Tereza na frase: “A primeira geração que cresceu sem fome no Brasil”.

A imensa democratização social que o pais vive desde 2003 se dá porque o salário mínimo aumentou 72% em termos reais de 2002 a janeiro de 2015. Porque a agricultura familiar cresceu 52% de 2003 a 2011. Porque a cobertura do Bolsa Família chega a 14 milhoes de famílias, cerca de 50 milhões de brasileiros, um em cada quatro habitantes do Brasil.

Porque o núcleo duro da pobreza, que era constituído por 71% de negros, de 60% situados no Nordeste, de 40% de crianças e adolescentes, foi atacado prioritariamente. O benefício médio mensal do Bolsa Família aumentou 84% entre 2011 e 2014. Fora geridas 406 mil empresas por beneficiários do Bolsa Familia. A pobreza crônica no Brasil desceu da casa dos 8% para 1%.

Num país como o Brasil, que era o mais desigual do continente mais desigual, o outro mundo possível começou com o fim da fome, passou ao fim da pobreza extrema, para que seja possível a construção de um país minimamente justo e solidário. As políticas sociais são o coração desses governos que promovem o maior processo de democratização social que já vivemos. São a razão ética e política fundamental do apoio que os governos do PT têm recebido desde 2003.

Tereza Campello é a ministra que personifica essas transformações e esses avanços. Que soube encarar a falsa polarização entre universalização e focalização, para mostrar como o privilégio dos mais frágeis é uma chave de uma política social justa. Que a universalização costuma sempre chegar a 90% da população, mas deixa de fora os mais necessitados. Foi preciso portanto fazer uma revolução copernicana, virar tudo de cabeça pra baixo, privilegiar expressamente os mais pobres. Focalizar nos 50 milhões do Bolsa Família não tem nada de assistencialismo, é opção preferencial pelos mais pobres.

Foi assim nesses 12 anos em que foi deixando de ser incômodo moralmente viver num país lindo, porém eticamente insustentável. E seguirá sendo assim pelo menos pelos próximos quatro anos, quando seguiremos contando com a Tereza na condução das políticas mais essenciais do governo, revelando porque ela é a melhor e a mais importante ministra do governo.

Táticas de “mudança de regime” aplicadas pelos EUA

De Hong Kong para Xinjiang: Beijing está se recuperando das “Táticas de Mudança de Regime” de Washington

[*] Aeneas GeorgGlobal Research

From Hong Kong to Xinjiang…: Beijing is Catching on to Washington’s Insidious “Regime Change Tactics”

Traduzido por Marcos Rebello, Texto publicado originalmente no blog Juntos Somos Fortes e republicado do RedeCastorPhoto

Embora tenha um nome novo e atraente, a recente “revolução” em Hong Kong (The Umbrella Revolution) seguiu um padrão norte-americano muito familiar de engenharia de desestabilização e mudança de regime. Os chineses sabem muito bem disso!

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Agora sabemos que a Rússia também sabe das formas e meios de “mudança de regime” que o império do caos usa cada vez mais para garantir a sua supremacia. Isso ficou claro no discurso de Putin no Valdai Club no final de outubro passado:

“Aliás, no momento, os nossos colegas [os EUA] tentaram gerir de alguma forma esses processos, utilizar conflitos regionais e desenhar “revoluções coloridas” para atender aos seus interesses, mas o gênio escapou da garrafa. Parece que os próprios pais da teoria do caos controlado não sabem o que fazer com ele; há desordem em suas fileiras.”

A China também tem sido alvo de tentativas de mudança de regime, tanto na província de Xinjiang, no oeste da China e agora recentemente em Hong Kong. A questão é o quanto os chineses estão cientes do papel dos Estados Unidos nestes movimentos de protesto? Um vídeo recente no YouTube (no fim do parágrafo, com legendas em inglês) deixa bem claro que os chineses estão lendo o jogo de xadrez geopolítico muito bem, se os pontos de vista apresentados também refletem as opiniões do povo chinês em geral. O vídeo mapeia 12 passos que os EUA usam para mudança de regime e explica como essas “mudanças de regime” em todo o mundo estão antagonizando a Rússia e a China e seguem um padrão que pode levar à Terceira Guerra Mundial.

Os 12 Passos para a mudança de regime, empregados pelos EUA descritos no vídeo:

  1. Despachar oficiais da CIA, MI6 e outros agentes da inteligência estrangeira disfarçados como estudantes, turistas, voluntários, empresários e jornalistas para o país alvo. (Atualmente o Embaixada dos EUA em Brasília dispõe de cerca de 500 agentes da CIA, ou simplesmente pagos pelos EUA com o objetivo fixo de subornar, orientar e comandar a 5ª coluna implantada no Brasil).
  1. Instalação de organizações não-governamentais (ONGs), sob o pretexto de humanitarismo para lutar por “democracia”, “direitos humanos”, “ecologistas” Para atrair os defensores da liberdade e dos ideais. (No Brasil usam ONGs como Greenpeace, HRW, Anistia Internacional, NED, entre centenas de outras [Nrc]).
  1. Atrair traidores locais e, especialmente, acadêmicos, políticos, jornalistas, militares, etc., ou através de suborno, ou ainda ameaçar aqueles que têm alguma mancha em sua vida. (Chantagem pura e simples [Nrc]).
  1. Se o país de destino tem sindicatos e centrais sindicais, suborná-los ou cooptá-los.
  1. Escolher um tema cativante ou cor para a revolução. Exemplos incluem a Primavera de Praga (1968), Revolução de Veludo (Europa Oriental, 1969), Revolução Rosa (Geórgia, 2003), Revolução do Cedro (Líbano, 2005), Revolução Laranja (Ucrânia), Revolução Verde (Irã), Revolução Jasmin, Primavera Árabe e mesmo os protestos em Hong Kong da Revolução Guarda-Chuva.
  1. Iniciar protestos por quaisquer razões para começar a revolução. Poderia ser direitos humanos, democracia, corrupção do governo ou de fraude eleitoral (no Brasil usaram o aumento das passagens de ônibus urbanos em São Paulo/junho/2013 numa tentativa de golpear os governos federal e municipal, ambos do PT [Nrc]). As evidências não são necessárias; qualquer motivo serve.
  1. Escrever cartazes de protesto e faixas em inglês para deixar que norte-americanos, europeus e políticos desses países vejam os manifestantes civis destes países envolvidos nos protestos.
  1. Deixar os políticos corruptos, os intelectuais e líderes sindicais se juntarem aos protestos e fazer apelo a todos os eleitores com quaisquer queixas para que adiram ao movimento.
  1. As mídias dos EUA e europeias continuamente estarão enfatizando que a revolta é causada pela “injustiça” ganhando assim o apoio da maioria no mundo ocidental.
  1. Quando o mundo inteiro estiver assistindo, pode-se cometer um atentado de falsa bandeira (como no caso do vôo MH17 na Ucrânia, ou na morte de centenas de pessoas por armas químicas na Síria [Nrc]). O governo alvo em breve será desestabilizado e perderá o apoio do povo.
  1. Agregar agentes provocadores violentos (como os atiradores treinados e pagos pela CIA que mataram centenas de pessoas na Praça Maidan em Kiev [Nrc]) para provocar a polícia a usar a força. (Tudo devidamente reportado e manipulado pela imprensa-empresa ocidental [Nrc]). Isso fará com que o governo alvo perca o apoio de outros países e se torne “deslegitimizado” pela “comunidade internacional”.
  1. Enviar para os EUA, a UE e ONU petições para que o governo alvo enfrente a ameaça de sanções econômicas, zonas de exclusão aérea e até mesmo ataques aéreos e uma insurreição rebelde armada. (Tal como Irã, Síria, Líbia, Rússia, Venezuela, e muitos outros países [Nrc]).
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Tumultos em Hong Kong em 18/10/2014

Qualquer pessoa que presta apenas um pouco de atenção nos eventos mundiais pode reconhecer esse padrão. Psicopatas não são muito criativos e, portanto, tendem a usar o mesmo método repetidas vezes. E isto trabalha principalmente para o benefício dos psicopatas no poder, a quem não importa que na mudança de regime a sua atuação fique exposta após a instalação de um governo fantoche. A mídia subserviente estará sempre à disposição para promover a propaganda e derrubar quaisquer opiniões contrárias a mão de quem esteve por trás da cortina, e sempre partem para xingamentos quando faltam argumentos. Um exemplo de como isso funciona em relação aos protestos de Hong Kong pode ser visto aqui:

A memória do público é convenientemente muito curta, e isso ainda com toda a distração que Hollywood, os meios de comunicação social e da Lei Geral podem criar em acima.

O vídeo continua:

Se os 12 passos acima não funcionarem, então os EUA encontram uma desculpa para intervir militarmente e derrubar o governo pela força. De fato, estes passos têm provado ser muito eficazes. (Temos os recentes exemplos do Iraque, Afeganistão, Líbia, Mali, Somália, Iêmen, Síria, Paquistão, só pra mencionar os mais óbvios… [Nrc]).

[...]

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Anson Chan (C) e Martin Lee (E), 5a. Coluna de Hong Kong, reunidos com a  NED em abril de 2014

Portanto, não é por movimentos civis espontâneos que os governos são derrubados. Pelo contrário, as revoltas são cuidadosamente planejadas e traçadas. De fato, derrubar um governo por meio de agitações civis é muito mais barato do que o envio de tropas para atacar e destruir. É por isso que os EUA mantiveram a aplicação destas 12 medidas contra países que consideram como inimigos.

Embora o vídeo culpe os maçons, seria mais correto dizer que é a elite patológica. Uma das principais características definidoras desta subespécie é o fato de que eles não têm consciência e, portanto, não se importam com o sofrimento humano e mortes. Poderia até ser argumentado que eles apreciam todo este sofrimento.

Como sempre, a responsabilidade recai sobre nós a aquisição de conhecimentos para acordar deste pesadelo, e o fato de que existem predadores entre nós que não têm qualidades humanas essenciais. Isso está se tornando mais fácil, pois o império do caos, em sua luta desesperada para manter a hegemonia, está mostrando a sua verdadeira natureza aos olhos de todos. Assim, o imperador é exposto por estar nu.

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Da esq. p/ a dir., Putin, Modi, Dilma, Xi e Zuma

Os países BRICS e uma série de outros países estão se tornando conscientes disso. Não há dúvida de que uma maior cooperação entre esses países tem ajudado a difundir o conhecimento sobre o modus operandi dos psicopatas. O vídeo acima é um exemplo da exposição deste padrão.

Dilma precisa incorporar empreendedorismo dos pobres e frações do capital industrial

Dilma precisa incorporar empreendedorismo dos pobres e frações do capital industrial

Por Marcelo Barbosa e Kadu Machado no Escrevinhador

Nesta eleição soou o dobre de finados para a sistemática de tutela inaugurada pelo PT e seus aliados em 2003.

Sem interrupção, por doze anos vigorou o método pelo qual governar é arbitrar os conflitos entre capital e trabalho em proveito do processo de acumulação de capital.

Um processo marcado, de igual maneira, pela inserção subalterna de demandas de setores de baixo da pirâmide social. Por muito que tal postura tenha produzidos resultados, inclusive a alguma redução dos níveis de concentração de renda, ao que tudo indica seus efeitos se acham esgotados.

Foram tantas as fissuras no bloco de forças montado para sustentar esta política, que causa surpresa o fato de a esquerda haver conseguido chegar à segunda volta do processo eleitoral este ano.

Ao final, apenas o seguimento diretamente beneficiado pelos programas sociais como bolsa família, nas classes D e E, permaneceu fiel à orientação política preconizada pelo Planalto. Curiosamente, essas áreas permaneceram imunes a qualquer efeito dos protestos de junho de 2013.

Já nas camadas sociais em vias de ascensão – novas florações da classe trabalhadora – os movimentos de junho deixaram marcas. As configurações de “empreendedorismo dos pobres” (geralmente marcadas pela proximidade com o universo confessional dos evangélicos), formaram entre os primeiros setores a recusar o sistema de arbitragem que funcionara tão bem na primeira década do século XXI.

Sua lealdade sucumbiu vitimada pela contradição entre o aumento da sua renda (estagnada a partir de 2012) e a ausência da oferta de serviços públicos nas áreas de educação, saúde e transporte.

Confrontado com as mobilizações, pais e filhos desse segmento adotaram atitudes diferentes: os jovens, fruto da criação de uma nova categoria de universitários propiciada por iniciativas como o Prouni, ocuparam as ruas nos protestos de ano atrás. Já seus pais exprimiram a sua discordância por meio da adesão ao discurso político de Marina Silva durante pelo menos todo o primeiro turno.

Outra dissidência espetacular deu-se no âmbito do capital industrial paulista. A tradicional divisão do segmento entre o fisiologismo e o oposicionismo deu um lugar a uma defesa em bloco, cheia de azedume, das candidaturas neoliberais, em particular a de Aécio Neves.

Nem a adoção de medidas por parte dos governos do PT e seus aliados como a redução de tarifas de energia, a desoneração do de IPI da indústria automotiva ou a concessão de empréstimos com taxas bem inferiores à Selic tiveram impactos sobre o humor dos industriais.

Em parte, todo esse ressentimento se explica pela tradicional posição do empresariado brasileiro, ideologicamente incapaz de subscrever um projeto de defesa dos interesses nacionais.

Os produtores de bens manufaturados, contudo, tem razão quando dizem que, nada obstante os esforços oficiais para tornar atrativa a indústria local, o câmbio e os juros praticados no país não favorecem a competição com países como os EUA, Japão ou mesmo Coréia do Sul. Ainda mais num momento de depressão generalizada do comércio exterior mundial.

As duas dissidências acima, a que se somam a inúmeras outras, receberam milhões de votos. Repita-se: quase empurraram o PT para fora do segundo turno.

O protesto flagra a insatisfação com um regime de arbitragem imposto à sociedade civil. Impõe-se uma mudança de método: a representação de partidos que dá sustentação aos governos cujo ciclo inaugurou-se em 2003 precisa abrir mão dos mecanismos de tutela sobre a cidadania e sair em campo para disputar o seu projeto (e é preciso que tenha algum).

Se não fizer isso, continuará frágil em vista da chantagem do capital financeiro e do agronegócio – que aliás, em seu escopo majoritário fazem campanha eleitoral para a oposição, qualquer uma.

A grande frente democrático-popular precisa urgentemente de ampliação. Necessita incorporar segmentos do empreendedorismo dos pobres e, pelo menos, de frações do capital industrial.

Com relação ao primeiro, passou da hora de dotar as periferias de serviços públicos de qualidade capazes de sinalizar a opção pela construção de um Estado de bem-estar. E, quanto à indústria, não dá mais para conviver com a estrutura de juros altos e câmbio irreal inaugurados durante o tucanato.

Fazer isso não é fácil, pois trata-se de criar condições para, aos poucos, com monitoramento da correlação de forças, romper com a atual política econômica, que é suicida, no médio e longo prazo. Se a regulação da mídia e reforma política são metas intermediárias para a conquista desse objetivo maior, que sejam bem-vindas.

GERENTE DA PETROBRAS DIZ QUE ROUBA HÁ 18 ANOS. SERÁ QUE FHC SENTE VERGONHA DELE?

HOMEM DE US$ 100 MI ROUBA DESDE O INÍCIO DA ERA FHC
A OCASIÃO FAZ O LADRÃO. EX-GERENTE DA PETROBRAS DIZ QUE ROUBA HÁ 18 ANOS. SERÁ QUE FHC SENTE VERGONHA DELE?
barusco
Do Poços 10

Depois de ter causado espanto ao declarar que devolveria uma fortuna de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 252 milhões), obtidos irregularmente, aos cofres públicos, o ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco admitiu que recebe propina há 18 anos, desde o início da era FHC, por meio de contratos da estatal. Esse é o motivo, segundo ele, para ter conseguido acumular tamanha fortuna.

Na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse sentir “vergonha” do que está acontecendo na Petrobras. “Tenho vergonha como brasileiro, tenho vergonha de dizer o que está acontecendo na Petrobrás”, afirmou.

Barusco admitiu, em delação premiada, que desvia verbas por meio de contratos na estatal do petróleo desde 1996, segundo ano do governo do ex-presidente tucano. Ele também confirmou ter recebido US$ 22 milhões em propina apenas da holandesa SBM Offshore, que trabalha com afretamento de navios-plataforma.

O ex-gerente da Petrobras negou, durante depoimento, que parte do dinheiro desviado por ele era destinado a algum partido ou políticos. “Esta era a parte da casa”, afirmou. Apontado como um dos supostos cúmplices do ex-diretor da estatal Renato Duque, preso na sexta-feira 14, ele conta também ter contratado empresas sem licitação, prática que foi permitida por meio de uma lei do governo FHC.

Barusco teve participação em todos os grandes projetos da Petrobras na última década, entre eles a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Em 2006, logo após a compra pela Petrobras de 50% da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, ele tentou favorecer a Odebrecht, contratando a empresa para a ampliação da refinaria sem processo de licitação. Ele alegou que a companhia era a única brasileira com experiência para o trabalho e obteve o apoio dos diretores. A obra no valor de US$ 2,5 bilhões, porém, foi rejeitada pelos sócios belgas.

O volume de dinheiro a ser devolvido pelo engenheiro aos cofres públicos é o maior já obtido por um criminoso na história do País. O acordo de delação premiada foi firmado por ele antes de a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, vir à tona. Ele decidiu colaborar com a polícia assim que foi avisado que seria denunciado, conseguindo, dessa forma, se livrar da cadeia.


Luiz Müller

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